Bahia / Música

8ª edição do Festival de Jazz do Capão acontece na Praça da Vila do Capão

Nos dias 22 e 23 de novembro (sexta e sábado), a partir das 20h

Foto: Marcio Lisa
Jazz Capão
O pianista, compositor, arranjador e produtor Cesar Camargo Mariano se apresenta no festival

O Festival de Jazz do Capão já faz parte do calendário de eventos do Nordeste e é um dos momentos mais esperados do ano pelos apreciadores do Jazz, músicos, amantes da natureza e comunidade local.

O festival será realizado nos dias 22 e 23 de novembro (sexta e sábado), a partir das 20h, na Praça da Vila do Capão, distrito de Caeté-Açú, localizado no município de Palmeiras, a 440 km de Salvador.

 O projeto conta com o apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura. A realização é da Cambuí Produções e produção Gil e Canella Produções. 

Em sua 8º edição o festival que é gratuito traz na programação grandes nomes da música local, nacional e internacional.

Na sexta-feira (22), a Mostra Capão, que existe desde a primeira edição e é um espaço dedicado para a expressão musical do vale, traz este ano a força do feminino através de três trabalhos bem distintos: o canto afro indígena do TerrAqua, as canções intuitivas de cura de Andréa Cathalá, e a roda de samba do Yayá Massemba.

Na mesma noite tem os shows do guitarrista Nelson Veras ( foto David Gauthier) e do sexteto do pianista e compositor Luã Almeida. O sábado (23) começa com a Mostra UFBA que traz o Quarteto Alquife.

Na sequência se apresentam a banda Kapelle17 (Alemanha) e o Cesar Camargo Mariano Trio, liderado pelo pianista, compositor, arranjador e produtor Cesar Camargo Mariano que tem 50 anos de carreira e mais de 30 discos lançados. 

Cesar retorna aos palcos com a formação instrumental que iniciou sua carreira, acompanhado de músicos desta nova geração como Sidiel Vieira (baixo) e Thiago Rabello (bateria).

“Há muito tempo tenho a vontade de tocar novamente na formação de Trio, o que me impulsionou a criar um repertório com composições novas e revisitar alguns temas clássicos da Bossa Nova, como também do Jazz e do Pop Americanos.

Fiquei muito contente com o convite para tocar no Festival de Jazz do Capão, nesta região da Bahia de cultura e natureza tão ricas.”, destaca Cesar Camargo Mariano.

Workshops

Além dos shows, nos dois dias de evento no período da tarde, serão realizados workshops, no Circo do Capão. 

No dia 22 de novembro, a banda Kapelle 17 vai abordar “Improvisação e Composição Jazzísticas” a partir das 14h e Cesar Camargo Mariano recebe o público, às 16h, para um bate-papo sobre suas experiências como pianista, arranjador, produtor e compositor.

No dia 23 de novembro, às 14h, o workshop de Luã Almeida será sobre “Piano e Composição” e às 16h, o de Nelson Veras será sobre “Guitarra e Improvisação”.

Os workshops existem desde a primeira edição e têm uma função dupla.

De acordo com o curador e diretor artístico do Festival, Rowney Scott, eles servem “para os artistas terem um contato mais próximo com o público em geral e também para estudantes de música e músicos locais poderem tirar dúvidas musicais específicas e saber mais sobre as carreiras dos artistas.

Funciona como um bate papo musical, mas a condução fica por conta do artista”.

Campanha ambiental 

O Festival de Jazz do Capão promove a música instrumental, o Jazz, os artistas locais, o comércio, mas também faz uma reflexão sobre o impacto ao meio ambiente.

Pensando nisso em todas as edições a campanha ambiental do evento desperta o público para a conscientização de temas como o descarte do lixo, uso da água, o trânsito nas proximidades do vale, contratação de guias certificados para visitação entre outros assuntos. 

A programação inclui ações de coleta seletiva e também o incentivo à carona solidária. O objetivo dos organizadores com a ação é reduzir o impacto ambiental do projeto ao menor nível possível.

