Política

Ministério Público pede 7 anos de prisão para Geddel Vieira Lima

Ex-ministro foi denunciado pelo crime de embaraço a investigação para evitar colaboração premiada de Lúcio Funaro

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ex-ministro Geddel Vieira Lima chega a Brasília após ser preso pela pela Polícia Federal em Salvador
O ex-ministro Geddel Vieira Lima chega a Brasília após ser preso pela pela Polícia Federal em Salvador

O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta sexta-feira (9/2) à Justiça Federal a condenação do ex-ministro Geddel Vieira Lima a sete anos de prisão pelo crime de embaraço às investigações das operações da Polícia Federal (PF) Cui Bono e Sépsis, que apuram desvios na Caixa Econômica Federal (CEF).

Em alegações finais, última fase da ação penal na qual Geddel é réu, os procuradores responsáveis pelo caso afirmam que o ex-ministro tentou evitar a delação premiada do empresário Lúcio Funaro, operador financeiro do suposto esquema de corrupção.

No entendimento do MPF, Geddel atuou para constranger Funaro, telefonando por diversas vezes para a esposa dele, Raquel Pitta, quando o operador já estava preso, com objetivo de convencê-lo a não se tornar um delator.

Os membros da Força Tarefa destacam a forma com que Geddel praticou o crime, ligando intensamente para Raquel Pitta, esposa de Funaro, após a prisão do operador do PMDB. As ligações tinham por objetivo manter o silêncio do investigado ou com que não colaborasse com a Justiça. O monitoramento não só permitia que Geddel captasse o estado de ânimo de Lúcio Funaro, como também transmitia ao investigado preso que havia um membro da organização criminosa que o estava monitorando.

“Dessa forma, era incutida em Lúcio Funaro a apreensão e o temor por represálias, para que não colaborasse espontaneamente com as investigações, causando, portanto, embaraço a investigação de crimes praticados por organização criminosa no âmbito da CEF (Operações Sépsis e Cui Bono)”, afirmam os procuradores.

A pena requerida pelo MPF/DF levou em consideração o fato de Geddel ser agente público na época em que realizou o monitoramento criminoso, ocupando o cargo de ministro de Estado. “Sua conduta foi extremamente reprovável em comparação com qualquer outro agente em crimes que tem relação com o poder público. O acusado, como ministro de Estado, praticou crime em nome da cúpula política que atuava no próprio governo federal, traindo a confiança do povo brasileiro e ofendendo, por consequência, os titulares do poder soberano que devem ser respeitados no sistema democrático do país”, afirmam os procuradores nas alegações finais.

A convicção dos membros da força-tarefa é baseada em depoimentos de testemunhas e investigados, bem como em laudo pericial, que aponta que, em 19 dias (entre 13 de maio e 1º de junho de 2017), Raquel Pitta recebeu ao menos 17 contatos telefônicos de Geddel, que nunca tiveram contato até a prisão de Funaro. O próprio denunciado confirmou os contatos em audiência de custódia.

Após as alegações finais da defesa do ex-ministro, o processo estará pronto para a sentença do magistrado.

Geddel está preso desde o dia 8 de setembro do ano passado em função de outra investigação, a que trata da origem de R$ 51 milhões encontrados no apartamento de um amigo do político, em Salvador.

Segundo a Polícia Federal, parte do dinheiro seria resultante de um esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal no período entre 2011 e 2013, quando Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica da instituição.

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