Helô Sampaio

Deslumbres de uma tabaroa em cidade grande


Paulo, Ana, eu, Cris, Lucia e a Fê, no Quiosque da Cris, em São Vicente

Eu e Ana, minha irmã, chegamos de 'Sumpaulo' deslumbradas com a 'cidadona' grande – que cada dia fica maior –, e que é muito gostosa para passear, comer, se divertir. Mas estamos ‘tronchas’ de saudade do mano Paulo que lá ficou.

É bom viajar só com o compromisso de passear, relaxar, comer, conhecer lugares e rever familiares queridos. Inda mais com alguém para dirigir e a gente ir sentadinha no banco do carona, sem preocupação com trânsito, roteiro, engarrafamento. Sem xingar ninguém e ficar só apreciando a paisagem, vendo coisas bonitas. Tem coisa melhor não, fio.

Eu ficava parecendo uma princesa, com meu irmão Paulo, que me serviu de motorista, se aperreando com os pepinos. Fiquei boba: apesar da quantidade de carros, São Paulo ainda perde para Salvador no trânsito. Eu gozava os paulistas dizendo que os nossos engarrafamentos são maiores, mais demorados e em mais quantidades de locais que os deles.

Gosto de São Paulo, e toda vez que chego lá, me deslumbro com os novos restaurantes, lugares encantadores, parques bem cuidados e arborizados, praças com gente se divertindo, descansando ou cuidando de crianças e com os ‘prediões’ envidraçados altos e bonitos,tentando chegar no céu.

Só uma coisa estraga o visual: a pixação burra, porca e irracional em quase todos os lugares. Nós também temos pixadores pobres de espírito aqui, mas em menor intensidade. Lá, é difícil passar por um local onde não existam aquelas garatujas, que devem ser a reprodução gráfica do cérebro dos indigentes mentais que as produzem. O prefeito de lá está labutando com o problema mas eu procurei não perder o meu precioso tempo com estas sujeiras.

Até porque lá tem muitos lugares com ‘grafitagem’, as pinturas bem produzidas que eleva o espírito; são trabalhos lindos e harmônicos feitos por artistas, que dá gosto apreciar. São obras de arte expostas em plena rua, acessível a todos, que aliviam a nossa tensão, enleva a nossa alma, agrada a nossa visão.

Fui passar uns dias em São Vicente, cidade linda e acolhedora, que parece que você já conhece de muito tempo, que tem um povo atencioso. O apartamento do mano Paulo fica em frente à praia Gonzaguinha, que tem um mar parecido com o do Porto da Barra: com poucas ondas e bom para nadar. Eu ficava lá que nem sereia gostosa, até o sol se pôr. Eu e os manos. O barraqueiro ficou nosso ‘amigo de infância’: fazia pastéis e tudo que a gente queria e até venderia fiado, se a gente precisasse. E a cada dia nós fazíamos novas amizades.

Foi aí que conhecemos a Lúcia e a Fernanda, duas amigas que se casarem formalmente e foram notícia da imprensa local, pois ambas entraram vestidas de noiva com véu, grinalda e flor de laranjeira. E uma não sabia que a outra iria vestida assim: era pra fazer surpresa uma à outra. E a Fê foi conduzida ao altar pelo seu filho de 20 anos, um rapagão bonito que se dá muito bem com a Lucia. Achei muito legal esta relação.

As meninas depois nos levaram para conhecer o Quiosque da Cris, na praia de Itararé, um point tradicional de turismo para o público LGBT, mas que acolhe todos os públicos. “Aqui todos se entendem, se respeitam e convivem em paz”, define a proprietária Cris, uma figura alegre e expansiva, que começou a vida vendendo pastéis num carrinho. Depois, ela se encantou por um trailer cor de rosa e o arrendou, estendendo então a bandeira do arco-íris. Hoje, o Quiosque (ou a Barraca, como alguns chamam) da Cris é conhecido do Brasil inteiro e recebe turistas de várias partes do Mundo, registra a revista Nove Cidades, do jornalista Diego Brígido, que fez boa matéria sobre o assunto e foi lá levar o exemplar tão logo saiu da gráfica. Fizemos muitas fotos juntos. 

Eu levei uns ‘folders’ de turismo da Setur, e distribuí com as pessoas onde ia, mostrando os lugares encantadores da Bahia. Sou uma baiana fanática, que se orgulha da terra, meu lindinho. E onde vou, falo ou aproveito para mostrar e falar das nossas zonas turísticas: Chapada Diamantina, Porto Seguro, Morro de São Paulo, Ilhéus além, lógico, a nossa gostosa e mágica Salvador. O povo endoida para vir. Pode vir, galera, em casa e em coração de baiana sempre cabe mais uns. He-he!

Ah! E a família? Em São Paulo fica a minha porção italiana. Trem bom é rever os primos e sobrinhos já que levamos tempos afastados, mas não deixamos de amar. Eu e meus irmãos fomos criados juntos com os primos Márcia, Maneca e Zé Roberto. E os sobrinhos são como filhos. É muito beijo, carinho, e muita comilança quando a gente se encontra.  

Experimente esta deliciosa casquinha de bacalhau que a prima Patrícia Daga preparou para nós, meu lindinho e veja se a saudade não é justificada. Ela faz as casquinhas de bacalhau e siri ao mesmo tempo. E a gente se distrai comendo todas enquanto ‘atualiza’ as fofoquinhas familiares. Trem bom demais!

Casquinha de bacalhau (e siri) da prima Patricia Daga

Ingredientes
1k de bacalhau (ou siri) dessalgado e desfiado
½ k de camarão sem casca
4 tomates
4 cebolas grande (ou ao seu gosto)
2 maços de coentro 
2 pimentões (ou ao seu gosto)
Azeite, sal, cominho, pimenta calabresa a gosto
300g de cream cheese
200g de queijo mussarela ralado
Leite de coco, a gosto.

Modo de preparar
- Cozinhar o bacalhau na água e escorrer bem (o siri não precisa cozinhar); 
- Começar o cozimento do bacalhau (ou da carne de siri) colocando em uma panela grande para refogar, primeiro o camarão com azeite;
- Misturar depois o bacalhau (ou carne de siri), com as cebolas, tomates, coentro e pimentões (tudo picado);
- Acrescentar o azeite, sal, leite de coco à gosto; 
- Mexer bem, tampar a panela e deixar cozinhar por mais ou menos 20 minutos em fogo baixo.
- Depois de cozido, misturar 1 pote de 300gr de cream cheese (ou a gosto) e 200gr de mozarela ralada. Mexer bem, tampar a panela e deixar cozinhar 5 minutos.
- Colocar o bacalhau (ou a casquinha de siri), em conchas forminhas de massa folhada pronta, ou refratária para forno. Polvilhar com o queijo ralado por cima e levar ao forno para gratinar.
Saborear pensando na infinita bondade de Deus que nos dá famílias maravilhosas, unidas e fraternas. (Eu tava com saudade d’ôceis, meus lindinhos. Xero!).

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