Cinema

Aladdin e Hellboy: uma esperança de bom filme e um que deu errado

Será que há uma falta de criatividade, na sétima arte?

Will Smith no papel do Gênio
Will Smith no papel do Gênio

Aladdin estreia nesta quarta-feira (22/5), nos cinemas de todo o país.

O filme da animação clássica da Disney conta em seu elenco com Will Smith no papel do Gênio, que foi interpretado por Robbie Williams na animação.

Se Smith mantiver a mesma “animação” e energia posta por Williams em sua interpretação em 1992, teremos um senhor Djin. É claro que, animação e atuação real não é a mesma coisa... mas sabemos o que a computação gráfica e os efeitos especiais podem fazer.

O cinema tem várias caras: documentário, drama, comédia, super heróis, ação, violência, musicais... live action – interações entre atores reais e, claro, as animações.

Mas a sétima arte parece mergulhada na crise dos reboots. Será que há uma falta de criatividade?

No momento acontece mesmo uma falta de originalidade no cinema, onde até mesmo essas obras originais e diferenciadas se não tiverem um bom orçamento, acabam se tornando uma aposta, um tiro no escuro, e a probabilidade de sair algo ruim é gigantesca.

Entenda a diferença

Remake (ou refazer) é uma refilmagem com novo elenco e modernização visual e de gravação, mas mantendo o formato da obra original

Reboot (reinício) leva o filme a começar do zero, com nova história, sem se basear em títulos já exibidos

A Disney também está nesse bolo. Ela já errou muito em filmes que deram mais prejuízo do que lucro, como “John Carter: Entre Dois Mundos” (John Carter, 2012) – custou U$ 300 milhões e faturou U$ 282 milhões, deu um prejuízo de mais de U$ 200 milhões - e o filme baseado na série de sucesso dos anos 40 “O Cavaleiro Solitário” (The Lone Ranger, 2013) – custou U$ 215 milhões mais 175 milhões em marketing, não chegou nem perto de “se pagar” – e no momento desses reboots a Disney mostra, mais uma vez, que não desiste.

Não haverá, por enquanto nenhuma continuação dessas duas películas, mas a sua habilidade em produzir clássicos ainda pulsa: ela agora vai transpor suas belas animações ao mundo do live action, com atores reais, ou um CG caprichado (Computação Gráfica).

Aladdin foi uma animação produzida pela Disney em 1992 e contou as aventuras do herói que dá nome ao título, que liberta um gênio, se apaixona pela filha do sultão e luta contra o vilão Grão-Vizir, o infame Jafar.

No filme, a fórmula é a mesma: a mesma história, muita música, muita aventura, mas guardadas as devidas proporções, e com a evolução da tecnologia, dá para se fazer muito mais. Investir em efeitos especiais pra mergulhar ainda mais o espectador na história, já é um exemplo que separa a animação do filme com atores reais.

Veja o trailer de Aladdin

Tudo está mais caro, é verdade. O investimento atinge proporções altíssimas e isso chega até mesmo no figurino, que já reforça o conceito “das arábias” enquanto que a simplicidade da animação – simplicidade do traço, vejam bem, apenas deixaria a animação mais cara e seu orçamento explodiria, e o tempo de produção ia quintuplicar – a deixava mais fluida e bonita aos olhos dos cinéfilos.

Um filme dos infernos

Nesse “boom” de reboots, a gente se pergunta porque um filme que já era bom, é refeito, não é? Hellboy é um bom exemplo disso.


Hellboy: deu errado

Guillermo Del Toro trouxe às telonas esse herói que não compartilha da vitrine dos grandes que acompanhamos ao longo dos anos. É um herói diferente que foi adotado por um humano e hoje ele luta contra as forças que vem do seu próprio mundo: o inferno.

A questão aqui é: se foram feitos dois bons filmes em 2004 (Hellboy) e em 2008 (Hellboy e o Exército Dourado), com Guillermo Del Toro na direção, pra que e porque fazer mais um? E um reboot, ainda por cima?

Bom, justificativas brotam na nossa cabeça: orçamento é a primeira delas... um terceiro filme dirigido pelo mexicano sairia mais caro para pagar tanto o elenco quanto toda a equipe de produção.

Outra possibilidade é a disponibilidade do elenco principal, ou a tal “boa vontade” em voltar para um terceiro filme. Se os primeiros dois fizeram sucesso, não haveria razão para não fazer um terceiro.

O problema é que o filme tinha tudo para dar certo, só que não.

Ian McShane (John Wick 3 - Parabellum) faz o papel de Professor Broom no lugar de John Hurt (dos primeiros dois filmes) e a escolha seria perfeita se David Harbor (o Hellboy, da série Stranger Things) e McShane tivessem alguma química na tela. Não tem.

McShane está lá só para explicar as situações e passar para o espectador todas as informações possíveis e imaginadas e pouca atuação, além de comandar um grupo paramilitar determinado a exterminar criaturas do oculto, enquanto Hellboy age como uma criança mimada, daquelas bem chatinhas e mal educadas.

O personagem principal, infelizmente acaba sendo uma criatura tão secundária a ponto de se tornar patético, que foca demais nos problemas de relacionamento com seu pai e em sua crise por ser uma criatura de outro mundo forçada a caçar outras criaturas similares e esquece do resto do enredo do filme.

Milla Jovovich (Resident Evil) está no filme como a vilá Rainha de Sangue, caricata, que até tenta ser humanizada na tela, o roteiro e atuação não ajudam.

A história em si tenta ser mais fiel aos quadrinhos do que os filmes de Del Toro e mistura diversos enredos que os leitores provavelmente reconhecerão, mas o resultado é uma salada de ideias, sem muita conexão, lógica ou carisma.

Muito do que é visto nesse longa já foi visto nos dois anteriores de Del Toro. É reboot que fala, né?

A história é caótica, não tem condução narrativa, não tem graça, o diretor usa e abusa de efeitos práticos, o que é bom, mas não ajudou muito. Mas o CGI, ah, o CGI... não há nada a se comentar (CGI é a sigla em inglês de imagens geradas por computador. São efeitos inseridos em estúdio e não gravados por uma câmera).

A trilha sonora é tão aleatória que parece que tem samba e heavy metal na mesma lista.

A verdade é que o personagem chegou aos cinemas graças a Del Toro, mas não teve uma arrecadação satisfatória, cancelando prematuramente os planos do diretor para uma trilogia.

Veja o trailer de Hellboy

Pouco mais de dez anos depois esse filme é reboot que desperdiça o bom momento das produções que se baseiam em histórias em quadrinhos. A narrativa não é a mesma... o personagem pode ser um pouco diferente... o elenco não ajuda, a história é confusa... enfim, isso tudo é um espelho dos horários do filme em cartaz nos cinemas de todo o país.

Poucos horários disponíveis. Lamentável. Um reboot desnecessário.