Saúde

Confiar nas dicas do Dr. Google pode ser um perigo para a saúde

Estudo mostra que um verificador de sintomas on-line popular estava incorreto em 74% das vezes

Foto: Pixabay/Creative Commons

O médico Carl Shen,  da Universidade McMaster, no Canadá, liderou uma equipe de pesquisadores, em um estudo  de pequena escala, que analisou especificamente a saúde dos olhos e os verificadores de sintomas on-line.  O pesquisador obteve resultados preocupantes: os diagnósticos corretos surgiram, em primeiro lugar, em apenas um quarto dos casos.

O estudo que examinou os diagnósticos gerados pelo WebMD Symptom Checker mostrou que a ferramenta on-line estava correta em apenas 26% dos casos. E que a recomendação para o diagnóstico principal era muitas vezes inadequada, por vezes, o site recomendava autocuidados, em casa, ao invés de uma ida ao pronto-socorro.

“A pesquisa, apresentada,  durante a AAO 2018,  122ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia, sugere que os verificadores de sintomas relacionados à Oftalmologia têm uma limitação inerente porque a maioria das doenças e condições oculares exigem um exame presencial do paciente”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Carl Shen decidiu conduzir o estudo com seus pacientes, que, muitas vezes, chegavam às consultas com um autodiagnostico incorreto ou noções preconcebidas sobre sua condição. Seu objetivo central foi o de ajudar os pacientes a interpretar corretamente as informações sobre saúde ocular que encontram on-line.

Para conduzir o estudo, tanto profissionais médicos, quanto não médicos, inseriram 42 cenários clínicos no site WebMD Symptom Checker. Os resultados foram então comparados com o diagnóstico conhecido. O diagnóstico apresentado pelo site estava correto em apenas 26% dos casos. Embora o diagnóstico correto tenha aparecido nos três primeiros resultados, em 40% das vezes, isso não foi verdade em 43% dos casos.

A avaliação da gravidade dos sintomas também estava frequentemente incorreta. Em 14 de 17 casos, o verificador de sintomas on-line fez recomendações incorretas sobre o que o paciente deveria fazer em seguida:  autocuidados em casa ou tratamento imediato no pronto-socorro.

Embora o WebMD possa chegar ao diagnóstico clínico correto, uma proporção significativa de diagnósticos oftalmológicos comuns não é capturada, concluiu o autor do estudo.

“Às vezes, fazer pesquisas on-line pode ser útil para identificar possíveis condições, e é bom ser um paciente informado. Mas também é verdade que, muitas vezes, esses verificadores de sintomas on-line não chegam ao diagnóstico correto. E a recomendação errada sobre o que fazer com esse diagnóstico pode ser perigosa. A tecnologia usada nesses verificadores de sintomas on-line ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de precisão”, informa o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO.

Com mais pacientes chegando ao consultório médico pesquisando seus próprios sintomas, “é importante que os oftalmologistas estejam cientes das limitações das ferramentas on-line disponíveis sobre a informação em saúde ocular. É importante conversar com o paciente e conscientizá-lo que não existe diagnóstico ocular que possa ser feito pelo Dr. Google”, defende Eduardo de Lucca.

“A robotização, com a utilização da inteligência artificial, baseada em milhares de informações sobre determinadas doenças, parece ter um futuro promissor não somente no diagnóstico, como nas opções de tratamento.Esta é uma tendência da Medicina e da Oftalmologia a qual devemos estar atentos”, declara Virgílio Centurion.

Em 2015, o BMJ (British Medical Journal) fez uma auditoria completa dos verificadores de sintomas on-line. Também descobriu que, em média, os sites listavam o diagnóstico correto, em primeiro lugar, em apenas um terço dos casos.