Alberto Oliveira


Rui Costa e ACM Neto: o governador riu por último - Foto: Agecom

O prefeito de Salvador, ACM Neto, planejava ser eleito governador da Bahia nas eleições desse domingo (7/10) e esse plano começou a ser traçado há mais de 4 anos.

Para que não se concretizasse seria preciso ocorrer uma sucessão possível mas pouquíssimo provável de fatos negativos.

E aconteceram. Todos. A começar por duas derrotas inesperadas, para o seu grupo político: as de Geddel Vieira Lima (MDB) e Paulo Souto (DEM), batidos respectivamente pelo agora senador Otto Alencar (PSD) e pelo governador reeleito Rui Costa (PT).

Em 2014, até o dia anterior às eleições esperava-se uma vitória de Paulo Souto. Abertas as urnas, foi derrotado e em primeiro turno.

Ainda assim, apoiado pelo MDB, o prefeito ACM Neto podia considerar provável eleger-se ao governo do Estado em 2018, tendo como trunfo uma administração com bons índices de aprovação por parte do eleitorado, a partir de obras de impacto sobre a arquitetura da capital.

Mas aí também começou a colecionar problemas. A reforma do bairro da Barra, por exemplo, ajudou a esvaziar um dos locais mais frequentados, principalmente à noite, alimentando uma série de críticas quanto à desatenção pelo paisagismo, à opção pelo concreto em lugar do verde.

Poderiam ser reclamações pontuais, restritas aos soteropolitanos, incapazes de atingir os grotões.

Veio, no entanto, um golpe mortal sobre as pretensões políticas de seu maior apoiador, Geddel Vieira Lima, flagrado com malas abarrotadas de reais, escondidas em um apartamento de Salvador.

Como poderia então ACM Neto levar ao interior do Estado os resultados de sua administração em Salvador? Como fazer seu discurso chegar aos 417 municípios da Bahia?

ACM Neto percebeu que uma vitória sua deixou de ser possível para se tornar improvável. Escalou-se, então, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, bem conhecido em sua cidade, com influência em municípios vizinhos, mas sem a força necessária para superar o governador Rui Costa, que desde o primeiro dia de seu governo decidiu correr a Bahia, mostrar-se aos baianos dos municípios mais distantes, ancorado por uma estratégia de comunicação vencedora.

Para piorar, 4 dias antes da abertura das urnas ACM Neto, prefeito de Salvador, presidente nacional do DEM e coordenador político da campanha do candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, viu seu candidato ao governo da Bahia defender, ao vivo, pela TV, a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Completava-se a sucessão possível mas pouquíssimo provável de fatos negativos, refletida nas urnas pela vitória acachapante do governador Rui Costa, que de quebra ainda elegeu os dois senadores a que a Bahia tinha direito.

E, para a Câmara Federal, se ficarmos apenas nos candidatos do PT e do DEM, foram 8 contra 4.

O carlismo se esfarelou. ACM Neto precisará ter paciência e sagacidade política em doses industriais, para juntar os cacos.

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