Política

Bolsonaro promete tirar o País da ONU se for eleito presidente

Bolsonaro já tinha se manifestado sobre o tema em sua conta pessoal no Twitter

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Jair Bolsonaro negou que tenha sido grosseiro no embate com a candidata Marina Silva, da Rede
Jair Bolsonaro negou que tenha sido grosseiro no embate com a candidata Marina Silva, da Rede

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, declarou neste sábado, 18, que o Brasil deixará a Organização das Nações Unidas (ONU) caso seja eleito presidente da República. 

A afirmação de Bolsonaro foi feita em resposta à pergunta sobre como avaliava a recomendação do Conselho de Direitos Humanos da ONU de que o País permita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputar a eleição presidencial.

"Se eu for presidente eu saio da ONU. Não serve pra nada essa instituição", afirmou Bolsonaro à imprensa, após cerimônia de formatura de cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em Resende, no sul fluminense. "Sim, saio fora, não serve pra nada a ONU. É um local de reunião de comunistas e gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul pelo menos", completou o candidato.

Mais cedo, Bolsonaro já tinha se manifestado sobre o tema em sua conta pessoal no Twitter: "Há mais ou menos 2 meses falei em entrevista que já teria tirado o Brasil do conselho da ONU, não só por se posicionarem contra Israel, mas por sempre estarem ao lado de tudo que não presta. Este atual apoio a um corrupto condenado e preso é só mais um exemplo da nossa posição", escreveu o candidato neste sábado.

Marina Silva

Ele negou que tenha sido grosseiro no embate com a candidata Marina Silva, da Rede, do debate com presidenciáveis na noite de sexta-feira, 17, na Rede TV.

"Eu acho que fui duro o suficiente, porque estava discutindo ali a questão do aborto e legalização da maconha. Ela não gostou porque ela perdeu praticamente o apoio de certos setores da sociedade que ela tinha e não tem mais", disse Bolsonaro à imprensa, após cerimônia de formatura de cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em Resende, no sul fluminense

"Ela gritou comigo, me interrompeu, e eu a tratei com a maior cordialidade possível. Não teve nada de agressividade da minha parte, nunca fiz isso com mulher nenhuma", defendeu-se Bolsonaro

Questionado se havia preocupação de impopularidade entre o eleitorado feminino, Bolsonaro afirmou que há uma tentativa de rotulá-lo como contrário aos direitos das mulheres.

"Estão tentando me jogar contra as mulheres, contra os negros, contra os gays. É essa tentativa o tempo todo de me rotular. Eu defendo a mulher pra valer", declarou o candidato do PSL.

O presidenciável argumentou que sempre há mulheres nos palanques de seus comícios e que defende a lei do feminicídio aliada à posse de armas de fogo por mulheres para que elas possam se defender.

Bolsonaro acrescentou ainda que tem sido tratado com muito carinho e consideração País afora, principalmente pelas mulheres "Adoro as mulheres. Você duvida? Tenho cinco filhos", brincou o candidato.

Raquel Dodge

Para o candidato do PSL, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foi "levada por uma onda de esquerda politicamente correta" ao recomendar que o Supremo Tribunal Federal (STF) receba a denúncia contra ele por crime de racismo

Raquel Dodge e Bolsonaro participaram na manhã deste sábado (18) da cerimônia de formatura de cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em Resende, no sul fluminense. Os dois dividiram o mesmo palanque, mas não se falaram, embora o candidato do PSL afirme que não houve constrangimento.

"Nem tive o prazer de apertar o mão dela", disse Bolsonaro. "Não há nenhum constrangimento. Ela se perdeu completamente. Ela nunca foi num quilombola, ela não sabe o que são reservas indígenas. Ela não sabe o risco que estamos correndo nessas reservas indígenas de se transformar em outros países aqui dentro. Ela foi levada por uma onda de esquerda politicamente correta", acrescentou.

Para a procuradora-geral, Bolsonaro demonstrou preconceito contra quilombolas e refugiados durante uma palestra que concedeu no Clube Hebraica, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, no ano passado.

Além de Dodge e Bolsonaro, participaram do evento na Aman autoridades do primeiro escalão do governo de Michel Temer, como o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Westhphalen Etchgoyen, e a ministra da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça. 

Bolsonaro foi assediado por admiradores e posou para selfies no meio da cerimônia. Os filhos Flávio e Eduardo Bolsonaro também estavam presentes, assim como o vice de Jair na chapa à Presidência, general da reserva Hamilton Mourão.

O presidenciável do PSL foi assediado pelo candidato do PSD ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Indio da Costa, mas Bolsonaro disse que a posição do partido no Estado é de neutralidade. "Ele até tirou foto comigo, mais nada. Pretendemos ficar neutros nessa eleição para o governo do estado do Rio", declarou o presidenciável.

Quanto à campanha do PSL, Bolsonaro comentou sobre arrecadação de verbas. "Eu com um milhão de reais faço a minha campanha pra presidente e sobra. Mas estamos arrecadando um pouco a mais para ajudar os candidatos a deputado federal", argumentou.

Sobre o possível mandato a presidente, caso seja eleito, Bolsonaro confirmou que pretende escalar militares para os cargos de governo e disse já ter escolhido o astronauta Marcos Pontes, coronel da Aeronáutica, para o Ministério da Ciência e Tecnologia, além de um general de quatro estrelas, formado em Engenharia, para o Ministério dos Transportes. "Não posso falar o nome dele ainda", segredou.

"Por que botarei muitos militares? Dilma (Rousseff) e Lula botaram corruptos e terroristas, ninguém falava nada. Qual é o preconceito contra militar?", questionou.