Brasil / Política

"Escola Sem Partido tenta destruir a dimensão da escola", diz educador

Professores criaram a 'Frente Nacional Escola sem Mordaça' como oposição

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Professores criaram a Frente Nacional Escola sem Mordaça para ampliar o debate

"A Escola sem Partido gera prejuízos a longo prazo para a sociedade". Esta é a opinião do professor Fernando Penna, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense e líder do Movimento Escola Democrática. Ele participou da Conferência em Defesa da Educação Pública, realizada nesta quarta-feira (5) pela Liderança do Psol junto com representantes das organizações de professores.

Penna diz que a Escola Sem Partido não lida com os problemas reais da escola e ainda cria outros. “Ninguém defende que o professor possa fazer propaganda partidária em sala de aula; todos nós defendemos que a atuação do professor tem limites éticos”, afirmou. “A questão é que o projeto tenta destruir a dimensão educacional da escola. Quando um professor deixa de falar sobre temas importantes da sua disciplina por medo de perseguição, quem é prejudicado é o aluno.", reclamou.

Esvaziamento do debate
A conferência teve como objetivo debater estratégias de fortalecimento da educação pública. No mesmo horário, estava sendo realizada a reunião da comissão especial que analisa o projeto (PL 7180/14) da Escola Sem Partido.

Na abertura, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) explicou que precisaria se multiplicar para estar presente, no seminário, no plenário e na comissão especial. Segundo o deputado, a apreciação dessas pautas ao mesmo tempo é uma estratégia de esvaziamento do debate sobre a educação.

“De um lado, tem uma proposta que quer criminalizar os movimentos sociais dizendo que eles são terroristas; de outro, tem a Escola Sem Partido querendo criar tribunais pedagógicos; ao mesmo tempo, pode surgir em qualquer comissão ou no Plenário da Câmara um projeto privatizante.”, explicou.

Para o deputado Glauber Braga, o projeto Escola sem Partido intimida os professores e cria "tribunais pedagógicos".

“É a mordaça. É o vínculo entre professor e estudante não se transformando numa relação de confiança, mas fundada numa relação acusatória onde o professor fica com medo do que vai dizer numa sala de aula por medo dos tribunais pedagógicos. É o fim da reflexão crítica."

O professor Antonio Gonçalves, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), sugeriu que a sociedade civil promova uma auditoria da dívida pública para que se possa aperfeiçoar o financiamento da educação.

Frente Nacional
No final do evento, as entidades organizadoras lançaram a Frente Nacional Escola sem Mordaça, uma resposta ao Escola sem Partido. A proposta da frente é continuar o debate sobre a qualidade da educação pública nas próximas semanas.