Música

Salvador e sua resistência musical (na madrugada do Rio Vermelho)

Bardos Bardos.... Creia! 

Se tem um lugar que, vez por outra, preciso frequentar para recarregar as baterias da baianidade é o bom e velho Rio Vermelho. Para mim, amante da música então, é o lugar certo. E foi lá, na última quinta, que me veio a ideia para essa nossa conversa de hoje. Uma ideia que se iluminou conversando com um “reverendo”.

Bardos Bardos.... Creia! 

O Bardos é um bar que fica ali na rua do meio, mais precisamente na travessa Basílio de Magalhães, e é comandado pelo reverendo T, baterista, letrista, responsável por inúmeras composições de bandas do rock baiano e capitão de um movimento de resistência do rock raiz aqui em nossa cidade.

Na última quinta, quando passei por lá, estava acontecendo uma jam session. Era só chegar e tocar, cantar, deixar rolar o som. Cerveja gelada também tinha bastante.

A plateia do Bardos fica na sua maior parte na calçada assistindo aos shows e curtindo a atmosfera que é diferente, só indo lá para entender. Dentro da pequena casa, na sala fica o palco, no quarto da direita uma loja de souvenirs, discos, etc., na cozinha, claro, o bar.

Ir ao banheiro é uma outra experiência especial. Tem que passar pelo meio da banda, e entrar na porta que fica bem ao lado do baterista.

No intervalo das bandas é só plugar o celular ou rodar um vinil e está mantida a vibração. Aliás essa palavra ajuda a entender a viagem que é estar no Bardos Bardos.

O Reverendo está sempre por lá com seu jargão...”Creia”! Se você gosta de rock puro na veia, de todos os estilos e tribos, acessa aí a página do bar e se programe. Vá sozinho ou de galera que não vai se arrepender... Creia !!

Bohana. Resistência do Axé... 

Você pode até achar que é invenção minha trazer uma coincidência para temperar nossa conversa de hoje, mas não é não, repetindo de novo o reverendo, Creia!! Na quinta estava no Bardos e nessa semana calhou que no sábado saí com minha noiva e uma turma para festejar o aniversário de uma amiga. Decidimos ir assistir outro exemplo de resistência, dessa vez do Axé. Eric Bohana. Foi a segunda vez que assisti e de novo a diversão e a viagem foram garantidas, no quintal das mangueiras, lá no Imbuí.

Eric nos presenteou com uma música autoral na pegada do Axé raiz e com a participação de Janete, da primeira formação da Banda Mel.

A estrutura do show dele é muito legal pois simula o desfile de um bloco lá pelos idos dos anos 80, como se ele estivesse em cima do trio falando com os foliões que a mortalha está bonita, passando recado para os cordeiros, parando quando começa o empurra-empurra e chamando a polícia e dizendo nomes de patrocinadores como uma loja que já não existe mais, a “Tio Corrêa” – nessa hora me me senti velho viu? (rsrs).

No show de sábado uma fã levou até um saco de mamãe sacode para a plateia daí na hora que ele gritou “mamãe sacode pra cima !!” foi aquele teletransporte instantâneo.

Mas como não poderia deixar de ser entre uma música e outra, na mesa de bons baianos, vem sempre uma discussão profunda. Um dos meus amigos, que é baixista, jogou a frase: “Olha a linha de baixo do Axé, olha a riqueza musical...”.

Aí a conversa meus amigos, foi longe, e não daria para escrever toda aqui. Então para resumir, com a confissão de que todos na mesa se assumem como saudosistas em relação à música baiana das décadas de 80 e 90, ouvir o show de Axé das antigas de Bohana nos fez concluir que, talvez, não seja só saudade em relação à nossa música... seja tristeza mesmo.