Robson do Val

Em Vitória da Conquista todo dia tem bate boca na ciclovia. Os envolvidos nessas confusões diárias têm, em quase 100% dos casos, a mesma motivação. De um lado, quase sempre, está um ciclista que vinha pedalando tranquilamente pela ciclo-faixa; do outro um pedestre, que não se sabe por que cargas d'água, acha que pode caminhar na via onde só deveriam circular bicicletas.

Por causa dessa falta de educação de muitos pedestres, acontecem não só discussões, mas também acidentes. É perceptível que algumas das pessoas que caminham na ciclovia não têm a menor noção de que estão descumprindo as regras. Outras,  no entanto, o fazem por pura arrogância e descaso pela ordem pública.

O fato é que, na nossa cultura, além do despreparo dos cidadãos que não recebem educação satisfatória para interagir no trânsito, ainda amargamos a ausência completa dos órgãos fiscalizadores quando o infrator é o pedestre. Na cabeça do brasileiro médio só quem tem que respeitar lei de trânsito é motorista.

É lamentável que seja assim em Vitória da Conquista, que tem uma malha de quase 30km de ciclovias para uma população de cerca de 370 mil habitantes; proporcionalmente a maior do Estado.

Não chega a ser um modelo,  perto de cidades como Copenhague, na Dinamarca, onde 35% da população vai ao trabalho de bicicleta.  Lá existem 560 mil bicicletas para 520 mil habitantes, ou seja, mais bicicleta do que gente. E o dado mais surpreendente: 63% dos parlamentares dinamarqueses vão trabalhar de bike. Consegue imaginar isso aqui no Brasil?

Aqui, ao contrário, o sujeito se esfola para pagar a prestação de um carro, muitas vezes mais por ostentação do que por necessidade, congestionado a porta das escolas e lançando mais gases na atmosfera do que o recomendado. Conclusão: o que se acha bacana no terceiro mundo é considerado otário nos países desenvolvidos.

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