Moda

Hoje é dia de Bazá Rozê

Na Aliança Francesa, das 14h30 às 20h30, com entrada gratuita

Foto: Divulgação
BaZá RoZê
O BaZá RoZê nasceu inspirado pelas propostas e ideais feministas da Casa Rosada, nos Barris

Produzir arte feminista ao lado de pessoas de todos os gêneros e das mais variadas idades reunindo moda, arte e gastronomia. Esse é o principal objetivo do BaZá RoZê - primeira feira artística feminista de SSA -, que há um ano vem unindo um grupo de empreendedores, na maioria mulheres-, com o objetivo de reforçar o fazer artístico com inclusão, diversidade e empoderamento feminino.

Nesse período o grupo que funciona com 50 a 100 pessoas a depender da edição, e cerca de 50 marcas de produtos, se juntou para fazer arte feminista, ou melhor, para entender que os produtos artesanais e artísticos que criavam dentro de seus lares/ateliês/garagens poderiam ser mais que um empreendimento feminino, e sim, serem reconhecidos como arte feminista desde a cocriações de artesanato, pintura, design, paisagismo, vestuário, joias, cosméticos, comida, etc.

De acordo com a produtora cultural, jornalista e idealizadora do BaZá, Brenda Medeiros, o encontro RoZê surge num período de muita resistência no país aflorando mais o potencial criativo de muitos artistas e daí a importância de pensar em trabalhar novas estratégias de produção e divulgação nas redes sociais, além da necessidade de vincular o ato de empreender ao feminismo no cotidiano de muitas artesãs.

 Elas dividem seu tempo com a organização do lar, com a responsabilidade dos filhos e fazem a gestão do negócio dividindo, muitas vezes, o mesmo espaço físico entre as atividades domésticas e o trabalho de criação. “As profissionais autônomas que já estão no mercado informal há anos e outras que estão chegando agora começaram a entender que produzir arte/artesanato/moda é uma atitude revolucionária para sobreviver e para quebrar preconceitos”, ressalta Medeiros.

O tema ‘mulher empreendedora’ nos dias de hoje, principalmente nas redes sociais, é assunto revelante e de alta tendência. Mas o que muitos não sabem é quais são os verdadeiros conflitos que o empreendedorismo feminino enfrenta no dia a dia para tornar possível a realização seja de um sonho ou apenas da manutenção de um lar e de como enfrentar jornada múltipla, preconceitos, falta de incentivo... 

As questões sociais, de gênero, de educação são pautas constantes nos espaços favorecidos pelos encontros do BaZá RoZê... Seja durante o evento ou nas reuniões de produção existem momentos de trocas de ideias, sororidade e acolhimento em busca de um bem-estar favorável para todos e todas proporcionando o network afetivo e ações que possam despertar um consumo consciente.

No RoZê os perfis das expositoras e expositores são múltiplos...algumas lutam para  transpor barreiras de preconceitos por sua identidade de gênero e raça, outras se encontram no auge da maturidade e sabem que, por não seres jovens, empreender vira um ato necessário. Tem também aqueles que precisam ter a chance de criar e recriar o mundo à sua volta para explorar o melhor do seu potencial.

De acordo com Carla Carvalho, da Angu Cozinha de Casa (culinária regional) fazer parte do RoZê é “conexão genuína, construtiva e colaborativa. Aqui vivencio pluralidade de forma leve e acessível e isso ajuda muito a impulsionar meu negócio”. Segundo Lívia Ribeiro, que representa a Yumpi Lumpi (marca infantil sem gênero), “dentro do RoZê me sinto acolhida e a cada edição que participo percebo que o caminho mais forte da transformação social é na coletividade.

Nesse encontro afetivo e artístico, como o evento é carinhosamente chamado pelos participantes, as costureiras repaginam tecidos africanos em moda com etnia ou reaproveitando lonas para surgirem bolsas e necessaires, as designers reutilizam sementes para fazerem joias e bijuterias, as alquimistas manuseiam plantas e essências para transformarem em cosméticos naturais, a consciência alimentar surge através da comida regional ou da culinária de viagem e até mesmo é possível fazer o resgate da ancestralidade com aproveitamento de receitas da vovó... sem esquecer da inspiração nas brincadeiras de crianças que viram jogos educativos para a meninada ou camisetas com mensagens conceituais. BaZá RoZê é tudo isso. É bem mais que uma feirinha - É ATITUDE!!!!

Como surgiu o BaZá RoZê - inspiração 

O BaZá RoZê nasceu inspirado pelas propostas e ideais feministas da Casa Rosada, nos Barris. Agora alçou voo em busca de espalhar sementes em vários cantos da cidade. Desde julho ocupa a Aliança Francesa, parceira que recebeu o coletivo RoZê de braços abertos, comungando da ideia: semear pra colher delicadezas... por que dentro desse universo feminino muitas mulheres – manas, minas, monas - ainda precisam e devem ter acesso pleno aos direitos fundamentais. O RoZê é um empreendedorismo sociocriativo que impulsiona a cultura regional, promovendo a transformação pessoal com foco no propósito e na interconecção coletiva. 

PROGRAMAÇÃO

MÚSICA

DJ de Frete - Ana Carmo e Rariú (14h30 às 17h30)

Duo instrumental Luizinho Assis e Matias Traut (18h às 20h)

INFÂNCIA ROZÊ (14h30 ÀS 20h30)

Jogos Educativos (jogos e tabuleiro gigantes)

Carro Cultural Tapuraí ( curiosidades e brincadeiras)

Pintura Indígena – Arte Tupirinã dos povos Tupinambá e Apurinã

FEIRA DO LIVRO

Aliança Francesa/Instituto Goethe/Instituto Cervantes – Eunic

Bate-Papo – A Palavra Feminina (16h)

. Fabiana Lima - integrante do grupo Resistência Poética e idealizadora do Slam Das Minas-BA. @negafya @slamdasminasba

. Katia Borges - jornalista, escritora e curadora da Flica (Festival Literário de Cachoeira).@katiaborgessa

. Luciany Aparecida - professora e escritora @lucianyaparecida

. Goli Guerreiro - antropóloga – mediação.