Robson do Val

Coluna do Sudoeste - 12/11/2017

A sina das obras inacabadas

28 de março de 2018 – Esta é a data anunciada, em letras garrafais, em um outdoor instalado numa das principais avenidas da cidade, para a inauguração do mais novo Shopping Center de Vitória da Conquista. O anúncio teria tudo para ser motivo de comemoração entre a comunidade conquistense, se a data divulgada para a suposta inauguração, não fosse apenas mais uma, entre outras tantas que já foram anunciadas e tiveram que ser adiadas porque a obra não estava concluída.

Em conversas com empresários que adquiriram espaços para instalar lojas no Shopping Boulevard (nome do novo empreendimento) soubemos que a obra foi marcada por crises, o que gerou uma insatisfação tão grande entre os lojistas, que alguns chegaram a anunciar que iriam entrar na justiça para cobrar os prejuízos provocados pelo atraso na conclusão do projeto. O prazo para inauguração foi prorrogado pelo menos três vezes, deixando frustradas expectativas de retorno financeiro dos investidores em várias ocasiões.

O maior impasse estaria ligado à necessidade de adesão das chamadas grandes redes de loja do país, que funcionam como atrativos indispensáveis nesse tipo de empreendimento. Algumas teriam desistido no meio do caminho, deixando vazios difíceis de compensar. Pra piorar, o momento crítico da obra de construção do shopping, coincidiu com aquela que está sendo apontada como a maior crise econômica que o país já atravessou.

Agora, superado o período mais extremo da crise, e com a presença garantida de grandes redes, como Lojas Americanas e Renner, a uma grande probabilidade de que a data de 28 de março seja realmente confirmada como data da inauguração.

Capitaneado por um dos maiores grupos especializados em administração de shoppings do país, o Boulevard promete preencher uma lacuna existente naquela que é a terceira maior cidade da Bahia, e que tem, sem dúvida, a melhor qualidade de vida do interior do estado, embora ainda careça de estrutura em tantos aspectos.

Há muito que Vitória da Conquista merece um centro comercial com padrão compatível com o das grandes cidades brasileiras. Espera-se que o novo empreendimento traga, além disso, a elevação do nível de profissionalização dos serviços oferecidos na cidade de uma forma geral, forçando todo o comércio local a buscar avanços em quesitos importantíssimos, como tecnologia e qualidade de atendimento.

Embora seja uma cidade de porte médio, com cerca de 350 mil habitantes, Vitória da Conquista só contou, nos últimos anos, com os serviços de um shopping muito modesto, que por ser o único da cidade, sobreviveu sem maiores percalços, mesmo com os lojistas nele instalados reclamando dos aluguéis caros e sem oferecer muito conforto aos consumidores. A concorrência do novo equipamento, certamente fará a administração do velho shopping se mexer no sentido positivo.

Se esse projeto agrega valor ao comércio local, e se outros setores como os serviços privados de saúde e educação também vão muito bem, não podemos esquecer de que o crescimento harmonioso da chamada capital do sudoeste baiano, ainda está dependendo de obras estruturais fundamentais, ligadas, principalmente, à esfera do poder público.

Entre elas, enumeraríamos a necessidade urgente de uma adequação dos recursos hídricos que abastecem o município, há muito defasados, o que poderia promover, entre outros benefícios, a atração de um número maior de indústrias, gerando milhares de empregos.

Além disso, destacaríamos que é necessária a conclusão da obra do novo aeroporto, que se arrasta tanto quanto a do novo shopping, embora o motivo aqui seja a crônica ineficiência da gestão pública, somada às disputazinhas eleitoreiras dos caciques políticos das diversas esferas do executivo, que brigam pela paternidade da obra, mas não desamarram os fios da burocracia que impedem a entrega do equipamento à população. Com certeza à espera de uma data mais próxima a uma eleição qualquer, para colherem nas urnas os frutos indignos do oportunismo político. 

Matando cachorro a grito

O deputado Marcell Moraes fez carreira na política abraçando gatos e cachorros em anúncios espalhados por várias cidades baianas. Percebendo, oportunamente, o afeto que muita gente nutre pelos seus animaizinhos de estimação, o gajo não poupou esforços para posar sempre de anjo protetor da bicharada. Na visão dele mesmo, e talvez dos eleitores mais incautos, quase um São Francisco de Assis.

Os primeiros a se insurgirem contra a estratégia animal do referido político, que criou a novíssima modalidade de transferência de votos dos bichos para as pessoas, gerando assim uma numerosa legião de cabos eleitorais entre caninos e felinos, foram os veterinários.

Em diversos momentos e diversas cidades, como comprova o vasto noticiário a respeito, ele desagradou a classe dos profissionais responsáveis pela saúde animal. Os veterinários criticam, principalmente, o fato de o deputado empreender ações como castrações de animais em massa, sem se preocupar com os cuidados básicos de higiene e com o pós-operatório dos bichinhos. Mais ou menos assim: castrou, saiu na foto, está liberado.

Recentemente Marcell se envolveu em uma polêmica com a classe veterinária de Vitória da Conquista, depois que teve o dissabor de ver impedida pelos órgãos fiscalizadores, mais uma ação de castração em massa na cidade. Foi às emissoras de rádio locais e tachou os veterinários de “mercenários, que só se interessam pelo ganho financeiro”. Segundo ele, a classe está preocupada com a perda de clientes que suas ações gratuitas podem promover.

A polêmica foi parar nas redes sociais, onde foi registrado um fenômeno estranho em alguns posts que defendiam o deputado: todos os comentários que davam razão aos veterinários eram apagados por mãos invisíveis poucos minutos depois de postados, tornando a disputa desonesta e desigual.

E foi assim com todos que, até agora, tomaram publicamente a defesa da causa do deputado; sempre pareciam estar em atitude um tanto quanto suspeita. Entre os veterinários de Vitória da Conquista, que com certeza entendem mais de bicho do que os políticos, por exemplo, não houve um sequer que levantasse a voz para defendê-lo.

Pra aumentar o grau da lambança geral que promoveu em Vitória da Conquista, o deputado copiou a ideia de um grupo de veterinários da cidade, e organizou uma “Cãominhada”,  evento que já era organizado pela classe veterinária local anualmente, sem ter sequer a decência de mudar o nome do evento.

E tome-lhe fotos dele abraçado com cachorro espalhadas pela cidade para divulgar o evento!  Tudo isso nos deixa a refletir: como deve ser para alguém, depender de gato e cachorro para subir na vida?