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Greve de rodoviários deixa Salvador sem ônibus

A Prefeitura montou um plano de contingência

Foto: Leiamais.ba
Os rodoviários querem reajuste salarial de 6%
Os rodoviários querem reajuste salarial de 6%

Os rodoviários decidiram paralisar suas atividades a partir da zero hora desta quarta-feira (23/5), em Salvador, por tempo indeterminado.

Eles reivindicam reajuste salarial de 6% e sinalizaram concordar com 3%, mas os empresários ofereceram 1,69%.

Na assembleia que decidiu pela greve surgiu a proposta de os ônibus circularem com a catraca livre, sem a cobrança de passagens, mas a ideia divide os rodoviários.

A Prefeitura anunciou um plano de contingência. 35 roteiros especiais foram preparados para os principais corredores de transporte, com a utilização de micro-ônibus do transporte complementar e alternativo, além de vans cooperativadas.

Serão utilizados, pelo menos, 800 veículos dentre micro-ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (Stec), com tarifa no valor normal de R$3,70, e de quatro cooperativas metropolitanas, convidadas pela Prefeitura para atuar na cidade. Além disso, as vans do Transporte Escolar e do Transporte Turístico estão autorizadas a atender aos passageiros na cidade, com tarifa a ser acordada entre o serviço e os cidadãos.

A Justiça do Trabalho determinou que o Sindicato dos Rodoviários - sob pena de multa diária de R$ 10 mil - mantenha 50% da frota nos horários de pico (de 5h até 8h e de 17h até 20h) e 30% no fluxo normal, seja cumprida pelos trabalhadores. decisão que atendeu a um pedido do sindicato patronal da categoria.  Mas, "garantia de que isso vai ocorrer, ninguém pode dar", disse no final da tarde o prefeito de Salvador, ACM Neto.

A paralisação total do serviço representa o descumprimento de obrigação essencial dos contratos de concessão, estando as concessionárias sujeitas à multa no valor total de R$ 1,2 milhão por dia paralisado, dividido entre as três empresas.

Desde as primeiras horas de domingo (20), cerca de 157 microônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC) e outros 120 da Cooperativa Coopelotação de Lauro de Freitas estão operando em Salvador, dentro da operação de contingência montada pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) para minorar os efeitos da paralisação dos rodoviários sobre a população.

Esses veículos estão circulando nos principais corredores da cidade, a exemplo da Orla, São Cristóvão e Suburbana. Além desses micro-ônibus, a Prefeitura autorizou a circulação de cerca de 800 veículos do Transporte Escolar para operar na cidade como transporte coletivo.

O prefeito ACM Neto acusa os empresários do transporte coletivo de permitirem a greve, como forma de pressionar por um reajuste das tarifas e admitiu inclusive uma intervenção nas empresas.

"Agora, podem ter certeza que essa intervenção significaria entrar nas empresas e assumir a operação das empresas, inclusive comprometendo o patrimônio dos empresários, que de certa forma dá suporte e garantia à execução desse contrato", disse, afastando a possibilidade de um aumento das tarifas em 2018.

A frota dos ônibus intermunicipais e de fretamento vai ser mantida, após acordo entre a Abemtro-Associação das Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia) e o Sindicato dos Rodoviários, que garantiu reajuste de 2,7%.