Robson do Val

Quem vai colocar o guizo no gato?

Não é preciso ser especialista em planejamento urbano, para perceber que Vitória da Conquista, principal cidade do sudoeste baiano e terceira maior cidade do estado, está em uma encruzilhada decisiva do seu desenvolvimento.

A avaliação é simples: os dados do crescimento demográfico das últimas décadas apontam que em 2030, Vitória da Conquista não será mais considerada uma cidade de médio porte, mas sim uma metrópole que, como todas as grandes cidades brasileiras, tem tudo para ser mais uma urbe caótica.

Agora, quando ela ainda tem menos de 500 mil habitantes e um padrão de desenvolvimento humano satisfatório, principalmente se compararmos à pobreza da quase totalidade das outras cidades nordestinas, é o momento exato para planejar e executar obras estruturais, que evitem o destino anunciado de metrópole desorganizada. Se isso for feito, teremos, ao contrário do que se anuncia, a possibilidade de construir uma cidade modelo.

Mas aquela velha pergunta que a sabedoria popular associou às missões quase impossíveis, insiste e permanecer no ar: “Quem vai botar o guizo no gato?” Ou seja, quem vai tomar para si a difícil tarefa de dobrar a curva do destino e guiar a cidade para essa transformação positiva e tão necessária?

Enquanto isso não acontece, já começamos a perceber o surgimento dos primeiros sinais de degenerescência que caracterizam o ambiente caótico das grandes cidades do terceiro mundo. Trânsito estrangulado em alguns cruzamentos em horários de maior movimento, hospitais públicos superlotados, violência galopante e crescimento do narcotráfico.

Um setor chave para que se realize um desenvolvimento harmônico de qualquer cidade é a mobilidade urbana. Essa questão, por sua vez, está associada à implantação de um modelo eficiente de transporte público. As experiências fracassadas de outros lugares confirmam: ônibus só, não resolve.

VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), metrô, corredores exclusivos para os próprios ônibus... Seja lá o que for! O fato é que alguma coisa tem que ser feita preventivamente, para evitar o colapso que se anuncia em médio prazo.  É claro que essa medida terá que ser complementada por um desenvolvimento planejado da malha viária urbana, que já começa a dar sinais de exaustão.

Terminal em estado terminal

O terminal de ônibus da Av. Lauro de Freitas é a evidência mais clara de que, se algo não for feito rapidamente, teremos, muito em breve, uma Conquista estressada e estressante. Os erros, neste caso, começaram na concepção do projeto. Quem será que teve a infeliz ideia de colocar um terminal de ônibus em um espaço tão acanhado, no meio de uma zona comercial movimentadíssima, onde quase todos os acessos são feitos por ruas estreitas?

Além de ter se tornado um local onde a mobilidade é das mais difíceis, o famigerado terminal já tirou a vida de muitos usuários. Por conta da falta de espaço, que faz com que os ônibus se apertem nos corredores estreitos, a visibilidade dos motoristas fica altamente prejudicada. Não foram poucas as pessoas que morreram esmagadas entre os veículos por conta disso. Os idosos são as principais vítimas.

A insatisfação da população com os serviços oferecidos nesse terminal é tão grande, que quem conseguir muda-lo de lugar, terá uma chance enorme, de somente por essa atitude, cair nas graças do povo. Fica aí a dica para os eternos caçadores de votos.

Colunas anteriores