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O Mundo como o autista vê é mostrado em projeto de alunos baianos do SESI

É a Mostra de Arte, Ciência e Tecnologia da Rede Sesi de Ensino, que aconteceu em todo o país

Foto: Kithi

Neste último final a exposição de trabalhos ocupou as unidades de ensino do SESI em todo o Brasil. Em Salvador, na unidade Reitor Miguel Calmon, os estudantes participaram com entusiasmo.

A partir do tema geral apresentado pelo MEC para 2018, Ciência para a Resolução das Desigualdades foi lançado o desafio para os alunos nas mais variadas áreas do conhecimento.

Eles tiveram de analisar o problema apresentado pelo orientador, encontrar soluções viáveis e fazer uma conclusão do estudo realizado.

O objetivo principal é estimular o interesse pela pesquisa nas séries do ensino fundamental e do ensino médio.

Ao mesmo tempo a mostra possibilita aos estudantes o aprendizado e aplicação da metodologia adotada na área da produção científica.

Algumas séries apresentaram estudos sobre a escravidão e lançaram propostas de melhoria para as populações que ainda sofrem com os reflexos da desigualdade social promovida pelo sistema.

Com a orientação da professora Mariana Oliveira, os alunos do sétimo ano, turma B tiveram como problema tema a análise do trabalho escravo contemporâneo no interior da Bahia cuja solução apresentada pela sala, na fala de Sophia Andrade, foi a criação de uma ONG que disponibilizaria vans com especialistas percorrendo as cidades atingidas para ensinar de forma simples as leis trabalhistas.

Para o nono ano o problema a ser pesquisado foi a desigualdade social na educação.

Com a orientação do professor Raimundo Paixão, criaram o Projeto Ensino Solidário onde estudantes voluntários de escolas privadas, credenciados numa ONG para este fim, ofereceriam aulas dinâmicas sobre as matérias adicionais e obrigatórias do currículo escolar, além da realização de palestras e encontros com especialistas de várias áreas.

Nas turmas do Ensino Médio dois projetos se destacaram : a criação de um jogo de computador cujo objetivo é diminuir as dificuldades dos alunos do ensino médio nas disciplinas obrigatórias, como Física.

Desenvolvido pelos alunos Rodrigo Furtado e Antônio Guilherme, eles partiram de uma pesquisa entre os colegas para estabelecer quais as principais dificuldades e produzir os desafios e obstáculos a serem superados no jogo.

A interação social dos autistas foi o foco de outro grupo. Utilizando óculos especiais com fones de ouvidos, o público podia experimentar ver e ouvir como um autista.

Eu experimentei. Tive medo de me locomover e cair. O som tem sempre uma marcação de tempo muito forte e os elementos visuais são distorcidos. A aparência das pessoas é quase a de um filme de terror. Fiquei rodando em torno de mim mesma, incapaz de dar um passo à frente.

De posse da pesquisa baseada nos experimentos já testados por especialistas da área, os alunos criaram o aplicativo Virtualmente Juntos que ajuda as pessoas a entenderem o mundo autista, disponível para quem quiser baixar.

Uma das alunas, Raissa, conta que o objetivo foi criar um aplicativo para ajudar a convivência com autistas, tanto no âmbito escolar quanto no meio social diário.

Mas havia muitos outros projetos ligados às  áreas de História, Geografia, Saúde, Arte e de Meio-Ambiente, dentre outros.

E claro, houve também muita música e a animação natural de jovens reunidos celebrando  o resultado obtido a partir do esforço de todos.