Palco

Ricardo Castro coloca em cena versão despudorada de Hamlet

É o espetáculo Sexo, Drogas & Axé Music 

Foto: Shirley Stolze

Uma versão despudorada, entorpecida e carnavalesca de Hamlet (William Shakespeare), escrita, dirigida e interpretada por Ricardo Castro fica em cartaz no Teatro Mósulo, na Pituba, nas sextas-feiras de janeiro e fevereiro, às 20h.

É Sexo, Drogas &Axé Music a história de um viciado em axé music, busca ajuda no Axezeiros Anônimos, e conta sua tragédia com muito humor.

Inserindo como pano-de-fundo Hamlet (peça de William Shakespeare escrita entre 1599 e 1601), o ator recria a narrativa, atribuindo às personagens da trama - como Ofélia, Horácio, Cláudio, entre outros – figuras de grandes cantoras, cantores, artistas e grupos dessa cena; fazendo um rodízio de homenagens a cada sessão.

Diferente de outras montagens da cena teatral baiana, Sexo, Drogas & Axé Music não é um recital nem tampouco é dividida em esquetes.

Intrigante, provocador e sagaz como sempre, Ricardo Castro vive em Sexo, Drogas & Axé Music a personagem Ramlet, o príncipe do carnaval (grafado assim mesmo: com R).

Completamente viciado nesse gênero musical, o protagonista busca tratamento num grupo de reabilitação, enquanto revive passagens e memórias dessa trajetória dos 30 anos de Axé Music.

Parte do texto é feito com frases de diversas músicas emblemáticas, porém descoladas do contexto original. Através de trechos dessas canções, da base shakespeareana e do próprio discurso e abordagem do intérprete, Ricardo Castro desenha sua dramaturgia ficcional sob a ótica de quem acompanhou, viveu e pulou muitos carnavais – sem obrigações cronológicas, documentais ou lineares.

Os contrastes e diálogos do enredo são bem pitorescos, ao trazer para a trilha sonora, por exemplo, a composição clássica LasciaCh'ioPianga, do músico alemão Friedrich Händel (1685-1759); interpretada por Edson Cordeiro.

Ao mesmo tempo que contrasta com o universo pop e festivo do tema, se conecta com a atmosfera da obra do autor inglês.

“Händel e Shakespeare também foram muito populares em suas épocas, cada um em seus lugares de origem. Eu escolhi essa música pelo teor dramático, por ser oportuna, por caber como uma luva na história da personagem. Ainda mais quando a letra diz Deixa que eu chore a minha cruel sorte e que suspire por liberdade”, justifica Castro.

Embora haja esse aspecto, o artista salienta que a tônica do seu trabalho sempre foi o humor. E avisa que a ideia da peça não é deixar claro o que é Axé Music, mas perguntar tudo de novo: Onde começa?, Onde termina?, Até onde é isso?,provocar questões.

“Eu li algumas teses, ensaios, conversei com algumas pessoas, mas o ponto de partida são minhas experiências. Mergulho na Axé Music como essa mistura de diversos ritmos, a partir da música Fricote – quando se atribui o início do movimento a Luiz Caldas – e vou até os dias atuais. E não pretendo definir nada”, explica.

Durante os seis meses de temporada de Quem Souber Morre (2015) – solo do artista que antecede esse trabalho – um trecho de Sexo, Drogas & Axé Music foi incluído; sempre aplaudido em cena aberta. Essa recepção do público confirmou ainda mais o desejo de Castro de trazer essa história para o palco. Sexo, Drogas & Axé Music faz parte do projeto Solo Fértil.