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'O Plano' é romance de suspense em que nada é o que parece ser

A ideia é o leitor ir descobrindo a verdade junto com o protagonista

Foto: Divulgação
Romance da estreante Agda Theisen

Os dias atuais têm sido marcados pelo protagonismo dos agentes políticos em meio a esse tempo de conturbações e incertezas. Governantes ganham o plano das nossas atenções, ante nossa insegurança diante de um presente cheio de desafios (pandemia, crise econômica) e um futuro cada vez menos promissor.

É agora, nesse cenário pandêmico, que aparece o livro O Plano, romance da estreante Agda Theisen, escritora gaúcha radicada em São Paulo.

O romance traz como enredo um plano fatídico elaborado por Arno Ramos, um pretenso filantropo que dirige uma fundação beneficente. Zeca, seu assistente recém-contratado, descobre que nada ali é o que parece ser e, pouco a pouco, vai se inteirando dos fatos escusos que envolvem a organização. De posse da verdade, terá que decidir o que fazer.

“A ideia é o leitor ir descobrindo junto com o protagonista a verdade sobre a Fundação de Ramos e sobre que tipo de plano o título trata”, adianta a escritora.

Para Alex Ferraz, que assina a orelha do livro, o livro é uma “teia genialmente construída e que envolve o leitor na mesma intensidade bem calculada com que o personagem principal também se enreda numa história assustadora, revelando as forças e fraquezas que compõem o jogo do poder. Este romance de suspense vai muito além da trama de mistério, pois abre uma janela através da qual enxergamos a alma dos personagens. Tendo como cenário a cidade de São Paulo, a história gira em torno de um sinistro ardil que, por pouco, não chega ao Poder principal do país. Isto é, se em algum momento da nossa história recente realmente não chegou ou poderá chegar. Esta é a dúvida que permanece pairando no leitor após encerrar a eletrizante leitura.”

A escritora chama a atenção para o que se classifica romance de entretenimento:

“Não temos aqui no Brasil a tradição de apreço que os romances comerciais e populares, os chamados best-sellers, possuem nos EUA”, observa a escritora. “Minha ambição foi, e é, produzir uma narrativa rápida, fluida, que prenda o interesse do leitor e o divirta. Entretanto, é possível, mesmo assim, tecer reflexões importantes com base na história e no perfil dos personagens”, pondera. “A escolha é de cada um”.

Trecho

“Sua mente registrou uma coincidência e a lembrança causou desconforto. O mendigo moribundo com quem se batera noutro dia falara apenas cinco palavras, duas delas eram as então incompreensíveis “fio” e “líbero”. Apoiou as costas no suporte da placa de identificação da rua Líbero Badaró e fechou os olhos, repassando mentalmente a cena. Quando abriu os olhos novamente, deparou-se com o luminoso que identificava a Fundação de Arno Ramos a poucos metros dali.

Respirou fundo. Estranhamente, naquele local convergiam quatro fatores ligados ao mendigo morto: a instituição que o acolhera, a vítima que ele tentara assassinar e duas das suas últimas palavras...”