Alex Ferraz

Fraude eleitoral é um fenômeno mundial ou "chiadeira" de derrotados?

É conveniente lembrar que nem de longe o Brasil é único com voto eletrônico


A biometria e a urna eletrônica deixam dúvidas, mas sem provas de fraude - Foto: José Cruz/Agência Brasil

A urna eletrônica brasileira chega a 12 eleições sofrendo ataques de alguns candidatos que suspeitam da possibilidade de fraude.

Muitos acham, inclusive, que a votação através de cédulas seria mais segura.

Bem, de minha parte tenho dúvidas gerais, em relação a ambos os sistemas. Lembro-me de, quando criança, ter ouvido conversas entre familiares, no interior, sobre urnas cheias de votos já preenchidos trocadas pelas urnas legais, nos tempos antigos do papel.

Hoje, quando hackers invadem sistemas secretos dos mais poderosos países do mundo, também é difícil não ficar com a pulga atrás da orelha em relação ao sistema eletrônico.

Porém, a realidade é que políticos são políticos em qualquer parte do mundo e, salvo talvez raríssimas exceções, são capazes de tudo para vencer uma eleição.

Antes de citarmos alguns casos recentissimos de denúncias de fraudes em outros países, é conveniente lembrar que nem de longe o Brasil é único com voto eletrônico.

Segundo o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (IDEA Internacional), sediado em Estocolmo (Suécia), 32 países utilizam sistemas eletrônicos nas eleições.

A lista inclui nações de sólida tradição democrática, como Suíça, Canadá, Austrália e Estados Unidos (em alguns estados). Na América Latina, México e Peru também fazem uso do sistema. Na Ásia, além de Japão e Coréia do Sul, há o exemplo da Índia. 

Bem, agora vamos a notícias sobre denúncias de fraude eleitoral no mundo.

Rússia

Matérias de agosto de 2018 davam conta de que vídeos mostrando possíveis situações de fraude eleitoral "colocam em cheque a vitória esmagadora de Vladimir Putin nas eleições deste domingo (18 de agosto). Imagens de câmeras de segurança feitas em diferentes locais de votação mostram pessoas fazendo cópias de cédulas eleitorais e depositando vários votos ao mesmo tempo nas urnas."

O jornal britânico The Guardian publicou em seu canal no Youtube uma sequência de imagens de câmeras de segurança em locais de votação diversos em Moscou e também nas províncias de Yacutia e no Daguestão.

Estados Unidos

Em maio deste ano, uma noticia sacudiu a Casa Branca: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi envolvido no em uma conspiração para cometer fraude eleitoral, "no dia em que dois de seus ex-assessores foram considerados culpados em processos judiciais, o que representa um golpe legal e político para o líder americano."

"Em um drama que se desenrolou simultaneamente em duas cidades dos Estados Unidos, dois antigos assessores-chave de Trump foram considerados culpados por diferentes crimes vinculados à investigação federal envolvendo as eleições presidenciais de 2016."

Venezuela

Após boicote da oposição, políticos antichavistas disseram que participação nas urnas foi "baixíssima" e acusaram  governo Maduro de prometer recompensas a eleitores em troca de votos. A notícia ganhou mundo em abril último 

Paraguai

Um dia após o resultado oficial das eleições presidenciais no Paraguai, o candidato opositor Efraín Alegre, derrotado por uma pequena margem, denunciou ter “provas de fraudes” e garantiu que iria controlar “voto a voto” a contagem oficial.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Alegre, da aliança de centro-esquerda Ganhar, questionou a veracidade do sistema de contagem rápida de votos (TREP). Porém, poucos dias depois voltou atrás e reconheceu os números da contagem olicial.

Turquia

"Até 2,5 milhões de votos podem ter sido manipulados no referendo de domingo na Turquia que foi finalizado com um acirrado “Sim” para maiores poderes presidenciais, disse uma integrante austríaca da missão observadora do Conselho da Europa." Esta foi mais uma denúncias que "desapareceu" no ar.

Como  se vê, não são poucos os casos de denúncias de fraudes, em nível mundial.

Assim como não são poucos, na verdade praticamente todos, aqueles que caem no "esquecimento".