Brasil / Segurança

Atiradores que causaram massacre em escola paulista são identificados

O caso ocorreu por volta das 9h30, durante um intervalo das aulas

Foto: Reprodução
Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro
Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro

O ataque aconteceu manhã desta quarta-feira (13/3) na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. O colégio fica na Rua Otávio Miguel da Silva, perto da estação de trem Suzano, da linha 11-Coral da CPTM - Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

2 atiradores, ex-alunos da escola  - Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos - invadiram o colégio e fizeram disparos. 

Castro completaria 26 anos no próximo sábado (16).

A PM registrou a morte de 5 alunos, 2 funcionárias, além dos 2 autores dos disparos, que se suicidaram e do tio de um deles.

Os mortos são:

-- Marilena Ferreira Vieira Umezo, coordenadora pedagógica
-- Eliana Regina de Oliveira Xavier, funcionária da escola
-- Pablo Henrique Rodrigues, aluno
-- Cleiton Antonio Ribeiro, aluno
-- Caio Oliveira, aluno
-- Samuel Melquíades Silva de Oliveira, aluno
-- João Vitor Ramos Lemos, aluno
-- Jorge Antonio de Moraes, comerciante, morto antes da entrada dos assassinos na escola

O caso ocorreu por volta das 9h30, durante um intervalo das aulas.

Eles chegaram em um carro modelo Onix, de cor branca, segundo a polícia alugado em uma agência de veículos.

Os atiradores estacionaram em frente à escola e se demoraram tirando sacolas do carro. Em seguida, entraram no prédio e fizeram mais de 20 disparos, de acordo com testemunhas.

A PM encontrou no local armas, arco e flecha, objetos que parecem ser coquetéis molotov e uma mala com fios.

Estudantes relataram que um dos atacantes carregava uma arma de fogo e o outro uma faca.

Segundo o Estado de SP, o coronel Fábio Pelegrini disse que os atiradores são ex-alunos da escola.

Comerciantes da rua viram estudantes pulando o muro da escola, na tentativa de escapar aos ataques. Outros alunos correram para casas vizinhas.

O governador de São Paulo, João Doria, chegou ao local em um helicóptero, acompanhado do secretário Estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, do secretário de Segurança, general João Camilo Pires de Campos, e do comandante da PM, o coronel Salles. 

23 pessoas, incluindo feridos e outras que passaram mal após o tiroteio, foram enviadas para as seguintes unidades de saúde: Hospital Santa Maria (9), Santa Casa (3), Hospital Luzia de Pinho Mello (2), Hospital Santana (2), Hospital Santa Marcelina (5), Hospital das Clínicas (2).

Em nota, a Prefeitura de Suzano informou que o Pronto Socorro Municipal recebeu crianças com ferimentos leves e os feridos com maior gravidade foram encaminhados ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, e ao Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba.

O socorro foi feito por 6 unidades de resgate do Corpo de Bombeiros, 3 do Samu, 2 de suporte avançado e 2 helicópteros.

A PM enviou uma equipe especializada em explosivos, porque foram encontrados objetos parecidos com bombas.

Um gabinete de crise foi montado na quadra da escola.

A Escola Estadual Raul Brasil tem 105 funcionários e possui 358 alunos da segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e 693 estudantes do ensino médio, de acordo com informações do Censo Escolar.


Escola Raul Brasil

O País registra ao menos 7 casos similares ao da cidade paulista de Suzano, um deles em Salvador, em 2002, quando um adolescente de 17 anos matou 2 colegas dentro da sala de aula, no colégio particular Sigma, na orla da cidade, e foi preso em flagrante.

Um crime parecido foi registrado em Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011, quando 11 crianças morreram e 13 ficaram feridas.

O caso mais recente ocorreu no Colégio Goyases, em Goiânia, quando adolescente de 14 anos assediado por bullying matou dois colegas de 13 anos e feriu outros com a arma da mãe, policial civil.

Em abril de 2012, um adolescente de 16 anos da cidade de Santa Rita (PB) atirou em três alunas quando tentava acertar um outro estudante.

Há registro de mortes de estudantes também por arma branca, como o assassinato por facada contra um adolescente por um colega de sala em uma escola rural em Corrente (PI).

Informações da PM e de testemunhas

O comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel Salles, disse que antes de entrar na escola um dos atiradores - Guilherme Monteiro - foi até uma loja de venda de veículos, perto do colégio, e que pertence a um tio, atirando no proprietário.

A vítima foi socorrida para a Santa Casa de Suzano.

Primeiro, eles atiraram em uma coordenadora pedagógica e em uma supervisora. Depois, se dirigiram ao pátio, onde atingiram 4 alunos de ensino médio.

Os dois atacantes usaram um revólver calibre 38 e uma besta - arma medieval que atira flechas - e se suicidaram em um dos corredores da escola.

A merendeira Silmara Cristina Silva de Moraes, de 54 anos, contou ao G1 que ajudou a esconder 50 estudantes na cozinha durante o ataque. Os funcionários fizeram barricada com geladeira e freezer. Uma mesa foi usada como escudo.

"Ficamos acuados em um canto só, se acontecesse alguma coisa ele ia pegar muita gente", disse.

De acordo com o coronel Salles, outro grupo de alunos se abrigou no centro de línguas.