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Biografia do Queen alivia no sexo e nas drogas, e satisfaz no rock´n´roll

Destaque de "Bohemian Rhapsody", que estreia nesta quinta, vai para Rami Malek no papel do vocalista Freddie Mercury

Foto: Twentieth Century Fox/Divulgação
O americano Rami Malek faz o papel de Freddie Mercury na cinebiografia sobre o Queen
O americano Rami Malek faz o papel de Freddie Mercury na cinebiografia sobre o Queen

Se toda biografia para ser contada oferece mais de uma versão, "Bohemian Rhapsody", a última do Queen, já nasceu sem uma fala primordial. Até aí, nenhum problema, quando se tem os demais músicos vivos, fontes fartas sobre o fenômeno que estourou em 1970; e um ator como Rami Malek, encarnado como Freddie Mercury.

Esqueça o carrossel de sexo e drogas que era a rotina do cantor gay, morto em 1991 vítima da Aids, porque "Bohemian Rhapsody", nesse quesito, não escancara. Trata-se mais de um filme família, comportado, que pretende ir do começo ao quase fim de um grupo que inovou com letras e sons que misturavam rock e ópera.

Dito isso, fica razoável embarcar no roteiro em direção à lisérgica Londres dos anos 1970 e ao encontro entre um despachante de malas do aeroporto de Heathrow, dentuço e de visual andrógino, com três garotos donos de uma banda, mas órfãos de um vocalista. A música inglesa mudava de rumo a partir dali.

A ascensão do Queen, seus perrengues, brigas entre si e com empresários. As puladas de cerca de Freddie quando ainda não havia saído do armário e tido a conversa definitiva com a esposa, Mary Austin. "Bohemian Rhapsody" é isso, mas principalmente uma energia resultante de direção, fotografia e elenco. 

Se há controvérsias em torno da semelhança entre Malek e Mercury, isso é o que menos importa diante da performance do ator americano. Ele se preparou bem e muito para o papel e soube construir no olhar, no corpo e nos gestos um personagem à altura do mito. 

É verdade que a voz de Freddie, somada à do cantor Marc Martel (Queen Extravaganza), garantem a vibração que se espera de um filme como este. E a afinação se completa com Joseph Mazzello, Ben Hardy e Gwilym Lee - intérpretes, respectivamente, de John Deacon (baixista), Roger Taylor (baterista) e Brian May (guitarrista).  

O diretor Bryan Singer (de "Os Suspeitos" e "X-Men") chegou a ser demitido devido a problemas vários e divide os créditos com Dexter Fletcher, mas isso não parece ter afetado o resultado. As melhores cenas de "Bohemian Rhapsody" são as que recriam os bastidores da gravação de LPs antológicos como "A Night at the Opera"; o surgimento de hits como "We Will Rock You"; e o coro em peso da plateia do Rock in Rio cantando o clássico "Love of my Life".

É justamente em 1985 que o filme começa e se encerra, na mansão de Freddie, em Kensington. Malek/Mercury está prestes a subir no palco do "Live Aid", concerto montado pelo roqueiro Bob Geldof para arrecadar fundos contra a fome na África. O rompimento com o Queen, a crítica e o público é compensado por uma apresentação apoteótica. 

"Bohemian Rhapsody" entra em cartaz nesta quinta em Salvador no Espaço Itau - Glauber Rocha e nos circuitos UCI Orient e Saladearte.