Música

Natura Musical apresenta "Rebujo", novo disco de Dona Onete

O projeto foi selecionado pelo Natura Musical por meio do edital 2015

Foto: Divulgação

Comemorando 80 anos em 2019, Dona Onete é uma mulher inconformada. Sempre foi. Nasceu no interior do interior do Pará. Quis a vida que fosse professora. O destino havia lhe reservado o comum. Ela, alheia à frivolidade que a aguardava, foi voar quando a maioria de nós se deita e espera o fim dos dias. Ganhou o mundo com a sua música. “A rainha do carimbó”, aclamaram-na. Mas não basta. Ela não se conforma. Daí vem “Rebujo” (Natura Musical/Amplidiversão) do fundo do seu imaginário poético e que subverte toda sua musicalidade.

Tem carimbó? Tem. Tem banguê? Tem. Tem bolero. Tem. É só isso? Não. E não há pretensão em querer classificá-lo, porque é uma obra viva, experimental. A sonoridade regional é extrapolada. Todos os elementos estão ali, mas não estão. É de uma simplicidade primorosa. É acertadamente impreciso. Não dá para ver, mas está posto o que precisa ser visto. Sentido.

“Rebujo” é matéria que está nas profundezas dos rios, misturada, amorfa, diversa e que vêm à superfície com efervescência. Ebulição. Remexendo tudo. E assim vieram à tona as 11 músicas que compõem o disco, todas do âmago de Dona Onete. Partes indissociáveis do seu corpo, da sua alma, da sua história. Letra e melodia nascem juntas e uma não existe sem a outra. Elas foram entregues a uma banda experiente e sensível, que é o motor da sua estética sonora. A produção musical é de Pio Lobato (guitarra e banjo), JP Cavalcante (percussão), Vovô Batera e Geraldinho Magalhães, que também assina a direção artística. A produção executiva ficou a cargo de Marcel Arede e Viviane Chaves. Marcos Sarrazin, sopros e teclado, e Breno Oliveira, contrabaixo, completam o time de notáveis que materializam as viagens musicais de Onete.

Cada música tem variações de ritmos conduzidas pela bateria e coloridas pela percussão. A presença do contrabaixo bem marcado lembra o modo como os carimbós eram gravados nos anos 70. Guitarras distorcidas floreiam algumas músicas. Nas letras, a força e a poesia imagética de Onete estão impregnadas da sacanagem do Ver-o-Peso, dos animais e plantas da floresta amazônica, do linguajar caboclo, de diversos tons de pele. “Mexe Mexe”, faixa que abre o álbum, é um banguê com uma pegada funk e maculelê. “Vem Chamegar” é uma cumbia cabocla. “Ação e reação” era um bolero que virou um brega, o primeiro gravado por Dona Onete. Há ainda o samba “Musa da Babilônia”, inspirado numa cena do Rio de Janeiro e que contou com participação luxuosa de BNegão.

Dona Onete inaugura um novo caminho na tradição que ela mesma inventou. Atira para todos os lados, mas em uma única direção: a cultura paraense. Uma explosão de ritmos que estavam escondidos dentro dela foram descortinados. Inconformada por chegar aos 80, Onete nasceu de novo, mais pop, mais popular. Ela é o próprio rebujo.

O projeto foi selecionado pelo Natura Musical por meio do edital 2015 com o apoio da Lei Semear. “Os curadores de Natura Musical selecionaram o projeto de Dona Onete por entenderem o legado que a obra dela constrói para a cultura musical do país”, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura. Desde 2012, o edital já ofereceu recursos para 31 projetos no Pará, como Felipe Cordeiro, Lia Sophia, Aíla, Mestre Solano e Sebastião Tapajós”, complementa.

Para o lançamento, a cantora estreia o novo show em Belém, no Porto Music, no dia 25 de maio, e segue para o Cine Joia, em São Paulo, no dia 07 de junho. No Rio de Janeiro, a apresentação será no Circo Voador, no dia 08 de junho.