Alex Ferraz


Foto: pxhere/Creative Commons

Vejo na TV enquanto digito estas linhas: "Lewandowski arquiva investigações sobre Renan Calheiros e Romero Jucá".

Vejo na memória imagens de TV de uns dois anos atrás, e até mais, com sensacionais manchetes sobre inquéritos contra...Romero Jucá e Renan Calheiros! Naqueles dias, denúncias escabrosas de corrupção, áudios incontestáveis etc.

De novo na TV, eterna  e fiel companheira dos solitários, vejo, de soslaio, pedaços de notícias sobre a soltura do ex-governador Beto Richa, preso dias antes e libertado por ordem de Gilmar Mendes.

De repente, a programação normal é interrompida pelo horário eleitoral e o aparelho vira um túnel do tempo. Viajo para 20, 30 anos atrás e me deparo com caras conhecidas, prometendo as mesmas coisas. Geração de emprego e renda, melhoria na saúde e segurança públicas e mais educação.

Corro à janela e olho em volta, na esperança  nostálgica de ver Opalas e Fuscas engarrafando o trânsito lá na avenida. Ora, afinal estou viajando no tempo!

Nada. Lá estão os carros modernos, as pessoas ziguezagueando de olhos fixos em smartphones, os tiroteios, as balas perdidas, as imensas e cruéis filas nos hospitais públicos varando madrugadas e milhões de desempregados e analfabetos.

Lá está 2018. Real, cruel, infalível.

Gente que governou cidades, estados, comandou ministérios, todos na TV prometendo o mesmo de décadas atrás

Volto a vista para o aparelho. Gente que governou cidades, estados, comandou ministérios, todos na TV prometendo o mesmo de décadas atrás.

Aí, dou um salto para um futuro muito próximo, 7 de outubro, e vejo na minha  bola  de cristal imaginária dezenas de milhões de eleitores esbaforidos,  correndo para exercer o "direito" do voto, pois caso não o façam podem até ficar sem poder contrair empréstimos, viajar para o exterior (em busca de segurança e trabalho digno), além de outras penalidades.

Enquanto aguardam a hora de votar, pensam na sua escolha e mais uma vez se vêem atraídos pelas promessas de geração de emprego e renda, melhoria da saúde e segurança públicas...

Ou, talvez, uma   virada radical que pode nos levar a uma  nova viagem ao passado.

Ao tempo em que não podíamos votar...

Colunas anteriores
Ver mais notícias desta seção: mais recentes · mais antigas