Alex Ferraz

Riscos de crescimento do racismo e da homofobia entre os brasileiros


Foto: pxhere/Creative Commons

Há muitos analistas da vitória de Bolsonaro que não o vêem como uma ameaça em si, mas sim temem o aflorar do radicalismo neonazista entre a própria população, que se consideraria "liberada" para liberar sem escrúpulos seus mais podres conceitos e vontades. Eu, particularmente, não voto desde 1989, quando a minha tolerância  e esperança nos políticos e na política esgotaram-se definitivamente. 

Todavia, óbvio está que o teor das falas de Bolsonaro e seu clã, ao longo de mais de uma década, deixam claro o que ele pensa. Se vai ser "controlado" ou não, é outra questão.

Porém, alguns sinais de que muita gente está  colocando seus demônios para fora parecem claros, inclusive a partir das declarações medievais vistas nas comemorações da vitória do candidato, via rede social e mesmo nas ruas.

Em Salvador, por exemplo,  logo após o resultado da urnas no último domingo, policiais militares agrediram um grupo no bairro do Rio Vermelho.

Agressões a gays infelizmente são uma constante, de há muito, na selva Brasil,. Mas agora vêm acompanhadas de um "aval", intencional ou não,  da "nova ordem" institucional. O discurso racista e oculto a ditadores, agora não mais de esquerda mas de direita, também.

Nos novos velhos tempos de hoje,  contraditoriamente, é mais inteligente discutir futebol ou carros nos bares populares, do que política ou visões sociais de um modo geral.

Bem, vejamos a seguir alguns conceitos sobre a doença social traduzida na homofobia e no racismo.

Do site Hypescience.com, retirei esse trecho que, na linha freudiana de o que me incomoda em você está em mim, analisa o ódio aos homossexuais:

"Muitas vezes aquilo que tanto incomoda no outro pode ter relação com uma característica que a pessoa também possui, mas não aprova e nem sempre enxerga. 'Se aquilo não tivesse nada a ver com as minhas dificuldades, não incomodaria, eu nem perceberia', diz a psicoterapeuta cognitivista-comportamental Betania Marques Dutra, professora da Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora e do Instituto Brasileiro de Hipnoterapia, no Rio de Janeiro (RJ).

Betania acredita que a forma como encaramos a atitude e o comportamento dos outros tem ligação com o que pensamos acerca de nós mesmos. 'Quando o outro está me afetando de maneira bastante significativa, pode ser que ele esteja interferindo na ideia central que tenho de mim mesmo." 

Prossegue o site:

"Um novo estudo sugere um pouco de autorreflexão entre aqueles que são hostis com os gays: talvez os agressores também sejam homossexuais.

Esse estudo mostra que, se você está sentindo o tipo de reação visceral contra outro grupo, você deveria se perguntar ‘porque?’”, afirma um dos autores, Richard Ryan. 'Algumas vezes, as pessoas são hostis com os gays e lésbicas porque têm medo dos próprios impulsos e podem não aceitar os outros porque não conseguem aceitar a si mesmos.' 

Entretanto, Ryan deixa claro que essa ligação não é a única fonte de sentimentos anti-gays. Não é porque alguém os odeia, que definitivamente."

Quanto ao racismo, destaco trecho de artigo de Marcos Lacerda, no site do Geledes - Instituto da mulher Negra 

"O preconceito racial é uma doença insidiosa, moral e social que afeta os povos e as populações de todo o mundo. É diagnosticada pela catalogação dos seus vários sintomas e manifestações que incluem o medo, a intolerância, a separação, a segregação, a discriminação e o ódio. Apesar de todos estes sintomas de preconceito racial serem manifestados, a única causa subjacente do preconceito racial é a ignorância." 

Bem, particularmente vejo ainda mais torpeza na mentalidade dos racistas brasileiros, o oportunismo odioso: aqueles que execram os negros, certamente não recusariam a visita de Obama em sua casa. Ou mesmo de negros milionários e/ou famosos.

São essas pessoas, de comportamento vil, que xingam os nordestinos mas não titubeiam em pegar um avião e aterrissar em Salvador, cidade mais negra do Brasil, para dançar e se divertir a rodo no Carnaval, ao som de pagodes, e quem sabe aproveitando para um namorozinho, digamos, não convencional.

Palavras sábias  de Pitigrilli, no idos dos anos 1940:

"Dêem-me mil moralistas e eu abrirei um bordel."