Com relação à importância do festival para os moradores do Vale do Capão e a redução de impactos ambientais, o músico, curador e diretor artístico do Festival, Rowney Scott explica, “o festival hoje em dia é um dos eventos mais importantes para os moradores no sentido econômico, pois com a realização do evento promove a economia local.

No sentido cultural é uma iniciativa que traz ao vale uma música diferenciada que não chegaria normalmente e tem sido ao longo dos anos uma maneira de democratizar o acesso a cultura, por parte da comunidade. Então, sempre tentamos conscientizar o público que vai para o festival sobre a necessidade do cuidado com a natureza, com a comunidade e com os valores culturais locais”.

A dificuldade em conseguir patrocínio é uma realidade que o Festival do Capão enfrenta todos os anos. “O evento é gratuito, no interior e com uma música que não é comercial, então todas as edições que fizemos foram de patrocínio via edital, apoio direto ou parceiros.

Por isso, o desafio número um é a captação de recursos, tanto que duas edições não foram realizadas por falta de patrocínio. Com a situação atual da cultura no país estamos tentando se reinventar para sobreviver, talvez um dos caminhos seja diminuir a dimensão do festival, sair da praça e ir para o circo, para fazer algo mais intimista e sobreviver a esta crise cultural que estamos vivendo”, desabafa Scott.

Parcerias internacionais 

Em 2018 o evento teve a primeira participação internacional, o grupo Conexão Berlin. Scott lembra que eles “tinham muito interesse em tocar no Festival, por isso conseguiram apoio para participar. Este ano teremos o Kapelle 17 que vem da Alemanha, também com apoio do país de origem”.

A internacionalização do Festival surgiu de uma demanda espontânea de artistas do mundo todo com interesse em participar do evento, o curador revela este movimento, “recebemos durante o ano material de vários artistas do mundo inteiro com interesse em tocar no Festival e a gente espera que seja possível ter mais parcerias para manter o festival e ao mesmo tempo internacionalizar”.

Mostra Capão 

→TerrAqua formada pelas cantoras e percussionistas Tereza Raquel (BA), Carol Nascimento (MG) e Tami Aranha (SP), formam um trio de mulheres cantadeiras e tamboreiras investigadoras da cultura afroíndigena brasileira. As vozes e a percussão expressam a beleza e a diversidade dessa cultura, tendo como referência as cantigas e os ritmos regionais do Nordeste como o samba de coco, ijexá, capoeira, ciranda, cantos de trabalho, cantos indígenas e africanos.

→Andréa Cathalá é uma artista autodidata, com mais de 200 composições de música intuitiva. Já atuou em diversas bandas, tendo também, seu próprio trabalho musical, denominado ‘ReinAmoR’. Viajou por 6 países da Europa levando sua ''música medicina" também por Chile e Argentina. Atualmente trabalha com o grupo musical ‘Som da Mata’ e com sua própria formação de músicas autorais. No show será acompanhada por Tiago Gusmão (violino e pífano), Ana Tomich (percussão) e Pablito Rosas (teclado).

→Yayá Massemba nasce da vontade de fortalecer e dar visibilidade ao protagonismo da mulher no samba, também como instrumentista e compositora. Com isso, após a reverberação das rodas de samba feitas por mulheres no Vale do Capão/Chapada Diamantina-BA, entre 2017 e 2018, surgiu a banda Yayá Massemba, formada por Ana Tomich (voz e violão de 7), Ive Farias (voz e percussão), Priscilla Oliveira (voz e Cavaquinho) e Rafaela Bhakti (percussão e dança).

Nelson Veras 

Na mesma noite (22) o Festival apresenta o show do guitarrista baiano Nelson Veras, que  se mudou para Paris aos 14 anos de idade onde vive há quase três décadas. Na Europa, imerso no universo de uma improvisação jazzística densa e profunda, ele construiu uma carreira consolidada internacionalmente.

Com vários discos gravados, solo e em parcerias, vem atuando ao longo dos anos com artistas como Michel Petrucciani e Steve Coleman. Nelson desenvolveu um estilo único baseado em uma mistura de guitarra clássica, jazz contemporâneo e suas raízes brasileiras. Ele se apresenta no Festival de Jazz do Capão, depois de muitos anos longe dos palcos baianos, acompanhado por Marcelo Galter (piano), Victor Brasil (bateria) e Ldson Galter (baixo).

