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Masculinidades negras e autora nigeriana são destaques na Flipelô

Foto: Antônio Muniz
15 escritores na Flipelô
Um grupo de 15 poetas se reuniu após 15 anos do primeiro encontro

Enquanto livros eram lançados, leituras dramáticas feitas, no fim da tarde do terceiro dia de Flipelô, na Casa do Benin, acontecia a Roda de Conversa - Masculinidades Negras, Ficções e Realidades. A conversa foi mediada pelo escritor baiano Vagner Amaro, que leu um trecho de seu livro 'ELES: Contos' para finalizar a roda, o livro trata sobre masculinidade.

O ativista Homem, Transsexual e Negro, João Hugo, participou da roda de conversa e chamou atenção para o fato de estar em um ambiente com bastante visibilidade, discutindo um assunto pouco discutido entre os homens, "é muito importante partilhar o que eu vivo, enquanto homem trans preto e gratificanto por estar vivendo a experiência da Flipelô pela primeira vez e ser em uma roda de conversa sobre um tema tão necessário"

O professor Alessandro Barreto, que estava acompanhando por 3 alunos, disse ter ido à roda de conversa pois o tema chamou atenção. "Ainda é pouco discutida a masculinidade com os homens, é um mundo esquecido. O diálogo sempre é bom para o entender o masculino" e encerrou notando que tinham poucos homens na plateia.

A Casa do Benin e a Casa de Castro Alves são pontos um pouco distantes do centro do evento, ficam praticamento no lado oposto a centro da festa literária e, com isso, percebe-se o quanto a Flipelô é grande e conta com uma programação diversa.

Literatura de cordel

A oficina de investigação poética e literatura de cordel com o poeta, cordelista e cantador pernambucano Maviael Melo aconteceu na Casa de Castro Alves na tarde do terceiro dia de Flipelô. A oficina começa desde a compreensão do cordel e tem como proposta final a produção literária.

Segundo o poeta Maviael Melo, que aplica a oficina em outros lugares, "a produção de cordel tem algumas regras que não podemos fugir, como a rima e a métrica", ainda comentou "a homenagem ao grande poeta Castro Alves é muito justa e eu fico muito feliz em ver a presença de novos poetas na programação da festa, quanto mais poesia, mais leveza, porque a arte educa, a arte resiste e a arte pode salvar".

A oficina teve inscrições prévias, mas a produção recebeu  pessoas que chegaram sem inscrição e isso fez com que todos os lugares fossem ocupados.

O evento fez parte também de uma ocupação na Casa de Castro Alves, que é um projeto da AZ4 consultorias, uma empresa de quatro mulheres: Rosana Viana, Adriana Oliveira, Andréa Ventura e Suzy Xavier. Para finalizar a oficina nessa sexta (09), Maviael Melo, Carlos Vilella e Celo Costa apresentam um trecho do show Rios e Cantos.

Nigeriana

Oyinkan BraithwaiteA escritora nigeriana Oyinkan Braithwaite conta que em pesquisas descobriu particularidades da aranha Viúva Negra e escreveu dois poemas o que tempos depois foi inspiração para o livro Minha Irmã Serial Killer.

Em tom bem humorado o livro sugere reflexões sobre o comportamento humano.

Ainda no terceiro dia de festa um grupo de 15 poetas se reuniu após 15 anos do primeiro encontro, em 2004, para declamar suas poesias. Entre eles Wladmir Queiroz, que também se inspirou na vida dos insetos, no caso dele uma fila de formigas, para escrever "Marcha", que faz um paralelo com a humanidade.

O poeta baiano José Inácio Vieira de Melo, um dos curadores de poesia do evento, recebeu convidados e dividiu a declamação de seus poemas. 

Um dos convidados, Douglas de Almeida, disse que expressar em fala é dar a vida  aprisionada no poeta.

Representante dos povos originários Márcia Cambeba também estava entre os convidados. Em um trecho de seus poemas, diz: "Posso ser como você, sem deixar a essência que sou..."

O poeta Juvenal Paiaia fez uma prévia de sua que aconteceu no mesmo dia. Ele luta pelo resgate e preservação da memória do povo Paiaiá.