Robson do Val

Coluna do Sudoeste - 26/11/2017


Aeroporto - A espera continua

Enquanto espera a conclusão das obras do novo aeroporto, a população de Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia, amarga uma rotina de vôos cancelados e falta absoluta de conforto, no obsoleto aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, que carece de equipamentos básicos de infra-estrutura.

As carências incluem desde coisas elementares, como cadeiras suficientes para os passageiros se acomodarem no salão de espera, até um equipamento de aproximação de vôo que permita o trânsito de aeronaves em dias nublados.

Os prejuízos econômicos gerados pelo atraso vergonhoso da obra são incalculáveis, não só para Vitória da Conquista, mas para um conjunto de pelo menos oitenta municípios da região, que se beneficiariam do novo aeroporto.

No âmbito individual, são incontáveis os casos de negócios importantes prejudicados por cancelamentos de vôos, e até de empresas de grande porte que desistiram de se instalar na região, por conta da ausência de uma estrutura moderna e confiável relacionada ao transporte aéreo.

Esta semana nós acompanhamos uma visita de uma comissão organizada pelo Movimento Conquista Pode Voar Mais Alto, às obras do aeroporto. O que vimos foi desalentador.

Embora as obras da pista de pouso e de boa parte da área do entorno dela, como o estacionamento, por exemplo, já estejam concluídas, a construção do terminal de passageiros está apenas no início, caminhando a passos de tartaruga.

Pra se ter uma ideia do ritmo lento da obra, não contamos mais de oito operários trabalhando, o que chega a ser ridículo em se tratando de uma obra desse porte.

Jogo de empurra e asfixia

O Governo do Estado afirma que a obra está lenta porque o Governo Federal está segurando os recursos. Este argumento é compartilhado por todos aqueles que concordam que tudo o que Temer e seus correligionários baianos querem evitar, é um Rui Costa prestigiado pela conclusão de uma obra, que vai beneficiar cerca de um terço dos eleitores baianos.

Notícias não oficiais dão conta de que isso pode sim ser verdade. Por esse ponto de vista, o que está em andamento no canteiro de obras hoje, está sendo totalmente financiado por recursos estaduais.

Pelo que está previsto no planejamento da obra, orçada em mais de 86 milhões de reais, ela teria que ser tocada com 80% de recursos federais e apenas 20% de contrapartida estadual.

Os entes federais garantem que os repasses estão sendo feitos, e atribuem o atraso à má gestão estadual, ou pelo menos, é isso que eles querem que as centenas de milhares de eleitores da região acreditem.

Embora não tenhamos condições de saber exatamente que cartas estão ocultas nessa mesa, não há dúvidas de que um jogo eleitoreiro está em andamento. Quem vai ser alçado, no momento pré-eleitoral preciso, ao prestigioso posto de pai da criança? E se acabar o dinheiro que Rui Costa administra, e ele não puder pagar nem os oito operários que estão trabalhando lá agora? E se ACM Neto correr pra Brasília e conseguir liberar, fazendo muito barulho, os recursos supostamente emperrados, que permitirão a finalização da obra?

A conclusão é a mesma de sempre: eles brigam lá em cima, e o povo perde aqui embaixo.