Karina Nery

Onde se pode deixar o açucareiro aberto, sem medo de formigas ou baratas

-- Aqui em Colônia, na Alemanha, há um seguro chamado Private Haftpflicht que é baratinho e serve para te deixar coberto contra barbeiragens na bike (arranhar um carro ao fazer uma curva muito fechada, por exemplo), ou se o seu filho quebrar uma janela jogando bola ou se você derramar vinho em um tapete de €4.000 do seu vizinho que te chamou pra jantar e que se não fosse por esse seguro era capaz dele não te chamar nunca mais.

-- As janelas e portas se abrem de duas formas diferentes: a normal e a para cima, só para ventilar. Acho massa!

-- Não há formiga ou barata! E o açúcar (de quadradinho) fica aberto no armário.

-- Aqui podemos beber água da torneira. Mas algumas pessoas não gostam e usam algum tipo de filtro ou compram garrafas. Como nós, brasileiros, somos acostumados a beber água de rio, isso é uma bobagem.

-- Por falar em torneira, a maioria tem água quente e fria, mas a água quente é quente mesmo! "Quente-pelando!" E daí às vezes você a esquece virada pro "lado quente-pelando" e toma um susto quando se queima. E não aprende!! 

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O trabalho de chegar ao trabalho
Estou dando aulas de conversação avançada de português para um casal de alemães super fofo.  Que estranho me sentir a "native speaker" tendo sido professora de inglês por tantos anos! E como é legal saber que, mesmo sendo a minha língua mãe, também não sei tudo, nem todas as palavras!  

Mas esse post não é sobre MEU trabalho, mas sim sobre O trabalho de chegar ao meu trabalho. Mas adoro! 

São 4 minutos andando até o ponto de ônibus. Duas paradas depois (6min) chego na estação de trem e ando rápido, porque ele fica ali "só me esperando"...

Seis estações depois (17min) ando por seis minutos e troco o trem (S-Bahn) pelo bonde/metrô (U-Bahn). E nove estações depois (18min) eu chego. Dá quase 1h20min. Quase o tempo da aula.

Na volta, tudo de novo. A diferença é que em vez de 9 estações são 16. Mas essa brincadeira é só a cada três semanas... E faço isso porque quem está começando, ou melhor, recomeçando, não tem muito o que escolher, não.

Mas como eu disse, me divirto. Pode ser que seja coisa de quem acabou de chegar e tudo é novidade... Ou não. O tempo vai me dizer.

E vejo a catedral e a ponte de Colônia no caminho e torres medievais no meio de uma rua movimentada, contrastando o antigo com o moderno... Enfim, pode ser que seja namoro, mas conheço gente que mora há muitos anos aqui e continua gostando de pegar a Bahn. E eu acho que não trocaria por ir de carro a 100 por hora na auto estrada e procurar vaga pra estacionar...

Outra coisa sobre chegar no meu trabalho, ou melhor, na casa dos meus alunos, é o fato de que eu, de zero a 10, acho que sou -1 com relação a senso de direção. Sou tipo Joey de Friends, que quando foi fazer turismo em Londres colocou o mapa no chão e andou por cima dele pra conseguir se situar. Desse nível. 

Então, para uma pessoa como eu, ter chegado a um endereço só pelo nome da rua e número da casa, trocando de buzu pra trem e de trem pra bonde, já foi um sucesso. Claro que seguindo o Google Maps e o App do transporte daqui! Mas mesmo assim...

Chego em casa depois das 22h. As ruas desertas e escuras. Aqui tudo fecha cedinho. Vou ligada. Como sempre andei nas ruas de Salvador. Apesar de me sentir segura aqui, ando atenta sempre. Mas pego meu iPhone sem medo. Principalmente porque preciso checar o mapa e os horários dos transportes.

P.S. Metade desse texto eu escrevi na Bahn, checando, é claro, o nome de caaaaada parada.

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