Carnaval / Cidade / Política

Rui Costa acompanha saída do Ilê e ACM Neto evita ir para o Curuzu

O bloco faz parte do Carnaval Ouro Negro e do projeto Concha Negra

O governador Rui Costa estava acompanhado da mulher, Aline Peixoto
O governador Rui Costa estava acompanhado da mulher, Aline Peixoto

O governador Rui Costa acompanhou as bênçãos dos ialorixás da sacada do terreiro Ilê Axé Jitolú, na Ladeira do Curuzu, nesta noite de sábado (10/2). Em seguida, o cortejo com a Deusa do ébano, a banda Aiyê, associados e a população ganhou as ruas do bairro.

“O povo da Liberdade se manifesta nessa expressão forte da imagem do povo negro que é o Ilê, que fez e fará história ao longo dos anos, não só como um bloco de carnaval, mas representa uma entidade social e cultural, que faz um trabalho”, afirmou o governador.

Já o prefeito ACM Neto evitou o bairro da Liberdade, onde nasceu o governador Rui Costa. Em 2017, o prefeito acabou vaiado, ao participar da saída do Ilê, e em 2018 decidiu ficar no circuito Barra/Ondina.

ACM Neto tem dúvidas sobre uma possível candidatura ao governo da Bahia. Ele teria de renunciar em abril para concorrer contra o governador Rui Costa (PT). Se perder para o petista, Neto ficaria sem mandato até 2022, tempo demais longe do eleitor para quem depende de votos.

A legislação eleitoral o impede de tentar voltar à prefeitura em 2020, porque isso seria considerado um terceiro mandato consecutivo. 

A última vez que o DEM ocupou o governo da Bahia foi com Paulo Souto, em 2006. Ele perdeu a reeleição para Jaques Wagner (PT). 

Ouro Negro

O bloco afro Ilê Aiyê tem como tema "Mandela: A Azania celebra o centenário do seu Madiba", prestando homenagem ao líder rebelde, posteriormente eleito presidente da África do Sul, Nelson Mandela.

O Ilê foi contemplado por meio do Carnaval Ouro Negro e também pelo projeto Concha Negra. “O Ouro Negro faz dez anos, e são dez anos de uma política pública que busca valorizar o nosso carnaval, que tem história, tem cultura, tem afirmação e a identidade e a linguagem, a estética do povo negro da Bahia”, disse o governador Rui Costa.

“É muito gratificante ver as coisas acontecendo, a saída do Ilê é um grande evento, que todo ano a gente sabe que de alguma forma vai acontecer, mas com o apoio do Projeto Carnaval Ouro Negro, a gente sabe que vai ser uma festa bonita, realizada da melhor forma”, comemorou o presidente do bloco Afro Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, o ‘Vovô’.

No Carnaval 2018, o Governo do Estado homenageia os 220 anos da Revolta dos Búzios. Na capital, a diversão está assegurada com a contratação de 203 atrações, sendo 112 somente para o folião pipoca. Comemorando dez anos, o Carnaval Ouro Negro mantém a tradição dos blocos afro e afoxés, com o apoio a 91 entidades.  Além da capital, a festa é patrocinada pelo Governo em 22 cidades do interior baiano.

Afros e afoxés

O primeiro bloco percussivo feminino da Bahia, puxado pela banda Didá, passou pelo circuito Osmar (Campo Grande) pedindo respeito e chamando a atenção dos foliões para o combate à violência contra a mulher. Neste Carnaval, a Didá trouxe o lema "Nós de fé, coragem e proteção". Um dos destaques do desfile em 2018 é a antecipação das comemorações pelos seus 25 anos de existência, celebrados em dezembro.

Com o tema "Basta ao genocídio da sociedade negra", o bloco afro Kirin Efan também marcou presença no circuito Osmar neste sábado. Com fantasias nas cores branco e vermelho, o destaque do bloco ficou por conta dos adereços em dourado. Dividido em três alas - músicos de sopro, bailarinos e baianas - homens e mulheres negras transmitiram uma mensagem de paz para os soteropolitanos.

Neste domingo (11), será a vez do afoxé Filhos de Gandhy purificar o circuito com água de cheiro e muito ijexá, pedindo "Tradição, paz e amor", tema do bloco este ano. O afoxé é o que possui maior número de associados, aproximadamente 7 mil homens, que desfilam todos os anos de azul e branco inspirados pelo ativista da não-violência Mahatma Gandhi.

Em 2018, o afro completa 69 anos de história na folia baiana.