Ciência / Saúde

Esclerose Múltipla pode ser tratada com medicamento à base de maconha

A doença faz com que as células saudáveis do corpo sejam confundidas com invasores

Foto: Pixabay/Creative Commons
Cadeira de Rodas
Em alguns casos, a Esclerose Múltipla causa paralisia nas pernas, reduzindo a mobilidade da pessoa

A Esclerose Múltipla (EM)  é uma condição que afeta o cérebro, os nervos ópticos e a medula espinhal, causando inflamação e destruição da camada protetora das fibras nervosas. Esta condição atinge pessoas de 20 a 40 anos e é mais comum na população dos países nórdicos e nas mulheres. O histórico familiar também aumenta as chances de aparecimento da doença.

A EM faz com que as células saudáveis do corpo sejam confundidas com invasores, desta forma o sistema imunológico age para eliminá-las. Apesar de ser uma doença autoimune e sem cura, existem tratamentos para melhorar a rotina dos pacientes que conviverão com os sintomas decorrentes desse problema por toda a vida.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são disfunções sensoriais e motoras, tais como espasmos musculares, fraqueza crônica e paralisia nas pernas, aparecendo em 40 e 39% dos casos, respectivamente, além de visão turva, falta de equilíbrio e problemas de cognição.  Estes também podem variar, uma vez que nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas, o que dificulta o diagnóstico preciso de forma rápida.

Já a espasticidade (contração involuntária e excessiva dos músculos) é o problema mais comum entre os diagnosticados com EM. No Brasil existem cerca de 35 mil pessoas diagnosticadas com a doença, e 84% dessas poderão sofrer com a espasticidade, o que acarreta em grandes reduções da mobilidade. 

A EM tem efeitos devastadores em todas as áreas da vida dos pacientes, principalmente por ser uma doença agressiva que, em casos mais complexos, impede relações sociais e tira a independência de quem é diagnosticado. Centros urbanos não adaptados e uma sociedade não preparada para lidar com estas limitações dificultam ainda mais a vida dos pacientes.

Tratamento 

A doença não tem cura,  no entanto, existem tratamentos que evitam a progressão da doença por meio do controle das crises. Tudo é feito com acompanhamento constante e varia em cada caso e estágio em que a enfermidade se encontra. Consultas regulares ao médico neurologista é rotina frequente na vida dos pacientes.

Os tratamentos contra a espasticidade incluem o uso de bloqueadores nervosos, toxina botulínica e sedativos, sejam injetados diretamente no músculo ou por medicação oral. Os pacientes que não demonstram estabilidade da espasticidade podem ser submetidos à novos tratamentos.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou o primeiro medicamento à base de canabinoides (derivado da Cannabis Sativa) contra a espasticidade. Indicado como tratamento para melhoria dos sintomas de pacientes adultos com espasticidade devido à esclerose múltipla que não responderam adequadamente a outra medicação antiespástica.