Jolivaldo Freitas

Sempre gostei quando chega o período de eleições, pois é um momento em que tenho a oportunidade, como especialista em marketing político de novos e impensantes desafios, conhecer e morar por um breve período em lugares que jamais pensaria em pousar e ganhar uma graninha a mais, coisa que nunca é demais (não me venha falar em caixa 2).

Prefiro fazer campanha para prefeitos que governador. Minha primeira campanha foi atuando na Bahia na equipe que cuidava de Guilherme Afif Domingues contra Collor e Lula e ele estava indo bem até que entregou – até hoje não se sabe o motivo – seus votos para Fernando Collor de Mello, que terminou ganhando.

Depois fiz parte da equipe que fez a campanha para governador de João Durval e de João Henrique para sua primeira investida como deputado e fui fazer campanha para governador (nem lembro quem era o candidato) lá nas Alagoas e também para prefeito pelo PSB em Aracaju.

A partir daí decidi coordenar marketing nas cidades interioranas da Bahia, e como a campanha leva pelo menos três meses, tive a oportunidade de viver em lugares maravilhosos como Juazeiro, Santo Amaro, Santaluz, Irecê e tantos outros municípios que guardo na lembrança. Nasci em Salvador, mas tenho inveja de quem nasceu no interior.

Pois nas minhas andanças por estas belas plagas me debati com questões comuns para todos aqueles que trabalham com campanha política, como por exemplo estar mostrando que o céu é azul, o candidato estar vendo que é azul, mas mudar de opinião porque um patrocinador, a mãe, uma velha tia que tem premonições, um cabo eleitoral ou o coordenador político dizia que o céu era amarelo. Uma total falta de realismo.

E são muitas as questões onde o candidato é cercado de boas notícias e ele sublima as más notícias. Ele passa a enxergar a realidade a partir de um ponto de fuga criado pela perspectiva e pelo desejo daqueles que o cercam, que fazem parte do seu entourage. Daí que vi candidatos com a faca e o queijo na mão.

Vi prefeito no cargo com todo poder da máquina ir sendo engolido por falácias, abandonando aos borbotões os planos e planejamentos de marketing para dar ouvido aos parentes e aderentes e de repente ir caindo dos 70 pontos de intenções de voto, até chegar ao mínimo. Sair em primeiro lugar no Ibope e chegar entre os últimos. Verdadeiros cavalos paraguaios. Perdoe, mas vou fazer um parêntese para explicar o que é cavalo paraguaio, e depois retomo o tema central.

A expressão “cavalo paraguaio” vem do fato que nas competições de turfe é tudo bem estudado e cada desempenho dos cavalos avaliado cientificamente e matematicamente. Até que em 1933 no Hipódromo do Rio de Janeiro, durante o Grande Prêmio Brasil a presença de cavalos vindos de outros países inflou as apostas.

Mas, um cavalo de nome “Mossoró”, pernambucano de descendência paraguaia que ninguém levava a sério foi quem e arruinou muita gente ao dar um arranque no final e ganhar a corrida. Só que ele em outras competições dava aquele arranque de enlouquecer mas ia caindo de produção até ficar entre os últimos.

Pois é o que acontece tanto na política como em futebol. Na política temos na Bahia o caso Paulo Souto X Jacques Wagner. Souto saiu na frente nas urnas e lá no final da tarde, quando Wagner já estava de bermudas tomando seu uísque e sublimando uma derrota o voto se virou e Souto perdeu aos 46 minutos do segundo tempo.

É o que pode acontecer com Lula que está na frente nas intenções de votos para 2018 e o mesmo com Bolsonaro. Os dois têm tudo para parecerem cavalos paraguaios. Igual ao Corinthians que começou arrasador e hoje está beirando uma derrota histórica. O mesmo que o Bahia que começou o Brasileirão dando uma incrível goleada de 6 a 2 no Atlético do Paraná. E hoje pede a Iansã para amarrar as pernas  dos adversários senão cai de novo para a segundona e de lá para a terceirona.

Talvez por essas e outras que ACM Neto não sabe se lança ou não sua candidatura a governador. Rui já está nos cascos.

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