Saúde

Vacinação pode reduzir gastos com saúde no Brasil em até R$ 1,8 bilhão

Campanha pública de gripe evitaria até 6,1 mil mortes

Foto: Pixabay/Creative Commons
O sistema público de saúde oferece apenas a vacina trivalente para a população
O sistema público de saúde oferece apenas a vacina trivalente para a população

A implementação da campanha pública de vacinação utilizando-se a vacina quadrivalente contra gripe – ou seja, com vacina que protege contra quatro tipos do vírus e não três, como é feita atualmente – na população pediátrica reduziria os gastos da sociedade no tratamento da influenza em até R$ 1,8 bilhão, evitaria até 2,1 milhões de casos e 6,1 mil mortes. 

É o que mostra um estudo de impacto em saúde pública e análise econômica realizado em parceria com o Prof. Dr. Expedito Luna (Universidade de São Paulo – USP), e Prof. Dr. Pascal Crepey (Université Pierre et Marie Curie e Global Influenza Initiative), pela Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas da Sanofi.

O material foi apresentado no ESPID – Congresso internacional da Sociedade Europeia de Doenças Infectopediátricas.

A análise considera dados demográficos e epidemiológicos de casos e mortes, além dos registros de custos com a doença e o valor da vacina a ser adotada.

Com base em tais números e utilizando um modelo matemático, especialistas projetaram uma tendência para os próximos anos e avaliaram o impacto da influenza na saúde e economia do país. Trata-se de um estudo comum para avaliar a custo-efetividade da adoção de novas tecnologias no âmbito estadual ou nacional.

O material mostrou que a substituição da vacina trivalente pela quadrivalente na população pediátrica de seis meses a quatro anos completos reduziria de 1,1 milhão a 2,1 milhões de casos, e 3,3 mil a 6,1 mil mortes nos próximos dez anos. 

“Esse tipo de avalição requer uma visão de longo prazo. As estimativas analisam os efeitos da vacinação com o passar do tempo, por isso é necessário fazer as projeções ao longo de anos. Como consideramos cenários comuns versus cenários de alta incidência, há sempre uma variante nos resultados”, explica Expedito Luna, um dos autores do estudo.

Em termos de impacto financeiro, sob a perspectiva da sociedade brasileira seriam economizados entre R$ 1 bilhão e R$ 1,8 bilhão no mesmo período.

Além disso, a adoção do imunizante que protege contra quatro tipos de vírus influenza evitaria 374 mil a 705 mil consultas médicas e 21 mil a 39 mil hospitalizaçõesi, diminuindo filas e liberando leitos para demais doenças que não são preveníveis por vacinação.

A diferença entre as vacinas

Nas clínicas particulares, há duas vacinas contra gripe, as trivalentes e as quadrivalentes. As trivalentes protegem contra três tipos de vírus, pois contém as duas cepas A (subtipos H1N1 e H3N2) e uma cepa B. As quadrivalentes oferecem proteção mais ampla, pois contém um vírus a mais: duas cepas A (subtipos H1N1 e H3N2) e duas cepas B (subtipos Victoria e Yamagata).

Já o sistema público de saúde oferece apenas a vacina trivalente para a população.

A influenza B representa cerca de 25% das cepas circulantes e causa epidemias aproximadamente a cada 2 anos ou a cada 4 anos. Além disso, durante algumas temporadas são responsáveis por mais da metade dos casos confirmados de influenza.

Em praticamente metade delas, a linhagem de vírus B recomendada para as vacinas do hemisfério norte e hemisfério sul são diferentes das linhagens circulantes e, sempre que isto ocorre, há redução significativa na proteção conferida pela vacina trivalente – já que ela oferece proteção somente para uma linhagem B e duas A (H1N1) e (H3N2).