Helô Sampaio

Começa uma nova estação, de clima mais ameno. Tomara que venha com muita chuva para molhar a nossa terra árida, aliviar o problema da água e trazendo frutas saborosas pra gente se distrair. Teoricamente, seria a estação ideal, junto com a primavera: nem muito calor, nem muito frio. Mas, na nossa Bahia amadinha, temos só duas estações, e bem definidas: uma de calor com chuva; a outra de calor sem chuva. Simples assim.

Esse negócio de intempéries, escândalos, tempestades, terremotos e outras calamidades, também temos, mas só na política. E isso, infelizmente, acontece no país inteiro. É roubalheira, mensalinho, malas de dinheiro, dinheiro na cueca, em transferências, a cada dia surge uma modalidade diferente. O povo é criativo demais. Gente, eu fico pasma. O povo fala em milhão, bilhão, como a gente fala em ‘mirréis’. Tô nessa idade e nunca fui apresentada a um milhão. Nem de longe ou no bolso dos outros. Milhão só conheço no São João, e veja lá, tá difícil. O produto tá encolhendo.

Fotos: Pixabay/Creative Commons

Um dia, pensei ter uma visão com malas cheias de dinheiro em um apartamento. Era real. Crendeuspadre! Era muito ‘mirréis’. Parecia miragem. Fiquei babando de inveja. Bem que eu queria poder ter uma malinha daquela. Ah! Queria, e muito. Nem ia me incomodar com o que as más línguas falassem.

Eu ia era curtir este mundo véio sem porteira. Nêgo ia ter que me procurar lá por Amsterdam, pelo principado de Mônaco, Nova York, Andes ou nos pés da Tour Eiffel. Mas, cadê a malinha pra bonitinha aqui cair na vida pra realizar o sonho? Tem não, fofo. Minhas malinhas ou estão vazias ou estão com um bocado de contas a pagar. Débito, palavra horrenda. Tenho alergia. Pai, afasta de mim esta praga.

Chegamos ao mês de abril. Eu sempre penso que primeiro de abril devia ser feriado nacional, o dia bom para representar nosso brasilzinho. Dia da Mentira. Tem dia melhor? Vivemos sob mentiras na quase totalidade das nossas relações. Parece que é sina do povo. A política está deteriorada e conseguiu prostituir o Judicilário. A maioria das instituições nos envergonha. Salvam poucas com decência. Estamos perdidos num oceano de roubalheira, imundícies e falta de respeito. Cada um só cuida do seu bolso, só quer se dar bem.

Nosso povo é PhD nesse assunto. Nas mínimas ações, nêgo tenta se locupletar. Se um caminhão vira, antes de salvar as pessoas, levam a mercadoria. Por necessidade ou prá ter vantagem em tudo? Loja é assaltada e o povo aproveita para levar uns produtinhos. Se o troco vier a mais, poucos devolvem. Praticam a famosa ‘lei de Gerson’, de levar vantagem em tudo. Não sei o que passa na cabeça da nossa gente, não. Para mudar, só tem o caminho do voto. Que a vagabundagem compra dos necessitados, engana os tolos, ou frauda de qualquer jeito. Penso, sento e choro.

Mas chega de chorar as pitangas. Vamos falar de coisas bonitas, como foram as comemorações da Páscoa por todo interior, com as comilanças de peixe e bacalhau antecipando as festas da Aleluia que é típico do período. O melhor é que tudo termina bem, com a Ressurreição, o renascimento, quando continua a comilança, festança, lambança, além de muito chocolate pra gente dizimar. Trem bom é chocolate. Agora me diga, aqui no pé do ouvido, meu lindinho: porque é que tudo que é gostoso é ilegal, imoral, engorda ou tem dono? É justo? Muito alface (argh!) pode; chocolate, não. Só ‘fróide’ explica e enquanto ele não chega, fundo no chocolate, no ovinho da Páscoa.

E a minha terrinha, Ibicaraí, está fazendo um chocolate de altíssima qualidade, com até 70% de cacau produzido por agricultura familiar. Que é delicioso. Fico gloriosa porque a minha cidade está envolvida nesse projeto. Quando vou lá, procuro o coordenador da fábrica, Hosaná, e ele me atualiza sobre as novidades, os novos produtos artesanais. Trago o que posso para os amigos, com intuito de divulgar o trabalho, que é da maior importância para a cidade e para os trabalhadores.

Desta vez, trouxe ovos de páscoa e os chocolates com 70% de cacau, que encantaram meus queridos amiguinhos. Mas não aí fique babando, meu amorzinho. A nossa queridíssima loira e linda Elíbia Portela me mandou uma receita especial para a gente ficar sem saudade da Páscoa, que já passou. Vamos cuidar do dia de hoje saboreando esta parte deliciosa da Elíbia. Aventais a postos.

Bolo Negrito de Chocolate

Ingredientes – para a massa:

-- 2 xícaras (chá) de açúcar refinado
-- 1 xícara (chá) de chocolate Nescau
-- 3 ovos
-- 100g de manteiga derretida e fria
-- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo peneirada
-- 1/2 xícara de chá de farinha de pão
-- 1 xícara (chá) de água fervente ou (Coca Cola em temperatura natural)
-- 1 colher (sopa) de fermento em pó
-- 1 colher de café de bicarbonato de sódio

Para a Cobertura
-- 10 colheres (sopa) de Nescau
-- 2 colheres (sopa) de manteiga
-- 2 colheres (sopa) de leite

Modo de Fazer: Massa:

- Misturar  em um recipiente, duas colheres de sopa de farinha de trigo e o fermento. Reservar.

- Á parte, combinar os demais ingredientes secos. Colocar a água fervente, e ir trabalhando com um fouet (não é necessário bater em batedeira). Depois de bem batidos, colocar os ingredientes reservados, e mexera com a espátula.

- Transferir para uma forma untada e enfarinhada, e levar ao forno médio, pré-aquecido, por aproximadamente 40 minutos. Depois do bolo pronto, deixar  5 minutos no forno, enquanto faz a cobertura.

Cobertura: Misturar todos os ingredientes e levar ao fogo. Esperar ferver.

Está pronto. Fazer furinhos com um palito em toda a superfície do bolo assado, e despejar por cima  enquanto ainda está quente. Se quiser, servir acompanhado de sorvete de creme, esquecendo esse assunto chato de calorias. Sem exagero, curta a vida, enquanto pode, meu benzinho.

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