Karina Nery

Aqui na Alemanha é muito comum você programar eventos, shows, férias, aniversários, consultas médicas e sei lá mais o quê para o ano inteiro. E marcou, está marcado.

Comprei ingresso para um show com quase um ano de antecedência e agora estou tentando marcar para ver um musical para setembro de 2020. E, para não esquecer, haja calendário! No quarto, na cozinha, no Google, com alarme, sem alarme...

Com relação às férias, a mesma coisa. Você já se planeja para o ano inteiro. Por isso os seguros viagens são tão importantes. Muita coisa pode acontecer quando nos planejamos com tanto tempo de antecedência.

E para as revisões médicas, marcadas há mais de seis meses, posso comparecer sem nenhum telefonema de confirmação da clínica para saber se eu estava lembrada. 

Confesso que dá uma certa agonia.... Eu lembro. Mas será que eles lembram também? Será que não cancelaram? Não vão esquecer de mim?

No Brasil, os consultórios sempre ligavam. Pra lembrar, pra confirmar, pra saber se eu sabia chegar lá...

Aqui não. Marcou, está marcado. Mesmo com um ano de antecedência.

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Foto de calendário

No dia em que eu tirei essa foto, sem querer, terminei fazendo um registro raro dessa igreja, porque é muito difícil vê-la coberta de neve. 

Na época, postei a foto em um grupo da cidade e ela recebeu muitos comentários e um convite para fazer parte do calendário do Lions Club de Bergisch Gladbach e Bensberg e, agora, soube que ela foi a escolhida.

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Minha opinião sobre os alemães

Fui surpreendida com uma pergunta bem especial. Uma aluna queria saber a minha opinião sobre a forma objetiva e direta de o alemão ser.

Ela, literalmente, antes de eu começar minha aula, me perguntou se podia me fazer uma pergunta. E foi quando ela me perguntou se eu achava que os alemães eram grosseiros, rudes, indelicados, mal-educados ou ríspidos. 

Oh... Logo eu que tendo a achar todo mundo fofinho...

Contei que vim para a Alemanha preparada, já sabendo disso, e atenta para dizer a mim mesma que isso é uma questão cultural e não significa que "ninguém me ama, ninguém me quer".... Mas que tive muita sorte de, até o momento, só conhecer pessoas que fogem desse padrão. E alemães "da gema"! E a contar nos dedos quem eu achei que foi rude. (Professora Brava, a senhora de uma lojinha do centro, uma moradora da minha rua que não gosta de dar "Hallo", mas eu dou "Hallo" pra ela mesmo assim, e uma vizinha, mas que tenta ser minha melhor amiga).

Bem, não sei se é apenas uma questão de sorte, porque Colônia, além de ser considerada a capital gay da Alemanha, é também a mais latina. E é onde tem o maior carnaval... Então, alemão de Colônia não segue muito o estereótipo alemão que a gente tanto ouve falar...

Também percebi que alemão + contato com outras culturas, quer seja por muitas viagens - o que eles adoram, quer seja por estarem aprendendo um idioma ou por terem casado com estrangeiros, é a combinação perfeita para uma pessoa legal.

Mas, voltando para a minha aluna... O que aconteceu foi que ela está coaching uma brasileira na universidade onde trabalha e, em seu último encontro, duas pessoas chegaram 5 minutos antes da hora marcada. Ela, então, foi até a porta explicar que ainda faltavam esses 5 minutos.

Quando voltou, a brasileira estava toda preocupada, querendo saber o que houve. Minha aluna alemã ficou sem entender. Nada aconteceu. Foi uma conversa normal. Mas a brasileira só via a "cara feia" e só ouvia o "tom ríspido".

Mas nada aconteceu mesmo. Não houve brigas, nem discussões.Tanto que, no final da sessão, aqueles que chegaram antes do horário estavam rindo à toa quando elas saíram da sala.

Pra mim, tudo se resume ao ser. A quem você é. Ao seu caráter. Dizer que alemão é frio e objetivo e que brasileiro é enrolador ou desonesto é querer limitar algo que é muito mais complexo.

Somos feitos de contatos e através deles mudamos. Só torço que sempre para melhor.

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