Educação / Palco

Influências do Candomblé na Capoeira são discutidas em Terreiro

O Ganzua Mugambo Munogunzo, na Rua Direta do Arraial do Retiro, recebe o evento

Foto: Divulgação

Ao longo de três dias, o evento ‘A benção aos meus mais velhos, respeito a matriz africana: princípios do Candomblé Angola como fundamentos da Capoeira’ irá promover discussões e debates sobre as influências do Candomblé na Capoeira, no Terreiro Ganzua Mugambo Munogunzo, na Rua Direta do Arraial do Retiro.

Considerada como jogo, luta e dança, a capoeira é uma manifestação cultural criada pelos negros escravizados no Brasil, que agrega diferentes vertentes artísticas, como a dança, a música, a simbologia dos movimentos de defesa e ataque e a própria religiosidade.

Financiado pelo edital Capoeira Viva Ano II – da Fundação Gregório de Matos (FGM) em parceria com a Prefeitura Municipal de Salvador, o evento tem como proposta demonstrar, através de roda de conversa e oficinas, quais elementos da Capoeira estão associados ao Candomblé, em especial do Candomblé de Angola.

Para a organizadora e formada na Capoeira Márcia Andrade (Passarinho), o objetivo não é difundir uma crença religiosa obrigatória aos capoeiristas, mas ressaltar que a capoeira é uma arte corporal que foi influenciada pelos ritos, costumes e cultura de quem a criou.

“Nenhum capoeirista é obrigado a seguir uma religião A ou B, mas deve respeitar a origem daquilo que pratica”, ressalta.

O evento será realizado ao longo de três dias: 24, 25 e 26 de maio. No primeiro dia será realizada uma roda de conversa no terreiro “Ganzua Mugambo Munogunzo”, com a participação de mestres de capoeira com responsabilidades em terreiro para discutir o tema “Capoeira e candomblé: ritos de uma valorização antiga”, trazendo a relação dos símbolos do candomblé utilizados na capoeira que podem ser verificados na ginga e nas cantigas, por exemplo.

Em seguida, os participantes terão a oportunidade de experimentar de forma prática essa relação através de uma roda de capoeira aberta à comunidade.

Já no dia 25 de maio, os participantes irão vivenciar os movimentos dos Caboclos historicamente assimilados ao jogo da capoeira, através de oficinas de percussão e dança.

O objetivo é apresentar as cantigas que sofreram alterações ao longo dos anos, mas têm suas origens enraizadas nas músicas entoadas por Caboclos.

A parte corporal apresentará as movimentações de Caboclo com origem nas manifestações religiosas e culturais do Candomblé, ressaltando os fundamentos como construções históricas que independem da relação religiosa do praticante. As oficinas ocorrerão no horto florestal do Cabula, em frente ao Candomblé Ilê Axé Alaketu Ogunjarie Mim.

Para marcar o último dia do ‘Respeito às matrizes africanas’ uma caminhada pelo bairro Arraial do Retiro e Conjunto ACM firmará a junção dos povos de Angola com os capoeiristas em uma celebração pela valorização da cultura de matriz africana.

Nela serão entoadas cantigas pelo grupo percussivo Mãos no Couro, acompanhado por atabaques e pandeiros.