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Procissão e orações marcam Dia de Aparecida no bairro do Imbuí

A procissão é uma tradição de 18 anos.

Foto: Kithi
Fé, no Dia de Nossa Senhora Aparecida
Fé, no Dia de Nossa Senhora Aparecida

Hoje é dia de Aparecida. É dia de oração e procissão no bairro do Imbuí, em Salvador.

O Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Imbuí comemora a padroeira do Brasil desde o dia 3 com o novenário. A celebração ganha seu ponto alto neste 12 de outubro, quando a imagem da santa, carregada em andor decorado, percorre as ruas em volta da praça.

A procissão é uma tradição de 18 anos. 

O Santuário do Imbuí foi erguido pela comunidade, que se estabeleceu no local na década de 1970, seguindo o vetor de crescimento da cidade.

A história contada na peça de Teatro o Alto de Aparecida, encenada por grupos de jovens frequentadores da Igreja, dirigida por Fábio Sobral, conta que os primeiros moradores do Imbuí se juntavam em casa ou nas ruas para rezarem o terço de Nossa Senhora.

Sabendo desse movimento, os responsáveis pela igreja católica se predispuseram a conversar com a comunidade.

O trabalho foi iniciado pelo primeiro padre eudista brasileiro, o padre Marcos. Os eudistas pertencem à congregação fundada pelo sacerdote francês João Eudes, precursor do culto da devoção dos sagrados corações de Jesus e de Maria. Um revolucionário canonizado pelo Papa Pio XII em 1925.

Primeiro as missas eram celebradas na escola local, depois conseguiram o terreno e com as quermesses e as rifas providenciavam a verba para a construção da Paróquia, fundada em 2000 e transformada em Santuário no ano de 2017 com missa solene, realizada na praça, com a presença do arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger.

A imagem em terracota de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em 1717 no rio Paraíba do Sul, e esculpida por volta de 1600, provavelmente pelo Frei Agostinho de Jesus, conforme a fala da historiadora Tereza Pasin.

Quando receberam do duque Dom Pedro de Almeida Portugal, que visitava a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá a incumbência de fornecer o peixe para o banquete do governador das províncias de Minas Gerais e São Paulo, três pescadores encarregados oraram a Nossa Senhora. Afinal aquela data não era boa para pescaria.

Depois de várias investidas sem nem um peixe pegar surgiu na rede o corpo de uma estátua e logo depois, em outra rede de pesca, a cabeça que completaria uma santa. Eles contaram que após colocarem as duas partes na canoa os peixes chegaram em tamanha quantidade que ficaram com medo de afundar o barco.


Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil - Foto: Kithi

Eles deram à imagem o nome de Aparecida. A fama milagreira de Aparecida correu no boca-a-boca e a peregrinação da Santa se iniciou. Os milagres aconteceram e se multiplicaram.

O povo começou a visitar a casa do pescador onde a imagem foi colocada no primeiro momento. Depois começaram as peregrinações pelas regiões de Itaguaçu, Ribeirão do Sá e Ponte Alta quando o filho de um dos pescadores, Atanásio Pedroso, em 1732 preparou um oratório e abriu para o público.

Em 1753 foi aprovada a primeira igreja para receber e louvar a Mãe Aparecida, como é carinhosamente chamada pelos devotos. Junto com a inauguração da igreja nascia um novo povoado chamado Capela de Aparecida que recebeu, por conta da Santa, personagens importantes como D. Pedro I e a Princesa Isabel.

A princesa que queria a Graça de um herdeiro presenteou a Santa com um manto azul bordado com linha de ouro e com vinte e um brilhantes que representavam as províncias mais a capital do reino. Após alcançar a graça de três filhos ela retornou ao povoado e desta vez levou uma coroa de ouro para ornar e agradecer a Aparecida.

Ambos presentes permanecem ligados a imagem simbólica da Santa.

E o lugarejo foi crescendo em torno da fé que mobiliza o turismo religioso e em 1928 foi concedia a emancipação tornando-se a cidade de Aparecida do Norte que recebe mais de 11 milhões de pessoas por ano, conforme o WebCite A12.

Desenhado pelo arquiteto Benedito Clixto de Jesus, com obras sacras, vitrais e painéis idealizados por Cláudio Pastro, um templo gigante foi erguido para manter a imagem histórica de Aparecida e receber os peregrinos que clamam por sua misericórdia e seus milagres.

Na comemoração do tricentenário do encontro da imagem de Aparecida no rio, no dia 12 de outubro, passaram pelo templo 177 mil pessoas.