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Transtorno bipolar atinge cerca de 8% da população brasileira

O Transtorno Bipolar do Humor é um transtorno mental crônico

Foto: Pixabay/Creatice Commons
Cerca de 8% da população brasileira possui o Transtorno Bipolar

Apesar dos esforços feitos pelos profissionais da área da saúde para desmistificar o debate das doenças mentais, o transtorno bipolar é um tema ainda cercado de preconceitos e informações incorretas.

O Transtorno Bipolar do Humor é um transtorno mental crônico e com alta prevalência na população geral. Estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros sejam portadores de formas clínicas e sub-clínicas do transtorno, o que corresponde a 8% da população.

O transtorno bipolar é ainda a sexta maior causa de incapacidade do mundo. A patologia é caracterizada por alterações de humor que se manifestam através da alternância entre episódios de depressão e de euforia (também denominados de mania), em diversos graus de intensidade.

A médica psiquiatra Fabiana Nery salienta que as oscilações de humor, como a alegria e a tristeza, são naturais e inerentes ao ser humano, e pontua que o transtorno bipolar tem sintomas particulares e incapacitantes.

“O paciente evolui com episódios diferentes, que não ocorrem do dia para noite. Em geral, temos episódios durando semanas ou meses. É um período de duração onde a pessoa se comporta quase todos os dias de maneira diferente do que era considerado o normal”, esclarece Fabiana.

Segundo a especialista, não existe um único fator que cause o transtorno bipolar, sabe-se que sua origem é multifatorial. Estudos apontam alguns fatos que podem estar relacionados à doença, como fatores genéticos, biológicos e experiências pessoais.

Sintomas

Os pacientes com Transtorno Bipolar apresentam episódios de rebaixamento ou elevação de humor, manifestações que podem variar de intensidade (desde uma alteração somente do humor, até episódios de alteração do humor associado a delírios, alucinações e ideação suicida.)

Frequentemente, pode-se levar alguns anos para definir o diagnóstico de transtorno bipolar, pois seus sintomas podem ser confundidos com os de outros transtornos mentais, como esquizofrenia, transtorno de personalidade borderline ou mesmo dependência química.

Tratamento

O tratamento passa pelo diagnóstico correto, pelo acompanhamento psiquiátrico regular, pelo uso de medicações estabilizadoras do humor e pelo acompanhamento psicoterápico, associados a hábitos de vida mais saudáveis.  

Porém, em alguns casos a internação psiquiátrica se faz necessária para principalmente proteger o paciente de exposições sociais, físicas e financeiras ocasionadas pelos sintomas, e iniciar o tratamento medicamentoso, pois comumente nos episódios agudos, a crítica do paciente está reduzida ou ausente o que dificulta a adesão do mesmo ao tratamento. 

“Dessa forma é possível ajudar o paciente a chegar à estabilização psíquica, a reconstruir os vínculos sociais, ritmos biológicos e a restabelecer uma rotina saudável a partir da construção do entendimento sobre o diagnóstico, tratamento e evolução do transtorno bipolar”, afirma a psiquiatra Fabiana Nery.

A família deve participar durante todo o tratamento, com o objetivo de compreender o diagnóstico para agir na construção do suporte familiar que favoreça a manutenção da estabilidade do paciente.

A construção de um suporte familiar é fundamental para prevenção de novas crises. Os atendimentos com a família agora focam na reconstrução da relação dos familiares com o paciente, estremecidas, ou até mesmo rompidas, por conta dos sintomas maníacos ou depressivos.

Após a estabilização psíquica, ocorre a construção de um entendimento sobre a doença e a reconstrução dos vínculos familiares e sociais, chega o momento do paciente retornar à vida ativa de forma mais consciente, alerta para as questões que deflagraram seu sofrimento psíquico.

O objetivo dessa fase é a construção de um suporte ambulatorial, com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além da manutenção de uma rotina organizada após crise, diminuindo o risco de recaídas.