Saúde

Exercícios físicos conseguem barrar o avanço do Alzheimer

Hormônio irisina, liberado durante o exercício físico, pode prevenir também a perda de memória

Foto: Pixabay
 Alzheimer
Estigma e falta de informação são considerados obstáculos na luta contra o Alzheimer

Dados divulgados pela Alzheimer’s Disease International e pela Associação Brasileira de Alzheimer – ABRAz, estimam que a cada três segundos alguém desenvolve demência no mundo, o que implica em mais de 9,9 milhões de novos casos a cada ano.

As estimativas também apontam que há cerca de 50 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo, e esse índice deverá aumentar para 152 milhões em 2050, se estratégias efetivas de redução de risco não forem implementadas.

Estigma e falta de informação são considerados obstáculos à implementação das estratégias de redução de risco e às mudanças que se tornam cada dia mais necessárias, já que as doenças que causam demência irão afetar mais e mais pessoas à medida que os anos passam.

Mas as boas notícias chegam de vários setores da Medicina indicando as melhores formas de se lidar com o Alzheimer e outras doenças que causam demência.

Cientistas das Universidades Federal do Rio de Janeiro e da Columbia (Estados Unidos) em estudo com ratos, demonstram que quando o corpo se exercita, o tecido muscular libera o hormônio irisina, que entra em circulação no organismo e é capaz de melhorar a capacidade cognitiva.

Assim, o hormônio irisina, que o corpo libera em maiores quantidades durante a prática de exercício físico, pode prevenir a perda de memória relacionada ao Alzheimer e pode deter a progressão da doença.

Os cientistas destacaram que a descoberta pode abrir o caminho rumo a novas estratégias terapêuticas que sirvam para mitigar a deterioração cognitiva em pacientes com Alzheimer, uma doença que não tem cura. A pesquisa foi publicada na revista Nature Medicine.

Na Rede Fluir, que tem um corpo de fisioterapeutas com formação que os prepara também para o atendimento a pessoas com doenças incapacitantes, é   desenvolvido um trabalho específico para esse perfil de pacientes.

O fisioterapeuta Jerônimo Pereira explica que para estimular o cognitivo são utilizados exercícios e atividades terapêuticas que buscam preservar ou melhorar o desempenho de domínios como memória, atenção, raciocínio e funções.

“Os exercícios realizados na água oferecem um ambiente mais seguro para os idosos em relação à prevenções de lesões e risco de quedas”, explica ele, que aponta que é possível também lançar mão de outros diversos recursos nos estúdios de musculação, com pilates, mas “adaptando os exercícios a  cada cliente, especificando de acordo com sua necessidade e seguindo os objetivos de curto e médio prazos”, conclui.

Benefícios dos exercícios e da fisioterapia no tratamento Alzheimer

-- Evita as quedas que podem causar muitos problemas como fraturas
-- Evita dor nos ossos, tendões e músculos
-- Ajuda o indivíduo a manter a autonomia e a mobilidade
-- Evita a atrofia dos músculos
-- Permite uma boa amplitude das articulações

Exercícios para cada fase do Alzheimer

A Associação Brasileira de Alzheimer – ABRAz chama a atenção para a necessidade de reconhecer que existem diferentes fases no curso da doença. “Uma pessoa com demência em fase inicial será capaz de realizar várias atividades com e sem ajuda, por anos; a pessoa com demência na fase moderada irá requerer maior orientação e apoio; enquanto a pessoa na fase grave precisará de cuidado total e amor”, declara o documento  da ABRAz.

Assim, a indicação é de que a fisioterapia para Alzheimer e outras doenças que causam demência, seja realizada de duas a três vezes por semana em pacientes que se encontram numa fase inicial da doença e, que apresentam sintomas como dificuldade em andar ou equilibrar. Isso ajuda a retardar o avançar da doença e mantém a autonomia do doente por um maior período de tempo. Já na fase avançada, especialmente se o paciente estiver acamado, é importante fazer fisioterapia diariamente para evitar a atrofia muscular e manter a amplitude das articulações.

Alzheimer inicial - Na fase inicial devem ser realizados exercícios aeróbicos, de força, equilíbrio e coordenação, como caminhada, caminhada progressiva, bicicleta, corrida, natação, hidroginástica, musculação e pilates.

Alzheimer intermédio - Os exercícios podem ser realizados em casa e devem ser de fácil compreensão. Exemplos são andar ou dançar, andar de lado em circuito, colocar uma bola de plástico em cima da cabeça e tentar equilibrar, ficar num pé só, treinar o escovar os dentes e pentear o seu próprio cabelo e do cuidador, fechar os botões da camisa ou blusa, levantar pesos leves com os braços, fazer agachamento encostado na parede, prancha abdominal com apoio dos joelhos no chão e ponte abdominal. 

Alzheimer avançado - Se a pessoa estiver acamada ou com dificuldade de se equilibrar é necessário fazer fisioterapia todos os dias, com exercícios simples de fortalecimento e alongamento, pedindo sempre que possível colaboração do paciente.