Política

Venda da Petrobras é defendida em entrevista à TV por Jair Bolsonaro

Bolsonaro já tinha manifestado posicionamento favorável a uma fusão entre a brasileira Embraer e a americana Boeing

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Bolsonaro disse ser contra a reforma da Previdência e adiantou que votará contra
Bolsonaro disse ser contra a reforma da Previdência e adiantou que votará contra

O deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, defendeu nesta sexta-feira, 12, a privatização da Petrobras, desde que o governo mantenha uma golden share, ação com poder de veto, na companhia petroleira.

"De acordo com o modelo de privatização da Petrobras, você pode ser favorável a isso", afirmou o parlamentar em entrevista ao jornal RedeTV News, da RedeTV. Além da golden share, ele disse que é importante observar a origem do capital de quem assumirá o controle da estatal.

Antes disso, Bolsonaro já tinha manifestado posicionamento favorável a uma fusão entre a brasileira Embraer e a americana Boeing se a união for vantajosa aos dois lados.

O deputado, que admite ter pouco conhecimento de economia, disse que o economista Paulo Guedes, seu assessor na área, será o "artífice" das propostas econômicas em sua plataforma de governo "Perguntei a ele se dá para diminuir a dívida interna sem aumentar impostos e mantendo o tripé econômico. Ele disse que é possível. Tem que confiar nele, tem que botar alguém que entende do assunto", assinalou o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto a presidente da República.

Já a respeito da segurança pública, sua área de conforto e onde apresenta as propostas mais polêmicas, Bolsonaro criticou os demais pré-candidatos por não adiantarem como pretendem enfrentar o assunto. Segundo ele, os policiais se sentem hoje "ultrajados" porque prendem bandidos que acabam sendo muitas vezes libertados por juízes. "

Não pode ter pena de encarcerado. Tem que acabar com os 'saidões', as progressões de pena", afirmou Bolsonaro, acrescentando que policiais que eventualmente matarem "quem está matando a sociedade" durante operações precisam ser ouvidos antes de serem punidos. "Não quero dar carta branca para o policial matar, quero dar carta branca para ele se defender e não morrer".

Apesar do pouco tempo que deverá ter no horário eleitoral na televisão, o deputado mostrou confiança de que chegará ao segundo turno, quando os tempos dos dois candidatos se equivalem "Podemos fazer a diferença nas eleições. Temos certeza que vamos ao segundo turno".

Previdência

Bolsonaro disse ser contra a reforma da Previdência e adiantou que votará contra se a proposta de emenda constitucional for colocada à votação na Câmara. Em entrevista ao jornal RedeTV News, da RedeTV, o parlamentar aproveitou ainda para atacar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), possível adversário na corrida pelo Palácio do Planalto neste ano. "A economia só afundou com o Meirelles", comentou Bolsonaro.

Referindo-se à reforma da Previdência, o deputado disse que, da forma como está, a "proposta do Meirelles" não será aprovada e antecipou qual será seu posicionamento caso a matéria seja encaminhada ao plenário na Câmara. "Da forma proposta, não votarei favorável". Para justificar a posição, disse que não pode levar "miséria" aos aposentados por exigência do mercado financeiro, que defende, em geral, as mudanças nas regras das aposentadorias. Sobre os desequilíbrios previdenciários, afirmou ser favorável a uma reforma mais enxuta, para ser complementada pelo futuro governo.

Ao avaliar seus possíveis adversários na eleição presidencial, Bolsonaro definiu Meirelles como um homem da economia e lembrou que o ministro da Fazenda trabalhou para a JBS, do empresário Joesley Batista, preso pela Polícia Federal. Considerou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), como um homem que "tem seu valor", mas que, apesar de ter um grande número de partidos a seu lado, encontrará dificuldade para ter o nome viabilizado eleitoralmente.

Não citou diretamente o governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas classificou como ridícula a ideia do governador, também presidenciável, de criar um ministério para a Segurança Pública. "Esses pré-candidatos são parecidos. Eu sou diferente deles", assinalou o deputado, que aparece na segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto.

Questionado sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas, mas que pode se tornar inelegível caso tenha a condenação por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro mantida em segunda instância, Bolsonaro garantiu não estar preocupado sobre quem enfrentará no primeiro e segundo turnos. Apesar disso, reconheceu que será beneficiado se o recurso apresentado pelo petista for negado no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4).