Alex Ferraz

Em Tempo - Coluna do dia 24/1/2017

A eterna inércia dos governos diante das enchentes urbanas, talvez porque obra subterrânea “não dê votos.”
Entra ano, sai ano; entra prefeito, sai prefeito; entra governador, sai governador, e São Paulo, principalmente, claro, a capital, continua dando um espetáculo de descaso do poder público perante o bem-estar da população.

As chuvas torrenciais que caem por lá, e extensivas ao Rio de Janeiro e Minas Gerais, não são, nem de longe, nenhuma novidade.

Devem ocorrer, no mínimo, há milhares de anos.

No entanto, sempre pegam “de surpresa” as autoridades públicas responsáveis por manter as cidades minimamente dignas.

Árvores caem, dezenas de ruas e bairros viram caudalosos rios, e a população, esteja em carros ou em transporte público, ou, pior, a pé, vive uma verdadeira catástrofe, que, inclusive, resulta em mortes.

Ora, fossem tufões, tornados, ou coisas realmente furiosas e imprevisíveis da natureza, haveria um mínimo de condescendência para se ponderar.

Mas, não.

Trata-se, repito, de chuvas totalmente previsíveis.

Então, fica patente a total incompetência dos poderes públicos para cuidar do mínimo do que lhes é confiado pelo voto.

Haja!

Autódromo
Impressionante, para dizer o mínimo, a velocidade com que os motoristas (caros particulares, ônibus, caminhões e até viaturas da PM) trafegam pela Rua Djalma Dutra, quando, evidentemente, a via está livre, como nos sábados à tarde e domingos.

Trata-se de uma rua importante, onde há lojas, bares, restaurantes, e quem, como eu, trabalha nesta Tribuna e se dá ao trabalho de observar, só chega a uma conclusão: é urgente a instalação de radares.

Urgente!

E por falar em coisas previsíveis (I)
Desde que eu era menino, e menino criado no interior, em fazendas, sempre ouvi falar - e, às vezes, vi de muito perto - sobre o flagelo da seca.

E sei que meus pais, meus avós e tataravós testemunharam o mesmo.

No entanto, em pleno século XXI, que logo mais estará na sua metade, ainda se vive o mesmo drama no Norte, e, principalmente, no Nordeste.

E por falar em coisas previsíveis (II)
Soluções para a aridez, há.

E muitas.

Nunca é demais lembrar que Israel aprendeu a cultivar em pleno deserto.

Água subterrânea existe, e em enorme quantidade, em todo o País.

No entanto, falta vontade política para resolver de vez.

Até parece que dar carro-pipa, esmolas e donativos é uma prática política para angariar votos.

Hum!

Viraram garotos propaganda?
Vi, estupefato, no Cartoon Network - canal pago só de desenho animado - um comercial onde a tradicional fábrica de canetas (e outros acessórios escolares) BIC diz: “Nove entre dez professores recomendam BIC.”

Oxente, será um golpe de MESTRE?

Mais atenção com  a cultura, gente!
A Biblioteca Central do Estado, nos Barris, imponente prédio que eu, quando criança  vi ser erguido, está sofrendo muito.

Até duas semanas atrás, havia seis meses que não apresentava os jornais do dia, da Bahia.

Além de sanitários escuros e descuidados.

Que pena...