Política

Para especialista, não existe mais "lulinha paz e amor"

Ficou aparente que o discurso do ex-presidente foi um discurso mais duro e de queixa, como era esperado

Depois de várias especulações de como seria o discurso do ex-presidente Lula no seu primeiro contato com a população ao sair da prisão, observa-se que, como sempre fez nas suas entrevistas enquanto esteve preso - apontando que a sua prisão foi “armada” por parte dos setor público-, em seu primeiro discurso solto o petista retomou essa fala acusando as "partes podres" da Receita Federal, do Ministério Público, da Polícia Federal, entre outros. De acordo com o cientista político Juliano Domingues, agora não existe mais aquele “lulinha paz e amor de 2002”, referindo-se à mudança de comportamento adotada pelo Lula na tentativa de ganhar a presidência na época.

Na tarde desta sexta-feira (8), Lula foi recepcionado por uma multidão de apoiadores que se concentraram em frente a sede da Polícia Federal de Curitiba, no Paraná. Para Domingues, ficou aparente que o discurso do ex-presidente foi um discurso mais duro e de queixa, como era esperado, em relação às instituições do Ministério Público e parte do judiciário. Ainda segundo aponta o especialista, dessa vez Lula buscou ter cuidado e não generalizar no momento que falava das instituições.

“Há uma indicação de qual deve ser a estratégia discursiva que é de se colocar como alguém capaz de fazer com que o Brasil retome o rumo da geração de emprego e crescimento. É se colocar também como alguém que pode ser esse catalisador da esperança da população num futuro melhor”, salienta Juliano.

Considerado o líder da oposição e da esquerda no Brasil, acredita-se que, por conta da forte dependência da figura do Lula, agora a oposição consiga mais força. O cientista político aponta que o ex-presidente "ainda é uma das principais lideranças do Brasil e da América Latina".

“A forma como ele se posicionou agora e a capacidade que ele tem de representar, talvez, uma parcela não tão grande quanto se pode imaginar, mas ele ainda é um símbolo importante da esquerda e centro-esquerda”, pontua Domingues.

A liberdade do ex-presidente acontece depois que, por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a prisão só pode acontecer depois que todas as instâncias sejam esgotadas. A decisão da soltura é do juiz Danilo Pereira Júnior, magistrado da 12ª Vara Federal de Curitiba.