Helô Sampaio

Escrevo ouvindo o toque dos sinos da Igreja Matriz de São Jose, em Itabuna, onde cheguei ainda encantada e cheia das belas imagens guardadas ao 'correr as coxias' pelo território pernambucano. Tem coisa melhor que viajar não, meu belo, renova o espírito, oxigena o corpo, engrandece a alma.

Conhecer pessoas, visitar lugares, conviver com novos costumes, novos pensamentos, e ver quão diferente são as culturas dentro de um mesmo país, é uma situação instigante, desafiante. E maravilhosa.

Depois de 'arrastar o chulé' (como disse minha amiga nonagenária com a sua filha) em Porto de Galinhas, vendo e fotografando todas as coleguetes locais, fui desfilar minha beleza pela capital pernambucana, que está muito linda, com muitos monumentos bem cuidados, ruas limpas, povo acolhedor.

Foi muito bom retornar ao Recife, render homenagens ao Capiberibe e Beberibe, rios que cortam e embelezam a cidade com as suas águas calmas e as margens ligadas por pontes artísticas e belas luminárias.  

E ainda nem falei da praia da Boa Viagem, com os seus quilômetros de águas azuis esverdeadas, com temperatura tépida, gostosa. Fiquei na casa da amiga Fernanda Ramos, que fica por acaso na Boa Viagem. Sopa no mel. Era só chegar na janela para sentir o clima, o afago, o dengo pernambucano. Depois, pular no carro para rever toda a cidade, almoçar um guisado de bode ou um pernil assado com Fátima Leão, publicitaria que trabalhou muito tempo aqui na Bahia, e Julio, Gisele e România, familiares de Vital Mesquita, meu irmão da vida, que devia estar nos abençoando 'lá de cima'.

 
Como bem diz minha irmã Carmen, tem coisa melhor na vida que família e amigos, não. Inunda o nosso coração de afeto e bem querer.


O passeio por Olinda foi outro momento mágico. Todos os recantos são acolhedores, a cidade é composta de beleza e harmonia, com monumentos e figuras típicas em todos lugares, um artesanato variado, onde a gente respira cultura para todos os lados. Foram dias abençoados para uma turista ansiosa por ver coisas belas, provar das boas comidas, bater papo a toa, conviver com pessoas simples abastecidas com a cultura da vida.

Aí, chegou o momento de botar a mochila nas costas e pegar a estrada, direto para Itabuna, onde Dumas me deixou na casa da minha irmã Ana e seguiu rumo para as Minas Gerais, para Varginha, a terra dos extra-terrestres, os ETs, lembra, bonitinho?

E foi na viagem de volta que o meu piloto mineirim, me contou: que um dia, deu um estrondo numa área próxima à cidade onde caiu um objeto estranho. Com três seres vivos, um já bastante debilitado e que logo depois morreu. Algumas pessoas acorreram ao local, que foi isolado e teve acesso interditado.

Foram viaturas da prefeitura, do estado e, pasmem, veio até um avião da Nasa – da Nasa, véio – para levar tudo, seres vivos, morto, aeronave, levar tudo, para destino ignorado. E ninguém estava autorizado a falar do assunto.

Uma das pessoas que esteve com um dos seres, poucos dias depois – morreu. E a coisa parou por aí. Lá eu sabia que a história tinha acontecido assim? Fiquei matutando com os meus botões sobre os mistérios do mundo.

Agora, aqui em Itabuna, no aconchego da família onde passei o Natal e estou aguardando o Novo Ano, que chegará trazendo saúde, boas surpresas, grandes alegrias, paz e felicidade para a minha família e de todos meus amigos e leitores, escuto o sino tocar várias vezes ao dia, chamando para a missa ou simplesmente avisando as  horas, lembrando que o Menino, o Salvador, está sempre ao nosso lado. Só precisamos enxergá-lo, acreditar Nele. E eu creio.

Passando as festas, vou dar um rolê por Ilhéus e Ibicaraí, as cidades da minha infância e adolescência, cidades que eu amo, que fazem parte da minha história. As irmãs já estão prontas para a decolagem. É uma com todas. Como diz o povo de minha terra, família que reza unida, permanece rezando, he-he.

Para a chegada do Ano Novo, a tradição da família é a 'aristaia' uma comida árabe que dá sorte (e é uma  delícia. Para mim, é um dos pratos mais saborosos e eu viajo léguas para saborear). Ana, minha irmã, é uma expert no assunto e já passou os ensinamentos para Alaíde, minha Neguinha linda e dasassuntada, que está conosco a décadas. Hoje, a Neguinha é uma PhD em aristaia.

 
Aventais a postos, vamos para a cozinha surpreender a família com esta comida 'di-vi-na'. Vem comigo, bonito.

 

Aristaia

- De véspera, catar e colocar ½ quilo de grão de bico de molho. No outro dia, lavar bem e levar ao fogo com água, até começar a amolecer. Acrescentar 1/2 quilo de carne (patinho) cortada em cubos; colocar 1 xicara de lentilha na água;

- Quando o grão de bico estiver meio mole, adicionar a lentilha lavada e catada, e colocar água que cubra toda a mistura. Deixar cozinhar, sempre acrescentando água (para manter o caldo);

- Quando a lentilha começar a amolecer, acrescentar um pacote de macarrão fino (um quilo), quebrado em pedaços;

- Separadamente preparar um molho com: uma xicara de azeite de oliva, três a quatro molhos de coentro, cinco dentes de alho machucado, sal a gosto, e três a quatro cebolas picadinhas.

- Machucar o alho com o sal, misturar com o azeite e levar ao fogo para dourar. Acrescentar a cebola e o coentro picadinhos e deixa rechear, mexendo sempre;

- Quando o molho estiver 'verdinho' (com o coentro bem cozido), misturar ao macarrão com o grão de bico e a lentilha e deixa dar uma fervura, quando o caldo fica bem grosso. Está no ponto, minha lindinha, de pegar o amorzinho pela gula. Verá que a receita é infalível: vai prender seu neguinho o ano inteirinho (eu torço por isso). Feliz Ano Novo, meus amores, com muita saúde e paz, que o resto 'nóis corre atrás', diz meu povo. 

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