Política

Governo intervém em conselho e diz que vai iniciar "nova era" na Petrobrás

Os novos nomes já foram selecionados e serão anunciados nos próximos dias, apurou o Estado. Com as trocas, o governo pretende adequar o colegiado às novas diretrizes delineadas para a petroleira

O governo Jair Bolsonaro decidiu intervir no conselho de administração da Petrobrás, substituindo alguns dos atuais conselheiros por executivos com visão alinhada à nova equipe econômica. Os novos nomes já foram selecionados e serão anunciados nos próximos dias, apurou o Estado. Com as trocas, o governo pretende adequar o colegiado às novas diretrizes delineadas para a petroleira.

Os nomes que serão apresentados pela União substituirão conselheiros com mandato vigente até 2020, mas que decidiram renunciar agora de seus cargos após serem avisados de que o governo gostaria de substituí-los. O novo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, confirmou em entrevista ao Estado a determinação da União de alterar a composição do colegiado.

“O acionista controlador deseja mudar. A intenção é mudar o perfil do conselho para que tenhamos mais representantes com visão estratégica do que a Petrobrás precisa”, afirmou. “Um novo ciclo se encerrou e iniciamos uma nova era”, disse. Castello Branco refutou a ideia de que o governo vá promover uma tentativa de aparelhamento da estatal.

Segundo ele, os novos integrantes terão perfil técnico. “São gestores experientes e acima de qualquer suspeita, cujos nomes serão anunciados ao mercado e submetidos à apreciação dos órgãos de governança da companhia”, afirmou. No momento, há dois assentos vagos, mas há expectativa de que mais um conselheiro apresente sua renúncia em breve. Eles tomaram a decisão de se afastar após pedido feito pelo próprio Castello Branco, que se colocou como “mensageiro” do controlador, de acordo com três fontes do colegiado ouvidas pelo Estado.

A União tem direito de indicar oito dos onze assentos no conselho de administração da Petrobrás – outros três postos são destinados a representantes dos acionistas minoritários e dos empregados da estatal.

Ao assumir a presidência, Castello Branco passou a ocupar um dos oito postos. Segundo o estatuto da Petrobrás, 40% dos assentos têm de ser preenchidos por conselheiros independentes, escolhidos por meio de agência de recrutamento e lista tríplice. Ao assumir o comando da companhia, Castello Branco afirmou que, durante o governo Michel Temer, Pedro Parente e Ivan Monteiro atuaram para resgatar as finanças da empresa e que ele, agora, deseja transformá-la numa “campeã”. Isso incluirá focar na exploração do pré-sal e intensificar a venda de ativos, reduzindo drasticamente a participação em algumas áreas, como a de refino. Para essa tarefa, precisará de votos favoráveis no conselho.

Castello Branco não quis antecipar o nome dos executivos escolhidos para integrar o conselho. Segundo apurou o Estado, a ideia do governo é anunciar já no início da semana que vem o nome de três novos integrantes, incluindo o novo presidente do conselho. O movimento para alterar a composição do conselho de administração da Petrobrás foi iniciado nos primeiros dias do ano com o objetivo de colocar no colegiado nomes com visão alinhada ao governo de Jair Bolsonaro. As mudanças logo miraram conselheiros que nutriam ligação com a gestão petista.

Antes mesmo da posse oficial de Roberto Castello Branco na presidência, foram apresentados os pedidos de renúncia de Luiz Nelson Guedes de Carvalho, que ocupava o cargo de presidente do conselho, e de Francisco Petros Papathanasiadis. Ambos o fizeram atendendo a um pedido do governo. A pressão para a renúncia passou a recair então sobre outros nomes, como Segen Estefen e Durval Soledade.

A informação foi revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Estado. Há expectativa de que ao menos um deles apresente seu pedido de afastamento nos próximos dias. O comando da estatal não descarta convocar uma assembleia para afastá-los, mas a decisão não está tomada. Carvalho e Petros compuseram o colegiado na gestão do ex-presidente Ademir Bendine, quando Castello Branco também fazia parte do conselho. Bendine acabou preso pela Lava Jato.

Carvalho ascendeu à presidência do conselho da estatal ainda no governo Dilma. Stefen é professor da Coppe/UFRJ e ligado a Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás no primeiro governo Lula. Ele foi eleito conselheiro da Petrobrás durante o governo de Dilma Rousseff, em 2015. Já Soledade ocupou cargos de confiança no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de 1973 a 2008.

O executivo também foi diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) durante o governo Lula, mas entrou para o conselho da petroleira já no governo Michel Temer. De acordo com uma fonte ligada ao colegiado, as conselheiras Ana Zembelli e Clarissa Lins, contratadas recentemente por meio de agência de recrutamento na Petrobrás, devem permanecer em seus cargos.