Alex Ferraz

Vejam no que dá ser obrigado a permanecer em casa vendo TV

Em uma semana, vi de tudo

Ao longo desta semana assisti a mais TV do que nunca, resultado de uma reclusão doméstica forçada por uma virose.

Entre uma e outra interrupção pelo gatinho presenteado por uma amiga (o bichano insiste em fazer de conta que minhas mãos e pés são terríveis inimigos, contra os quais luta usando dentes e garras), vi de tudo.

Por exemplo, um apresentador de noticiário local classificar a correria numa agência bancária de  Vitória da Conquista, provocada por um atirador pirado,  como "maior pânico", o que me levou a ignorar o significado absoluto e único do termo PÂNICO e considerar o que seria um pânico médio ou um pequeno pânico.

Mal recuperado do espanto e afastando com tapinhas carinhosos o inocente filhote de felino que insiste em combater minha mãos, ouço outra bomba. Desta vez a repórter classifica como "muito crítica" a situação em determinado bairro de Salvador abandonado pelo dito poder púbico. Ora, que a prefeitura vá lá e pelo menos torne "pouco crítica" a situação.

A propósito de poder público, uma notícia dá conta de que o caos de lama e buracos numa rua da capital dura mais de 15 anos, apesar das constantes queixas de moradores na prefeitura. E fica no ar a pergunta: por que o poder público, notadamente o municipal, zomba do cidadão?

Mas voltemos às pérolas. A notícia é sobre um assalto a mão armada num pequeno bar.  E o repórter descobre que "os clientes ficaram assustados".

Num comercial politicamente incorreto, o sujeito aguarda na esteira de bagagem do aeroporto a sua namorada, que foi despachada por ele como castigo por não escolher determinado tipo de passagem.

E, clássico do jornalismo policial da atualidade, o apresentador diz que o homem ferido num acidente foi socorrido, "Mas não resistiu E MORREU."

Mas agora resolvo brincar com o gatinho ainda criança e lhe ofereço mãos e pés como grandes monstros a serem combatidos. Desvio a atenção da TV. Começou o horário eleitoral.