Cinema

Velozes e Furiosos é um repeteco que funciona (entenda por que)

O exagero existe, é feito e é real

Foto: Divulgação
Cena de Velozes e Furiosos
Cena de Velozes e Furiosos

Estamos em 2019 e o cinema de ação sempre esteve aí: faturando e faturando e trazendo histórias que, sério, beiram um pouco o surreal e trazem algumas cenas meio que impossíveis. Mas é um gênero que atinge uma boa quantidade de espectadores e esse “exagero” nada mais é do que um tempero a mais.

Um dos motivos da longevidade de Velozes & Furiosos é justamente essa percepção de que o exagero existe, é feito e é real, tanto que rola ali, no meio do filme, em live action. E o derivado Hobbs & Shaw não a nega. Na sua tentativa de declarar independência da franquia original como uma franquia paralela, - longe de Vin Diesel - Dwayne “The Rock” Johnson repete e aumenta o que funciona muito bem e que pode até ser considerada uma evolução dos primeiros filmes de Velozes & Furiosos: no início, nenhum deles, repetindo, no início, com ênfase no início, tinham tantas cenas impossíveis, de carros atravessando prédios e subir rampas estreitas sem ao menos arranhar o carro... e exemplo é o que não falta.

Por isso, em se tratando de ação... ação mesmo... Hobbs & Shaw se aproxima de Velozes & Furiosos 8. Não somente na duração, mas na movimentação frenética das câmeras e cortes sucessivos e, infelizmente, nas justificativas delas acontecerem, assim como as motivações dos vilões que sempre culminam na destruição do mundo.

E o que é que prende o espectador nesse tipo de filme? A resposta é simples: a inovação nas cenas. Repetir cenas e reaproveitá-las ao estilo Michael Bay, pode ser um tiro no pé, mas repensar as construções de cena é um fator importantíssimo para que a franquia continue atraente aos olhos do público ávido por tanta adrenalina.

Jason Statham e The Rock possuem uma química interessante, o que torna o filme também voltado para uma comédia de ação. Mas além da comédia e da ação, outros gêneros são vistos aqui: temática de assalto, traições, suspense, drama familiar (de cada personagem) e, o melhor de tudo, há improviso, principalmente na comédia e nos insultos que um profere contra o outro. Inclusive as participações especiais que podem pegar o espectador de surpresa (de nomes fortes de Hollywood que parecem prontos para ingressar na franquia daqui em diante como Kevin Hart) jogam essencialmente em cima da chave cômica.

O resultado é um filme que leva ao limite a ideia de que seus protagonistas são astros de filme de ação e não dá pra pensar em ver esses caras em um filme de drama, por exemplo, ou uma comédia pura, enfim...

The Rock e Statham nasceram pra serem os “brucutus”, só isso... mas vale a pena.