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Jornalista Ricardo Boechat morre em queda de helicóptero em SP

Piloto e copiloto morreram carbonizados após a aeronave cair em rodovia

Foto: Estadão Conteúdo
Boechat era apresentador do Jornal da Band e da Rádio BandNews FM
Boechat era apresentador do Jornal da Band e da Rádio BandNews FM

O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero no Rodoanel no início da tarde desta segunda-feira, 11. A aeronave caiu no quilômetro 7 do Rodoanel, próximo ao acesso à Rodovia Anhanguera, na chegada a São Paulo, em cima de um caminhão.

O piloto Ronaldo Quattrucci também morreu e o motorista do caminhão foi socorrido pela concessionária da via.

Segundo o capitão Paiva, da Polícia Militar, a aeronave tentou pousar no acesso do Rodoanel com a Rodovia Anhanguera quando "um caminhão que havia acabado de passar pela praça de pedágio não teve tempo hábil de frear e colidiu com a aeronave ainda pousando".

"Preliminarmente entende-se que ele [caminhão] estava numa velocidade razoável para baixa porque havia acabado de passar pela praça de pedágio. Era uma faixa do sem parar, mas tinha seu limite de velocidade", disse o capitão.

A perícia do acidente é feito pela Polícia Técnica Científica e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da Rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ, e estava voltando de Campinas, onde tinha ido dar uma palestra.

No último texto publicado, na sexta-feira (8), sob o título "Acabou a Folia", ele falou sobre corrupção, a troca de poder no Senado e a tragédia de Brumadinho. 

Ele era casado pela segunda vez com Veruska Seibel, de 46 anos, e tinha duas filhas com ela: Valentina, 12, e Catarina, 10. Ele deixa outros quatro filhos: Bia, 40, Rafael, 38, Paula, 36, e Patricia, 29, frutos do casamento com Claudia Costa de Andrade.

Boechat ganhou três prêmios Esso, o maior do jornalismo brasileiro.

A confirmação da morte do jornalista veio da direção de jornalismo da Band ao jornal O Estado de S. Paulo. 

Os bombeiros informaram que 11 viaturas foram deslocadas para o local para o resgate.

O helicóptero, uma aeronave  Bell Jet Ranger, prefixo PT-HPG, fabricada em 1975, não era da emissora de televisão. Tinha capacidade para cinco lugares, estava com a declaração anual de inspeção de aviação válida até maio deste ano e com o certificado de aeronavegabilidade válido até maio de 2023.

Ele pertence à empresa RQ Serviços Aéreos Especializados, cuja sede fica no Tatuapé, zona leste, empresa com uma frota de quatro aeronaves especializada em filmagens, fotografias e reportagem.

“Eu vi o helicóptero baixo, com a hélice quase parando, rodando de um jeito estranho. O helicóptero bateu no caminhão e depois explodiu”, disse Orlando Vieira da Silva, de 30 anos, morador da comunidade Vila Sulinas, às margens da rodovia. 

“O helicóptero deu pelo menos uma volta antes de cair. Foi muito estranho. Depois, ouvi o estrondo . Fez muita fumaça”, disse o morador da comunidade Morro Doce, Anderson Donato, de 25 anos.

O jornalista da TV Band, José Luiz Datena, anunciou a morte do colega durante programação da emissora.

"Com profundo pesar, desses quase 50 anos de jornalismo, cabe a mim informar a vocês que o jornalista, amigo, pai de família, companheiro, que na última quarta, que eu vim aqui apresentar o jornal, me deu um beijo no rosto, fingido que ia cochichar alguma coisa, e, no fim, brincalhão como ele era, falou: “É, bocão, eu só queria te dar um beijo". Queria informar aos senhores que o maior âncora da televisão brasileira, o Ricardo Boechat, morreu hoje num acidente de helicóptero, no Rodoanel, aqui em São Paulo. Ele foi a Campinas fazer uma palestra e o helicóptero que ele estava não chegou ao seu destino, que era o heliporto da Band. Ele caiu no Rodoanel e bateu num caminhão e as pessoas, segundo informações iniciais, teriam morrido na hora".

Filho de diplomata, Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires. O pai estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores na Argentina.

Ao longo de uma carreira iniciada na década de 1970, esteve jornais como “O Globo”, “O Estado de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e “O Dia”. Na década de 1990, teve uma coluna diária no “Bom Dia Brasil”, na TV Globo.

Ele era o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se – e o único a ganhar em três categorias diferentes (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV). Em pesquisa do site Jornalistas & Cia em 2014, que listou cem profissionais do setor, Boechat foi eleito o jornalista mais admirado. Boechat lançou em 1998 o livro “Copacabana Palace – Um hotel e sua história” (DBA).

O presidente Jair Bolsonaro postou no Twitter uma mensagem de pesar:

O prefeito de São Paulo, João Doria, elogiou o jornalista. "Com o falecimento de Ricardo Boechat o Brasil perde um dos maiores jornalistas da sua história. Sua atuação diária demonstrava sensibilidade em defesa do interesse público e do jornalismo de qualidade. Toda a solidariedade a seus familiares, amigos e colegas da Rede Bandeirantes", declarou.

O ex-presidente Michel Temer também se manifestou.

O governador da Bahia, Rui Costa, disse ter recebido "com imenso pesar" a notícia da morte do jornalista e radialista Ricardo Boechat, segundo ele "uma das mais importantes referências do jornalismo brasileiro da atualidade".

Em nota no Facebook, Rui Costa disse que a morte do jornalista "representa uma perda não apenas para a família e para os amigos, mas para toda a sociedade brasileira, em razão do relevante papel que exercia no jornalismo brasileiro e na defesa do Estado Democrático de Direito". 

Boechat era torcedor do América-MG, que prestou homenagem ao jornalista.

Em nota oficial divulgada no início da tarde, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, afirmou que recebeu a notícia da morte do jornalista Ricardo Boechat "com consternação e tristeza". Ele prestou solidariedade à família e aos colegas de trabalho do “profissional reconhecido pelo trabalho e senso crítico aguçado revelado nos principais meios de comunicação do país”.

A Força Aérea Brasileira já abriu investigação para apurar as causas do acidente de helicóptero.

Em comunicado oficial, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) informou que o processo se encontra em fase inicial, com a perícia do local do acidente e a coleta de depoimentos.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse em nota que o helicóptero esta em situação regular. De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave estava com o Certificado de Aeronavegabilidade válido, bem como a Inspeção Anual de Manutenção.