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Eleitores enfrentam filas para votar em Salvador e erros na biometria

Seções eleitorais lotadas foi o normal, nos diversos bairros da capital

Foto: Leiamais.ba
Colégios Antonio Vieira e Anchieta, em Salvador
Colégios Antonio Vieira e Anchieta, em Salvador

Com uma média superior a 2 minutos de tempo gasto por eleitor, na urna eletrônica, as filas ocupavam os corredores dos locais de votação, em Salvador. Gastava-se entre 1 e até 4 horas.

E eleitores que haviam ficado horas no Tribunal Regional Eleitoral para cadastrar suas digitais, deparavam-se com problemas no sistema de biometria.

A seção 254 do Colégio Paulo Américo, na Cidade Baixa, tinha grande número de idosos. Alguns que haviam chegado logo após a abertura da votação continuam à espera nas primeiras horas da tarde.


Idosos à espera, na Cidade Baixa - Foto: Leiamais.ba

No local, os problemas se acumulavam. Um cadeirante esperou quase duas horas para votar; idosos não conseguiam porque a biometria dava erro, o que os obrigava a se idenficar com a assinatura, ampliando a demora. E outros não conaeguiam apertar as teclas por problemas na visão.

Na seção 625, da Faculdade Católica Pituaçu, idosos e deficientes esperaram até 3 horas e houve distribuição de senha para votar.

Um dos que enfrentaram a fila foi o prefeito de Salvador, ACM Neto. Ele afirmou que a Justiça Eleitoral terá que avaliar os problemas desta eleição que resultaram em grande tempo de esera. "Espero que o eleitor não deixe de votar por causa das filas", disse, após aguardar por mais de 2 horas. Ele votou na zona 01, seção 0205, na Faculdade de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Vale do Canela.


Na Faculdade Visconde de Cairu, faltando apenas uma hora para o encerramento da votação havia centenas de pessoas na fila


No Colégio Antonio Vieira, também havia longas filas faltando menos de uma hora para o encerramento - Fotos: Leiamais.ba

O governador Rui Costa (PT), candidato à reeleição, ficou 75 minutos aguardando o seu momento de votar no Colégio Estadual Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, uma das regiões com maior população negra da capital baiana. 

Na Faculdade Visconde de Cairu, eleitores começaram a desistir após as 17 horas, quando a previsão era de que a votação continuasse até por volta das 22 horas, diante do elevado número de pessoas ainda na fila.

Veja no vídeo

Sob chuva

A chuva que não parou de cair no bairro do Rio Vermelho neste dia de eleição acabou por esfriar os ânimos nas ruas de um dos locais que mais abrigam em Salvador manifestações política. As ruas ficaram vazias, e mesmo pontos onde o lazer se encontra com a manifestação, como o Largo de Santana, onde fica o tabuleiro de Dinha do Acarajé, o cenário era de mesas vazias.


Bairro do Rio Vermelho: sem a agitação costumeira - Foto: Leiamais.ba

Nas várias sessões eleitorais, espalhadas em colégios e faculdades, a votação foi mais intensa pela manhã, o que provocou filas especialmente das 11h às 13h. À tarde, havia apenas alguns pontos críticos em poucas sessões nos colégios Medalha Milagrosa, Manoel Devoto e Eurícles de Matos, onde votou o senhor Genaro Ferreira Rodrigues, de 88 anos, que não deixou de votar em nenhuma eleição desde que passou a ter direito. Ele diz que, enquanto der, vai cumprir seu dever cívico.

Apesar de haver aqui e ali propaganda de partido político e santinhos de candidatos espalhados pelo chão, nem de perto se viu o volume de papel que nas outras eleições poluía as ruas. O bairro também estava silencioso. Convocada nas redes sociais, uma campanha pediu às mulheres que não apoiam o candidato Jair Bolsonaro a irem vestidas de branco para votar. Mas se viam poucas mulheres vestidas de branco nas ruas.

Na Unifacs, alheia à movimentação feminina, Dona Eugênia Sena, 63,  lavadeira que enfrenta dificuldade grande de mobilidade e caminha com auxílio de bengalas festejava o bom atendimento na sessão eleitoral onde foi recebida. Ela conta que durante o cadastramento biométrico o funcionário que a atendeu propôs que mudasse para uma sessão especialmente pensada para pessoas que, como ela, não se deslocam com facilidade. 


Genaro Rodrigues e Eugênia Sena: cumprindo o "dever cívico" - Fotos: Leiamais.ba