Alex Ferraz

Do pastel na rua ao Batalhão de Choque

Até as últimas horas da recente campanha eleitoral, eram todos beijos e abraços. Pastel na rua, beijo em criancinhas e notícias alvissareiras, como no caso do "correria", na Bahia.

Agora, governo e deputados mostram a verdadeira face da situação caótica das finanças públicas e, enquanto bombardeiam o servidor, usam o Batalhão de Choque da PM para impedir representantes desses servidores de entrarem na Assembleia Legislativa, a "casa do povo."

Eis a cruel, mas recorrente, situação da política nacional.

O eleitor - que, inclusive, foi tratado como gado naquelas filas indecentes para biometria no TRE, biometria esta que se mostrou inútil - vira lixo para os eleitos e reeleitos. E as mentiras e falsas promessas vêm à tona.

Isso é que é fake news. Os discursos dos candidatos na campanha e as artimanhas dos marqueteiros.

O espírito natalino

Outro assunto, mas que também tem tudo a ver com hipocrisia, são esses acessos de boas vontades natalinas.

Nesta época do ano, todo mundo volta sua atenção para as crianças pobres.

Dão bolas, brinquedos dos usados e bicicletas  velhas. Arrecadam quantidades ínfimas de tais objetos para "levar a alegria" a algumas centenas dentro dos mais de 5 milhões  de crianças que sobrevivem na pobreza absoluta neste país,  conforme  dados do próprio governo.

Findo o Natal, portas e janelas, inclusive de carros nas sinaleiras, voltam a se fechar para os miseráveis.

E os caridosos de ocasião colocam suas cabeças nos travesseiros e dormem com a consciência leve, certos de que garantiram ingressos para um camarote no céu.