Helô Sampaio

Uma amiguinha minha está indo passar 20 dias em Paris. I love Paris! E foi lá que, num barzinho ao lado da Catedral Notre Dame, um garçom disse que eu tinha ‘boca de mel’. É mole, lindinho? Quase que eu o pedia em casamento. Fiquei toda fagueira e me debochando para o gatão francês após mais uns chopinhos – daqueles discretos, de meio litro. As amiguinhas ficaram todas morrendo de inveja do meu charme.

Bar em Paris - Foto: Leimais.ba

Por que me lembrei disso? Porque minha comadre Regina Zobiak está indo ver Larissa, sua filha e minha afilhada, que está na Inglaterra. Depois ela dá uma esticada por Portugal, França, Alemanha e outros países, com Iracema ao lado. E Lúcia, minha amiga médica, já está a caminho do aeroporto para uma ‘esticada’ pelo Velho Continente. Marli já fala em ir para o Canadá. E eu aqui, chupando dedo...

Eu resolvi, arrumei minha trouxa neste fim de semana e me mandei para Guarajuba, na casa de Regina. Iracema e Marta foram comigo a tiracolo. Meu lindinho, vou te contar um segredo: baiano tem um paraíso ao alcance da mão e não dá o devido valor. Mesmo com este tempo chuvoso, como não se via na Bahia há décadas, passamos uns dias deliciosos. Levei um monte de palavras cruzadas da revista Caras, do Estadão e do jornal A Tarde, os três que eu mais gosto de fazer; levamos comidinhas, docinhos, biscoitinhos, pecadilhos da gula que nos são permitidos quando estamos de folga.

Mas o pecado maior foi chegar ao Bar do Carlinhos (fone 3674 0965), na melhor praia de Guarajuba. Eu estranhei logo ao me sentar à mesa, que, enquanto garçons simpáticos e moças bonitas nos serviam, os vendedores que entravam e ofereciam os mais diversos produtos: de colchas de cama e óculos a cocadinha de jaca ou nata de coco. Enquanto eu ‘brigava’ com um delicioso caranguejo gordo com pirão, observava que havia paz entre os da rua e os de casa, e até que um auxiliava o outro, quando necessário.

Quando uma garçonete colocou uma pequena bacia com água de cheiro e limão para eu lavar as mãos sujas do caranguejo, não resisti. Pedi pra conhecer o dono da casa, o ‘Carlinhos’. Logo me chega um rapaz novo, bonito e todo charmoso. Era Thiago, o filho do Carlinhos, que o ajuda na condução do negócio. Menino que estudou n Escola Pan Americana e cursou Administração. Depois reuniu a família e declarou: “a partir de agora, estou habilitado a trabalhar no Bar, com meu pai, em Guarajuba. É o que eu gosto de fazer”. E aplica todo seu conhecimento lá, orientando para que o cliente saia feliz. “Nossos clientes são de longa data; mas, frequentemente, temos recebido muitos turistas porque os guias de turismo vêm aqui, veem a qualidade do atendimento e trazem os grupos com a tranquilidade de que sairão satisfeitos”. Menino bom!

Mas Carlinhos também veio falar comigo. E disse, com toda simplicidade, que “todos tem que ter oportunidade para ganhar a vida”. Ele vende seu produto no Bar. E deixa que os nativos, no seu estabelecimento, vendam o que podem para sobreviver. Explicou: “aqui as pessoas podem ver o produto deles, ver a qualidade com mais tranquilidade do que na praia”. Amei, e trancei no papo com ele, que é uma doçura de pessoa.

E fiquei sabendo que o doce de jaca – que ele serve como cortesia do almoço –, veio da constatação de que as jacas produzidas na região não encontravam mercado e o produto se perdia. Ele acertou com algumas vendedoras para fazer o doce da jaca, que ele compra a um preço acessível e serve como cortesia. Se o cliente gostar, e quiser levar, vai comprar com a vendedora que está ali por perto. Não é uma forma de humanizar o comércio? Fiquei apaixonada pelo pai e pelo filho (só faltou o espírito santo, he-he!).

Quando Célia passou pela minha mesa com várias cocadinhas, minha atenção foi chamada para a ‘cocadinha de nata de coco’, que se come com colher. Gente, é um manjar delicioso. Até agora estou ‘lambendo os beiços’ de prazer. Ela também faz o doce de jaca, que é servido por Carlinhos. (Se vocês quiserem, liguem para Célia – fone 99919 0983, e peçam a cocada para ir buscar lá. Ela está em Carlinhos aos sábados e domingos). Eu vou dar a receita da cocada de nata de coco do jeito que ela falou, depois dou a de jaca. Fiquem aí, se deliciando com esta maravilha.

Cocada de nata de coco verde de Célia de Guarajuba

- Abrir dez cocos verdes, tirar as natas e reservar a água de um coco;

- Bater rapidamente (muito rapidamente) no liquidificador as natas com a água de um dos cocos;

- Pegar um coco maduro e ralar a polpa (segundo ela, o coco está maduro quando a água ‘sacode’ dentro. Não é o coco seco);

- Levar uma panela ao fogo com as natas, um copo de açúcar e o coco ralado e deixar cozinhar por uns 20 a 30 minutos, mexendo um pouco sempre.

Saborear, matando de inveja a quem não aproveita um fim de semana para ir ali em Guarajuba apreciar as delícias desta Bahia fantástica. Beijins, lindinhos e até a próxima cocadinha. 

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