Robson do Val

Quem tem mais de 40 anos certamente já ouviu falar dos filmes que retratam o velho oeste americano. O cenário nessas películas, hoje fora de moda, geralmente é um território inóspito, com terra seca esturricada, temperatura lá nas alturas e ausência total daquilo que convencionamos chamar de lei.

Pois bem, nos últimos meses a temperatura ambiente na antiga “Suíça Baiana", hoje mais pra Palestina, superou fácil a casa dos 30°, o que é totalmente fora do contexto nesse período de final de inverno e início de primavera. Nesta época do ano, por aqui, o frio geralmente imperava, estendendo-se até a chegada de outubro. Já houve momento, nesse período, da temperatura baixar dos 10° com facilidade.

Não bastasse a sensação térmica dos infernos, complicada com uma humidade relativa do ar baixíssima, causada pela carência de vegetação, o aspecto de abandono das praças da cidade deu o toque que faltava para composição de um cenário desolador. Muitas delas, aquecidas pelo calor tórrido e abandonadas pelo poder público empresas, se tornaram descampados onde a mais leve brisa levanta uma imensa coluna de poeira.

Se não fossem os sacos plásticos trazidos pelo vento e pendurados nos poucos arbustos sobreviventes, teríamos a impressão de que, como nos filmes do “Velho Oeste”, John Wayne surgiria a qualquer momento com seu cavalo, atirando para todos os lados.

Mas para ser uma terra sem lei, como nos filmes de bang bang, não basta o calor extremo e a paisagem desoladora. Falta ainda a presença do chamado “fora da lei". E aí nem incluiremos os tiroteios comuns nas periferias da maioria das cidades brasileiras.

Circulando pela cidade em pleno período de campanha eleitoral, encontramos um candidato a deputado, que se diz amigo de gatos e cachorros, fazendo propaganda em placas fixas no canteiro central de uma avenida, o que é proibido pela legislação eleitoral. Como numa terra sem lei que se preza, ele está fazendo isso desde o início da campanha e ninguém apareceu para puni-lo.

No “Velho Oeste” nós tínhamos as diligências, carruagens com relativo conforto, que transportavam passageiros e que, de vez em quando, eram alvos de ataques de bandidos. Nosso paralelo em Vitória da Conquista são centenas de vans sendo utilizadas em transporte clandestino. Algumas estão literalmente caindo aos pedaços. Algumas até com placas de outras cidades.

Os condutores desses veículos piratas simplesmente escolhem uma linha qualquer e param nos pontos que deveriam ser dos ônibus, oferecendo transporte aos que lá estão. Comenta -se que esta prática ilegal e sem controle já foi responsável pela falência de uma das duas empresas de ônibus legalizadas que circulavam na cidade.

Portanto, se você ouvir um dia desses que alguém em Vitória da Conquista foi atingindo por uma flechada, não duvide, a coisa por lá está ficando feia e perigosa, e os representantes da lei, que deveriam colocar ordem na casa, ao que tudo indica, estão com o rabo entre as pernas, que nem os cachorros que ajudam o deputado das placas ilegais no canteiro a se eleger.

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