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Beija-Flor é a grande campeã do carnaval no Rio de Janeiro em 2018

Foi a vitória do carnaval de protesto

Foto: Gabriel Nascimento/Riotur
Claudia Raia desfila na Beija-Flor de Nilópolis
Claudia Raia desfila na Beija-Flor de Nilópolis

Paraíso do Tuiuti, outra escola que levou o protesto na Marquês de Sapucaí ficou em segundo, com um décimo de diferença (269,6 pontos da campeã contra 269,5 da vice).

O título saiu na última nota do último dos nove quesitos, o de samba-enredo.

As escolas de samba são avaliadas em alegorias e adereços, bateria, fantasia, samba-enredo, comissão de frente, evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e enredo.

A Grande Rio e a Império Serrano foram rebaixadas.

A Beija-Flor tem agora 14 títulos no Grupo Especial do Rio - só fica atrás da Portela e da Mangueira no total de vitórias.

Para vencer o desfile no Rio, em 2018, a escola apresentou o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley, que completou 200 anos.

Na obra, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. No desfile, a figura foi usada para críticas a problemas sociais como corrupção e desigualdades.


Desfile na Sapucaí – Beija-flor – Grupo Especial – Foto: Gabriel Nascimento | Riotur

Completando 70 anos neste 2018, a Beija-Flor, que a cada ano se supera nos quesitos luxo e imponência, fez um desfile atípico. Crítica das mazelas brasileiras, a apresentação em alguns momentos remeteu o público que acompanha carnaval ao histórico "Ratos e urubus, larguem minha fantasia" (1989), do carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011) - este tratava de luxo, lixo, pobreza e festa e até hoje é um dos mais lembrados da história do sambódromo.

A escola fez um paralelo entre o Frankenstein, de Mary Shelley, personagem que está completando 200 anos, e os "monstros nacionais": a corrupção, as agressões à natureza, o uso indevido de impostos, as disparidades sociais. A teatralização excessiva cansou. O carro da favela tinha traficantes "armados", briga de casal e até uma mãe velando um filho policial morto. A chamada "farra dos guardanapos", episódio do esquema criminoso do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), foi encenada. 


Ratos da corrupção - Foto: Gabriel Nascimento


Componentes vestidos de pastores evangélicos, católicos e muçulmanos se juntaram contra a intolerância religiosa. Pabllo Vittar foi destaque no carro anti-LGBTfobia. No geral, a plateia comprou o discurso de indignação da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, que encerrou sua passagem com a simulação de uma passeata popular, seguida pelo público saído de frisas e camarotes.

Resultado final

-- Beija-Flor (campeã): 269,6
-- Paraíso do Tuiuti: 269,5
-- Salgueiro: 269,5
-- Portela: 269,4
-- Mangueira: 269,3
-- Mocidade: 269,3
-- Unidos da Tijuca: 269,1
-- Imperatriz: 268,8
-- Vila Isabel: 268,1
-- União da Ilha: 267,3
-- São Clemente: 266,9
-- Grande Rio (rebaixada): 266,8
-- Império Serrano (rebaixada): 265,6