Alex Ferraz

Será mesmo que ACM Neto queria a vitória de Zé Ronaldo na Bahia?

Assim é a política: para o público, um discurso. Para a realidade, nos bastidores, as verdadeiras intenções.


Zé Ronaldo, derrotado ao governo da Bahia, e o prefeito ACM Neto

Não é segredo para o bom entendedor (para quem, reza o dito popular, meia palavra basta) que na política quase nunca o que é dito e feito em público corresponde aos reais interesses dos politicos e seus partidos.

Posso estar errado nas conclusões  que vou expor a seguir. Mas, querem saber? Duvido!

Na minha opinião, o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, nunca acreditou de verdade, nem torceu, para uma miraculosa vitória do candidato do partido para o governo da Bahia.

Vejamos antes o cenário: diante de um candidato à reeleição inegavelmente mais cotado, Neto escolheu Zé Ronaldo, que pode ter sido um bom prefeito em Feira de Santana, mas notoriamente não tem carisma nem penetração na maior parte do Estado, incluindo, claro, Salvador.

Neto sabia desde o começo que jamais conseguiria repetir a "mágica" do avô, que, em 1982, a um mês da votação, perdeu seu candidato, o ex-prefeito de Salvador Cleriston Andrdade,  num desastre de helicóptero, e, na mesma Feira de Santana, catou João Durval e o transformou em candidato vitorioso ao governo baiano.

Durval também não tinha carisma e era pouquíssimo conhecido fora de Feira.

E  por que Neto não repetiu o feito do avô? Porque os tempos são outros. Não  vivemos mais sob uma ditadura militar (pelo menos até agora...) e  o eleitor, por mais alienado que ainda seja, em parte, já não é tão sujeito a cabresto.

Mas voltemos ao cerne da questão: acho que Neto jamais quis de verdade eleger Ronaldo - ou qualquer outro - simplesmente porque será ele, Neto, que quer ganhar a próxima eleição para o governo da Bahia e não iria eleger alguém que tomasse gosto pelo cargo e certamente tentaria uma reeleição.

Parte 2: também nunca acreditei na "briga" entre Neto e Ronaldo naquele episódio do apoio deste a Bolsonaro, em declaração tida como "bombástica" feita nos últimos no minutos de um debate, na TV da própria família de Neto.

Eu, cético após mais de 40 anos de jornalismo e hoje vendo candidato sabidamente ateu rezar missa na campanha, nunca engoli aquela "rebeldia" do candidato Ronaldo. Pura missa encomendada. Era um pé do DEM no rastro Bolsonaro e, agora, há poucos dias, vendo o crescimento da candidatura de ultra-direita (que perigo, minha gente!), Neto pôs o outro pé no PSL.

Assim é a política: para o público, um discurso. Para a realidade, nos bastidores, as verdadeiras intenções.