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Filme de Cacá Diegues vai representar o Brasil no Oscar

"O Grande Circo Místico" ganhou a vaga na disputa pela indicação ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro em 2019

Foto: Fotos Copyright Bodega Films/Reprodução
Filme acompanha cinco gerações de uma mesma família proprietária do circo, inaugurado em 1910
Filme acompanha cinco gerações de uma mesma família proprietária do circo, inaugurado em 1910

“O Grande Circo Místico”, longa-metragem de Cacá Diegues, foi escolhido para concorrer a uma vaga entre os cinco indicados ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2019. O anúncio foi feito hoje pela presidente da Comissão Especial de Seleção, Lucy Barreto. 

O comunicado aconteceu após uma reunião da Comissão Especial de Seleção, formada por membros indicados pela Academia Brasileira de Cinema: Lucy Barreto (presidente), Bárbara Paz, Flavio Ramos Tambellini, Jeferson De, Hsu Chien Hsin, Katia Adler e Claudia Da Natividade (efetivos). Estavam presentes também Frederico Maia Mascarenhas, Secretário do Audiovisual, e Jorge Peregrino, Presidente da Academia Brasileira de Cinema.

Entre os pontos fortes da produção apontados pela comissão de seleção estão a força poética e a presença da música brasileira. “O mundo está precisando de um pouco de poesia, de um pouco de magia”, enfatizou a presidente do grupo, Lucy Barreto. O longa-metragem foi escolhido entre 23 possíveis candidatos.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (The Academy) vai anunciar a lista com todos os indicados ao Oscar 2019 em 22 de janeiro e a cerimônia de premiação será realizada dia 24 de fevereiro, em Los Angeles (EUA). 

Sinopse - O filme conta a história de cinco gerações de uma mesma família proprietária do circo. Da inauguração do Grande Circo Místico em 1910 até os dias de hoje, o público vai acompanhar, com a ajuda de Celavi, mestre de cerimônias que nunca envelhece, as aventuras e amores da família Kieps, do seu auge a sua decadência, até o surpreendente final. Um filme que mescla realidade com fantasia em um universo místico.

Dirigido por Cacá Diegues, com roteiro dele e George Moura, "O Grande Circo Místico" reúne um elenco formado por Jesuíta Barbosa (foto ao lado), Mariana Ximenes, Bruna Linzmeyer, Rafael Lozano, Catherine Mouchet, Antônio Fagundes, Vincent Cassel. A distribuição é da H2O Filmes.

Cacá Diegues foi eleito há pouco mais de uma semana para ocupar a cadeira de número 7 de Academia Brasileira de Letras. Nascido em 19 de maio de 1940, em Maceió, ele é um dos fundadores do Cinema Novo. A maioria dos 18 filmes que realizou foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.

Cinema e literatura - Este é o tema do programa "Trilha de Letras", que vai ao ar nesta terça, às 21h15, na TV Brasil. O apresentador Raphael Montes bate um papo com o cineasta Cacá Diegues que, em 56 anos de carreira, dirigiu 37 filmes e tem nove livros publicados. 

O roteiro de um filme pode ser encaixado como um estilo de literatura”, diz Cacá. Expoente do Cinema Novo, o diretor afirma que o cinema brasileiro hoje “é completo”. Fala ainda sobre seu novo filme, “O Grande Circo Místico”, espetáculo inspirado no poema homônimo de Jorge Lima, e que demorou 11 anos para ser concluído. “O filme se passa durante um século”, conta. 

No bate-papo com Raphael Montes, Cacá Diegues também conversa sobre o boom das séries para televisão e para os canais de streaming. “Acho que tudo que é novo é bom. Essas séries de televisão são filhas do cinema”, resume o cineasta. 

No programa, o crítico Rodrigo Fonseca fala sobre a relação entre literatura e cinema brasileiro. “Desde a gênese do cinema brasileiro que nós fazemos adaptações”, diz Fonseca. Cacá Diegues lembra que o único livro que adaptou para a tela de cinema foi “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado.