Karina Nery

Tempo alemão: galochas, lágrimas e uma árvore jogada pela janela

...e os baianos que não saem do salto


Foto: pxhere/Creative Commons

Como aqui (na Alemanha) tem as 4 estações bem definidas, é esperado ter roupas apropriadas para o inverno, verão e aqueles períodos entre estações.

Mas o que me chama mesmo a atenção é a habilidade que o alemão tem de se vestir de forma apropriada para o dia, de acordo com a previsão do tempo. É mesmo impressionante. 

Eles são conhecidos por suas vestimentas funcionais. Se vai usar algo, que seja prático. Tipo assim: há sapatos para dias frios e há sapatos para dias frios com chuva. Há calças bonitas a prova d’água (para seu dia-a-dia) e há calças com um forro por dentro para aquecer.

Sem falar nos inúmeros apetrechos, acessórios... Tanto de segurança, como as faixas refletoras, quanto relacionadas ao tempo. E por falar nele, é importantíssimo checar sempre sua previsão para programar a roupa.

É também muito mais importante estar preparado do que na moda, uma coisa que eu acho meio difícil de se perceber por aqui...

E isso me fez pensar um pouco em quando chovia em Salvador... Aqui a gente impermeabiliza os sapatos, usa galochas, capas de chuva... Mas em Salvador eu percebo que pode “chover canivete”, mas as pessoas não saem do salto.

Janela abaixo

Aqui há uma tradição perigosa, depois do Natal, que contando ninguém acredita. Nem eu acreditava que existisse!

Algumas pessoas jogam suas árvores de Natal janela abaixo.

Daí, hoje, ao chegar em casa, me deparo com uma, caidinha no nosso jardim.

Chorando na primavera

Agora, em fevereiro, o termômetro daqui da esquina está batendo 20 graus! O sol brilha lindo lá fora e meu filho Ícaro tirou a jaqueta e veio dançando do caminho da escola até em casa. É a primavera chegando!

Mas, junto com ela, a alergia ao pólen, muito comum por aqui. A minha vizinha viu a felicidade de Ícaro, parando para ler os letreiros e cartazes até chegar em casa e veio, junto com a gente, conversando.

Falamos sobre o dia lindo que estava fazendo, conversa típica de quem vai saindo do inverno, e achei tão bonitinho quando ela me disse que tem alergia ao pólen, o que faz seus olhos lacrimejarem muito. Mas, logo em seguida, acrescentou: "mas é choro de felicidade".