Alberto Oliveira


Foto: Pixabay/Creative Commons

Foi o articulista da Veja J.R.Guzzo quem melhor até agora expôs os equívocos cometidos pela mídia brasileira, de uns tempos a essa parte, e igualmente pelos que se intitulam parte de uma resistência, mas que acabam, com seus atos não raras vezes sem substância, apenas ajudando a consolidar o "status quo".

A mídia no Brasil está como cachorro que caiu do carro de mudanças: sem saber para que lado ir. Pior: quando se decide por um destino, é claramente o caminho oposto àquele onde se encontra seu público.

Há um abismo, entre os dois. Veja-se o que constata Guzzo: "A mídia diz uma coisa. O público acha o contrário. A mídia anuncia que vão acontecer os fatos A, B e C. Não acontece nenhum dos três". 

Nem é preciso recuar muito, no tempo. Basta lembrar das últimas eleições. O que foi repetido à exaustão, nos principais noticiários? Que o então candidato Jair Bolsonaro perderia para qualquer um dos outros em um segundo turno. Que a ex-presidente Dilma Rousseff, candidata ao Senado por Minas Gerais, seria a mais votada do País. 

E o que se viu? Bolsonaro atraiu mais de 57 milhões de eleitores, vencendo com folga, e a ex-presidente acabou em vexaminoso quarto lugar na terra do pão de queijo.

Sem olhar para todos os lados, como é seu dever, a Imprensa no Brasil "convenceu a si própria de que não estava em uma cobertura jornalística, e sim numa luta do bem contra o mal", nas palavras do articulista de Veja.

E com uma visão míope, imaginou que abrir espaço para o que dizia o candidato do PSL à Presidência do País faria com que sua candidatura minguasse.

Faltou perceber que parte considerável do eleitorado o havia escolhido exatamente pelo que falava e prometia, não apesar do que falava.

"A maioria do público brasileiro, nos dias de hoje, pensa basicamente o contrário do que pensam os jornalistas e os donos dos veículos de comunicação... Aprova o que a mídia condena. Condena o que a mídia aprova", constata J.R.Guzzo em seu artigo "A mídia diante do público", edição de 12 de dezembro de 2018.

 
Ah! Quando começarem os programas políticos na TV o cenário dos candidatos mudará
-- Esse era o mantra repetido

E o eleitor deu uma sonora banana.

"No mundo dos fatos, Bolsonaro ganhou a eleição - e o candidato que tinha o maior tempo de TV não conseguiu nem 5% dos votos", destaca o artigo na Veja.

Menosprezou-se - um erro abissal - o poder da internet e de suas redes sociais.

Em equívocos similares de interpretação do pensamento do eleitor brasileiro têm incorrido os chamados grupos de resistência, desde a barulhenta campanha do #elenão, soterrada por 57 milhões de sonoros #elesim.

Discute-se, agora, se cores podem ser associadas a gênero. É uma atitude autoritária, machista, patriarcal, etc, considerar que rosa tem a ver com a mulher e o azul com o homem? 

Se a resposta for sim, o que fazer, no final deste ano, com as importantes campanhas do Outubro Rosa e Novembro Azul, voltadas para a prevenção do câncer de mama (que atinge as mulheres em maior grau) e de próstata (para os homens)?

A oposição aos governos é peça fundamental da democracia. O estado democrático de direito exige uma imprensa livre (mas responsável) e uma oposição aguerrida (mas coerente).

As duas juntas - imprensa e oposição - têm o poder de impedir equívocos, barrar desmandos, expor conchavos, denunciar falcatruas. 

Mas precisam ser exercidas com seriedade.

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