Luã Almeida Sexteto (foto Carrie Tyler)

Pianista, compositor e arranjador da nova geração de instrumentistas baianos, Luã Almeida vem se destacando por sua capacidade de transitar com fluidez entre a música de concerto, a instrumental jazzística e a popular.

Nos últimos anos foi vencedor, do Prêmio Funarte de Composição Clássica (2016), Prêmio Caymmi de Melhor Composição Instrumental (2016), Melhor Arranjo para Composição Instrumental do Festival da Rádio Educadora FM (2018) e do IV Concurso de Composição do Festival Gramado in Concert (2019). A banda é formada pelos músicos Luã Almeida (piano), Bruno Marques (baixo elétrico), Beto Martins (bateria), Reinaldo Boaventura (percussão), Davi Brito (Trompete) e Gleison Coelho (Sax/flauta).

Mostra UFBA 

A noite do sábado (23) começa com a Mostra UFBA que traz o trabalho de três estudantes baianos que, durante o intercâmbio este ano na Universidade de Mannheim (Alemanha), se juntaram a um estudante alemão e formaram o Quarteto Alquife. São eles: João Gabriel (baixo), Lucas Decliê (sax), Duca Vasconcelos (guitarra) e Jakob Dinnebier (bateria).

O grupo tem foco nas improvisações jazzísticas e toca composições autorais com influências que vão de Milton Nascimento a John Coltrane. A Mostra UFBA é resultado de uma parceria institucional entre a Escola de Música da UFBA que acontece desde 2018, onde os alunos são selecionados via edital interno para integrar a programação do evento.

Kapelle17

Seguindo a programação o grupo de Jazz Kapelle17 (foto), que vem do sul da Alemanha, apresenta seu repertório com composições originais que vão desde grooves elásticos e polirrítmicos até improvisações como paisagens sonoras, escuras e brilhantes.

Seu primeiro álbum "Music For Young Business People" foi lançado em 2018.

O saxofonista Benedikt Jäckle e o guitarrista Johannes Mann se aventuram em longas improvisações enquanto o pianista Paul Janoschka, o baixista Jakob Obleser e o baterista Jonas Kaltenbach criam atmosferas detalhada e fortes de apoio ou desafio ao solista.

Cesar Camargo Mariano Trio

Com 50 anos de carreira e mais de 30 discos lançados, o pianista, compositor, arranjador e produtor Cesar Camargo Mariano ajudou a formatar o piano popular brasileiro. O seu swing e habilidade na mão esquerda, que caracterizam o seu estilo, se tornaram matriz na música brasileira e mundial.

O disco Samambaia, em parceria com o guitarrista Hélio Delmiro, é considerado um dos mais importantes de música instrumental já lançado no Brasil e celebrado mundo afora. Cesar criou, na década de 60, dois dos mais importantes trios instrumentais, o “Sambalanço’’ e o “Som Três”.

Entre os trabalhos realizados com importantes artistas brasileiros e estrangeiros, há de se destacar aqueles com Wilson Simonal, Elis Regina, Yo-Yo Ma, e de direção musical no antológico disco ”Elis e Tom’’. No festival, Cesar Camargo Mariano se apresenta na companhia do baixista Sidiel Vieira e do baterista Thiago Rabello.

Programação : 

Sexta-feira, dia 22/11

Shows – Praça Principal do Vale do Capão – a partir das 20h.

Atrações: Mostra Capão (TerrAqua, Andréa Cathalá, Yayá Massemba); Nelson Veras e Luã Almeida Sexteto.

Workshops – Circo do Capão.

14h – Improvisação e Composição Jazzísticas (Kapelle17).

16h – Cesar Camargo Mariano.

Sábado, dia 23/11

Shows– Praça Principal do Vale do Capão – a partir das 20h.

Atrações: Mostra UFBA (Quarteto Alquife); Kapelle17 (Alemanha) e Cesar Camargo Mariano Trio.

Workshops – Circo do Capão.

14h – Piano e Composição (Luã Almeida).

16h – Guitarra e Improvisação (Nelson Veras)

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